SpiralFrog: era uma vez um serviço de música financiado por publicidade

by Miguel Caetano on 20 de Março de 2009

Já se estava mesmo a adivinhar que isto ia acontecer quando em Janeiro passado surgiu a notícia de que a empresa por detrás do serviço SpiralFrog de downloads grátis de música financiado por publicidade não iria provavelmente pagar a sua promissória.

E foi precisamente o que aconteceu ontem quando o seu site ficou offline. A informação foi dada em primeira mão pela Digital Music News que cita ainda uma fonta anónima segundo a qual a empresa já tinha fechado verdadeiramente as portas na sexta-feira passada.

A razão imediata para o encerramento do serviço foi a dívida superior a 35 milhões de dólares que a empresa estava a dever aos credores. Todas as tentativas de encontrar um comprador a tempo e horas foram infrutíferas. O Yahoo até foi metido ao barulho mas não deu. A retracção do mercado publicitário e a recessão económica global apenas vieram contribuir para acentuar ainda mais os problemas.

Agora os investidores estão a tentar decidir o que hão-de fazer com os bens que restaram, desde servidores à base de dados de titulares de direitos com nomes de músicas e artistas.

Contudo, o motivo mais profundo para o fim do SpiralFrog consistiu no facto do seu modelo de negócio assentar na oferta de downloads de músicas com DRM. Já na altura em que o serviço abriu ao público nos EUA em Setembro de 2007 viu-se logo que uma plataforma dependente de restrições tecnológicas, que apenas funcionava com o Windows Media Player a partir de um PC Windows – nada de iPods, pois claro! – e que obrigava os utilizadores a visitar o site em cada 30 dias para autorizem os ficheiros descarregados estaria condenado ao insucesso.

Para além disso, o serviço apenas conseguiu estabelecer acordos com duas das quatro maiores editoras discográficas: Universal Music Group e EMI. Sony Music Entertainment e Warner Music Group ficaram de fora.

E com o SpiralFrog, já são dois os serviços de “downloads ilimitados” de música com DRM – que na verdade não passam de meros alugueres – fecham as portas: no mês passado foi a vez do Ruckus, um serviço de subscrição dirigido a estudantes universitários norte-americanos. Outro que também está meio congelado é o QTrax.

Agora a coqueluche do momento para a indústria discográfica parece ser o sueco Spotify que proporciona uma experiência semelhante ao iTunes a partir de um cliente próprio que emite música a pedido. Só que ao colocarem tanto ênfase neste serviço, as editoras esqueçem-se que apenas alguns utilizadores residentes em determinados países o podem utilizar e que o streaming não compensa o download, a possbilidade de levar a nossa música para todo o lado. Não admira por isso que os sites de partilha de ficheiros continuam a constar da lista dos mais populares do mundo.

Actualização: como já se previa, uma fonta próxima da empresa disse à CNET que a tecnologia de DRM do SpiralFrog concebida para impedir a cópia não autorizada deixará de permitir que as músicas descarregadas deixem de poder ser reproduzidas num prazo de 60 dias. Apesar da música ter sido descarregada de borla, não deixa de ser mau negócio…

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1 Eduardo 22 de Março de 2009 às 2:49

Isso é mau… Tenho bastante música de lá.

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2 Filipe Marques 22 de Março de 2009 às 20:08

Mesmo assim, ainda se aguentaram 3 ou 4 anos. Mas estavam a fazer demasiadas coisas mal.

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