
Ao longo dos últimos anos, a Optimus tem vindo a tornar-se numa das grandes empresas portuguesas que mais aposta na música nacional e isto tanto offline como online. Com a sua mais recente aposta neste mercado, a operadora de telecomunicações do Grupo Sonae demonstra ainda mais que é a única que tem uma visão a longo prazo do sector.
Mesmo eu, que não me considero um grande paladino da música portuguesa – ao contrário de muitos, não consigo gostar de uma banda ou de um artista só porque ele(a) residem no mesmo país que eu; a música é uma arte que tem mais a ver com a partilha de estados de espírito e emoções universais do que com factores identitários tradicionais como língua, etnia, raça, etc. -, estou a pensar descarregar os 18 EPs em formato digital de talentos semi-desconhecidos do grande público que a Optimus irá disponibilizar de borla já a partir de Abril no seu portal de música.
Estou a referir-me à Optimus Discos, um híbrido de editora de música online e plataforma de divulgação de discos comercialmente inéditos. Apesar de não ser propriamente original em termos internacionais, a ideia tem tudo para dar certo para ambas as partes – operadora e bandas participantes – porque conta com o dedo de alguém muito experiente nesta área e uma das pessoas da comunicação social tradicional que mais tem feito para promover a música portuguesa dentro e fora de portas. O perfil de Henrique Amaro, o popular locutor de rádio da Antena 3, adequa-se de facto que nem uma luva a este projecto.
Henrique Amaro tornou-se uma referência indiscutível, um “curador”-editor cuja marca pessoal chega a ser mais poderosa do que a da própria estação que o emprega. Desta forma, ao escolher uma pessoa como ele – em entrevista à agência LUSA Amaro diz que foi ele o responsável pela ideia mas não acredito que tenha sido bem assim
-, a Optimus está a oferecer aos fãs de música um cunho de garantia de qualidade ao projecto que uma marca impessoal e destinada ao mercado de grande consumo não poderia por si só assegurar.
E ao apoiar esta iniciativa, a Optimus deixa assim mais uma vez o seu nome associado a música grátis. O que eu achei mais interessante nisto tudo é que o plano passa por lançar posteriormente CDs de edição limitada a 500 exemplares por um preço de 4,95 euros a serem comercializados nas lojas da FNAC. O digital não tem limites de reprodução mas o suporte tradicional em formato físico é um bem escasso que acarreta inevitavelmente custos.
O único defeito que tenho a apontar é que o projecto poderia prever a disponibilização posterior de uma box-set especial contendo todos os 18 EPs e alguns extras adicionais como documentários com entrevistas a todos os elementos das bandas participantes. Penso que um artigo de luxo desse tipo seria uma razão suficientemente forte para levar as pessoas a pagar bom dinheiro. Segundo o Blitz, os primeiros seis EPs serão dos Madame Godard, The Pragmatic, Tijuana Bibles, DJ Ride, Tó Trips + Tiago Gomes e The Bombazines.
Um sinal de que a aposta da Optimus na música portuguesa é para levar a sério é que poucos dias depois do anúncio da Optimus Discos, a operadora anunciou o lançamento de uma edição limitada de dois telemóveis dedicados aos Xutos & Pontapés.
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