
Depois de ter obrigado o serviço de recomendação de música Pandora a vedar o acesso aos utilizadores britânicos devido aos elevados montantes de royalties que exigia, uma sociedade de cobrança de direitos de autor em nome dos compositores volta outra vez a provocar outro amargo de boca aos internautas das terras de Sua Majestade.
Em consequência do fracasso das negociações para a renovação do contrato com a Perfoming Rights Society (PRS), a YouTube decidiu ontem começar a bloquear o acesso de milhares de videoclips musicais premium. Neste grupo estão incluídos todos os vídeos oficiais disponibilizados pelas maiores editoras discográficas (excepto a Warner Music que já tinha visto os seus vídeos desaparecerem do site da subsidiária do Google exactamente pela mesma razão…), bem como de algumas independentes.
Os britânicos que quiserem continuar a assistir aos vídeos dos seus artistas favoritos podem contudo recorrer às inúmeras versões ilegais disponibilizadas pelos utilizadores ou ainda usar um servidor web proxy para contornar o bloqueio. Isto só prova que quem acaba por sair prejudicado são os próprios autores e compositores representados pela PRS, uma vez que deixa de ir parar dinheiro da YouTube e dos anúncios ao seu bolso.
Mais uma vez esta disputa entre YouTube e entidades que se dizem representantes dos criadores resume-se a duas causas: mais dinheiro e falta de transparência. Adivinhem de quem é a culpa… Em Agosto de 2007 a PRS – então conhecida por MCPS-PRS Alliance – assinou um acordo com a YouTube que em troca de uma tarifa plana concedia a esta licenças sobre 10 milhões de obras musicais.
Essa quantia nunca foi revelada mas agora o acordo expirou e segundo a YouTube, parece que a PRS andava a exigir montantes várias vezes superiores aos fixados no contrato anterior. “A taxa que eles queriam aplicar significaria que nós iríamos perder quantidades significativas de dinheiro em cada reprodução de um videoclip musical. Não é razoável apresentar uma taxa deste tipo… Ao fixar taxas que não induzem ao crescimento de novos modelos económicos, toda a gente acaba por perder.”
Mas de acordo com o que a subsidiária da Google explicou no seu blog, outra razão para o fracasso das negociações é que a PRS se recusou a especificar o nome dos artistas e das músicas que seriam abrangidos pelo novo acordo. “Isso é como solicitar ao consumidor que compre um CD sem saber quais os artistas que constam do disco.” Na verdade, esse truque não é algo que se limite ao Reino Unido, sendo antes uma prática que as sociedades de gestão colectiva de direitos de autores de todo o mundo herdaram da rádio. Basta lembrar o caso da portuguesa SPA…
A PRS, por seu lado, bradou aos céus de indignação pela arrogância da YouTube de ter removido os videoclips sem sequer se ter dignado a avisá-la com antecedência do sucedido. Contrariando a versão da YouTube, a PRS considera que esta estava a tentar pagar menos aos autores e compositores de música apesar do seu tráfego Web ter aumentado exponencialmente desde a assinatura do primeiro acordo. Mas será que é a YouTube que precisa mais dos vídeos da PRS e de outras sociedades de direitos de autores ou são estas que dependem cada vez mais do seu site de partilha de vídeos?
Estas entidades que representam a indústria musical têm que começar a entender que sites como o YouTube e mesmo o Pirate Bay têm a faca e o queijo na mão – leia-se, o tráfego Web – para recompensar e promover as músicas dos seus associados, quer seja através de publicidade, links afiliados para o iTunes ou Amazon ou até mesmo num futuro próximo – quem sabe? – venda de bilhetes para concertos. Num futuro cada vez menos distante serão as editoras e as PRSs, RIAAs, SPAs, IFPIs e outras que irão pagar para promoverem os seus artistas no YouTube e não o contrário. Porque quem não chegar mais depressa aos fãs pura e simplesmente não será ouvido. Tão simples como isso. Até lá, elas continuarão a cavar a sua sepultura.
(foto de mrjorgen segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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