Sociedade que representa compositores britânicos lança site de propaganda contra o Youtube

by Miguel Caetano on 26 de Março de 2009

Se querem ter realmente noção de até onde é que vai o grau de incompreensão da Internet e das novas plataformas online por parte dos compositores aconselho-vos a visitar o Fair Play For Creators, um site recém-lançado pela Perfoming Rights Society (PRS), a sociedade de gestão colectiva de direitos de autor que representa supostamente os direitos dos compositores britânicos e que no início do mês levou a YouTube a remover milhares de videoclips pertencentes a artistas de terras de Sua Majestade.

A decisão do site de partilha de vídeos foi o resultado de um processo falhado de negociações entre a PRS após esta ter exigido quantias supostamente exorbitantes para a renovação do seu contrato de licenciamento e se ter recusado a divulgar o nome dos artistas e das músicas que seriam abrangidos pelo novo acordo.

O Fair Play For Creators visa funcionar como arma de pressão no sentido de convencer a subsidiária do Google a integrar de novo os vídeos removidos no seu site e a obrigá-lo a aceitar conceder um montante de royalties aos compositores que seja no seu entender “justo”.

Mas quem navegar pelo site verificará que a maior parte dos depoimentos pertencem a vedetas como Robbie Williams ou a dinossauros da indústria musical como Pete Waterman (um dos homens por detrás de grandes sucessos dos anos 80 como Rick Astley), Bjorn Ulvaeus dos ABBA (o mesmo que acusou recentemente os apoiantes do Pirate Bay de serem forretas e preguiçosos) ou mesmo Mark Kelly, teclista dos Marillion. O famoso apresentador da BBC Jools Holland também aparece lá pelo meio.

O que estes personagens têm em comum é um certo ressentimento para com tudo o que tenha a ver com a Internet e uma total incapacidade de abstrair o YouTube da sua empresa-mãe Google. Lá porque esta se farta de ganhar dinheiro com a publicidade paga nas pesquisas do seu motor de busca e tenha pago 1,65 mil milhões de dólares em 2006 pela YouTube, não quer dizer que o site de partilha de vídeos seja uma mina de ouro. Longe disso.

O que acontece é que neste momento, essa é a melhor forma de promoção das obras que têm à sua disposição. Pedir mais do que isso é demais. Mas a PRS e os seus associados parecem querer ambas as coisas: a promoção e uma dinheirama em royalties. Agora, arriscam-se a ficar sem ambas as coisas.

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