Provavelmente os leitores brasileiros do Remixtures não conhecem a música “Sobe, sobe, balão sobe.” É natural. A música cantada por Manuela Bravo ganhou o Festival RTP da Canção de 1979 aqui em Portugal tendo representado o país no Festival Eurovisão da Canção desse mesmo ano. No final, saiu-se com um medíocre nono lugar.
Hoje em dia, com as vendas a continuarem a descer, Manuela Bravo bem que podia lançar uma música chamada “Desce, desce, CD desce.” Embora a cantora não tenha actualmente editora, sempre poderia gravá-la em nome próprio. Isto foi aliás justamente o que fez com o seu disco de 2004 Este Braço Que Sou. Sempre são uns eurozitos a menos no bolso de alguns intermediários.
Isto porque os números da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) não dão sinais de uma reanimação a curto prazo do mercado discográfico português. Só no ano passado a descida das vendas em suporte físico e digital foi de 11,5 por cento: de 44,5 milhões de euros em 2007 para 39,3 milhões de euros em 2008.
Os dados agora revelados à agência LUSA pelo presidente da AFP Eduardo Simões não são propriamente uma novidade absoluta. No início de Fevereiro o responsável da associação das maiores editoras discográficas portuguesas já tinha divulgado números preliminares que apontavam para uma queda de dez a 12 por cento da facturação.
Mesmo assim, desta vez ficamos a saber que três desses 39,3 milhões de euros dizem respeito a receitas geradas pelo sector digital. E de facto, venderam-se mais toques para telemóveis e downloads via Internet do que em 2007. Só que a taxa de crescimento começa a dar sinais de abrandamento: de 2,1 milhões em 2006 para 2,6 milhões em 2007 e agora estes três milhões. Sinal mais claro de que os toques já deixaram de ser a grande galinha de ovos de ouro não me parece haver…
Perante este cenário em que os CDs continuam a ser o grande ganha-pão das editoras – 36 milhões de euros e 6,3 milhões de unidades -, o que resta a uma entidade que representa os interesses dessas empresas privadas se não queixar-se novamente do “zézinho”, vulgo, o fã de música que gosta de descarregar as músicas via sites e redes de partilha de ficheiros antes de pagar pelo CD?
Pois foi precisamente o que Eduardo Simões fez:
Para o director da AFP, Eduardo Simões, este cenário de quebra está directamente relacionado com a pirataria de música na Internet, embora não se possa descurar “o ambiente económico depressivo”.
“O download ilegal é um crime e tem sido relegado para terceiro plano pelo governo e pelas autoridades. Há gerações que não compram música, só fazem downloads pela Internet e há um trabalho que está ainda por fazer”, lamentou Eduardo Simões.
O presidente da AFP bem tenta impingir mais uma vez a ideia de uma resposta gradual para expulsar os partilhadores mas até agora o governo não tem passado muito cartão. Esperemos que continue assim. Porque os direitos e liberdades fundamentais dos indivíduos não devem ser sacrificados apenas para o benefício corporativista de uma associação privada que representa empresas que demonstram uma total incapacidade para lançar acções de marketing online e offline realmente inovadoras.
Deixo-vos com esta pequena curiosidade que demonstra que já não faz qualquer sentido – se é que alguma vez fez – falar de uma indústria da música em Portugal: O Homem que Sou de Tony Carreira, o disco mais vendido do ano passado, apenas vendeu 37 mil exemplares, tendo sido lançado somente em Novembro de 2008! Desce, desce, CD desce…
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A resposta a isto por parte destes agentes culturais está, em Portugal, por exemplo, no recentemente anunciado espectáculo Here and Now – The very Best of the 80's no Pavilhão Atlântico, em Maio, cujo promotor é a Sony Music Entertainment Portugal
Hehehe. Quando já ninguém mais novo compra música, a única opção é lucrar com a nostalgia burguesa dos quarentões de classe média
Miguel, desculpa lá mas, que entendes tu por, e cito:
"Porque os direitos e liberdades fundamentais dos indivíduos não devem ser sacrificadOs"?
Podias esclarecer, sff?
Abraços
MAS
Marco, se te referes ao O de "sacrificadOs" foi uma gralha
Quanto ao resto, o corte da ligação à Internet já foi várias vezes criticado pelo Parlamento Europeu bem como pela Comissão Europeia que consideraram que o acesso à Internet e a um computador são direitos fundamentais que não devem ser retirados como forma de sanção e que se tratam de medidas desproporcionais.
Ok. Obrigado
Abraços
MAS
Por mim os CD´s estão condenados a desaparecer, eu também era desses, que à alguns anos atrás, só por causa de uma faixa comprava um CD completo.
Pois bem, esses dias acabaram, pois nunca mais comprei um cd que fosse, digo isto porque agora posso escolher livremente onde quero comprar as músicas em sites LEGAIS, ainda melhor fora de Portugal, via download em formato mp3 e a preços muito baixos, para os mesmos artistas. É curioso esta dos preços, para os mesmos artistas… numa grande compra poupamos muito.