O jornal enquanto editora discográfica

by Miguel Caetano on 8 de Março de 2009

Que um jornal disponibilize aos seus leitores uma compilação de melhores êxitos de vários artistas ou de uma banda de música independente não é algo propriamente novo. O mesmo é válido em relação a discos de originais de artistas veteranos como Prince ou os portugueses Delfins. Mas o que dizer quando um diário decide dar de borla um disco de originais de uma banda acabadinha de formar?

Bem, no caso do CD que o diário britânico The Independent incluiu na sua edição de ontem, não se trata propriamente de um grupo de estreantes imberbes mas sim de um verdadeiro supergrupo de Hip-hop composto por elementos de algumas das principais bandas da cena Pop britânica contemporânea. 

Os Mongrel são formados por elementos dos Arctic Monkeys (Andy Nicholson e Matt Helders, respectivamente ex-guitarra baixo e actual baterista da banda), Babyshambles (Drew McConnell, guitarrista do grupo) e Reverend and The Makers (Jon McClure e Joe Moskow). O grupo conta ainda com a participação de Lowkey, um rapper de ascendência britânica e árabe

Em declarações ao The Independent, McClure argumentou que a decisão dos Mongrel de oferecer o álbum Better Than Heavy aos leitores do jornal se ficou ao dever à redução das vendas de discos e consequentemente das receitas dos artistas:

Temos que enfrentar os factos: os miúdos vão sempre acabar por descarregar e roubar as músicas. Isso nunca nos chateou particularmente. O dinheiro pode vir dos concertos ao vivo mas o que é mais importante é fazer com que a nossa música chegue às pessoas

Tendo em conta que a circulação diária do The Independent ronda os 215 mil exemplares, McClure não deixa de ter razão. De forma a fazer com que o álbum chegue às lojas de música fora do Reino Unido, os Mongrel pretendem ainda editá-lo posteriormente em formato digital e físico através de uma parceria com a Wall Of Sound, uma subsidiária da editora independente PIAS.

Apesar de neste caso não estarmos propriamente de um grupo de desconhecidos, a ideia dos jornais se converterem em editoras de música na acepção de curadores/seleccionadores de novos talentos parece-me ser bastante interessante para uma indústria que tenta desesperadamente conquistar leitores na faixa etária entre os 18 e os 34 anos. Esperemos é que da próxima vez os escolhidos sejam mesmo totalmente desconhecidos do grande público ;-)

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1 Nuno Miguel 8 de Março de 2009 às 15:26

Tozé Brito, lê e aprende!

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2 Filipe Marques 8 de Março de 2009 às 15:29

Achas que o jornal tem a ganhar com a distribuição de um álbum gratuito de uma banda desconhecida? Será o "factor grátis" suficiente? E as despesas de produção dos discos, ficam com quem? Isto porque até me parece fazer sentido um jornal investir nisso se souber que vai valer a pena (aumento de circulação, das receitas publicitárias)… mas com uma banda desconhecida… será o "factor grátis" suficiente?

O que te parece?

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3 Miguel Caetano 8 de Março de 2009 às 15:50

Talvez não grátis. Mas e se o preço for realmente baixo, isto é, entre 2 a 3 euros? Aí eu acho que poderá valer a pena. Ou em contrapartida, o jornal poderia aumentar o preço de venda para 5-6 euros e passar também a incluir livros originais de escritores desconhecidos ou menos conhecidos do grande público. Aí seria um pacote três ou mesmo quatro-em-um ;-)

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4 Filipe Marques 8 de Março de 2009 às 17:39

Mas nesse caso, os benefícios em termos do aumento de leitores (e, consequentemente, do de anunciantes) diminuem porque o "factor 2 a 3 euros" é muito menos chamativo que o gratuito. Claro que também ganham entre 2 a 3 euros por cada unidade… mas o número de unidades vendidas é pouco previsível. Para além disso, será que, mesmo que vendam tudo, compensa a receita publicitária "que não ganham" (estou a entrar por terrenos pantanosos; pareço um manda-chuva de uma editora, a pensar assim…) por oposição ao modelo gratuito? Eu acho que não. Em teoria e para mim enquanto consumidor, parece-me uma excelente ideia. Na prática, não sei se resulta.

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5 Nuno Miguel 8 de Março de 2009 às 16:28

Tozé Brito, se por acaso andas por aqui no Twitter, lê isto e aprende qualquer coisa: http://tinyurl.com/bnzb7c

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6 Miguel Caetano 8 de Março de 2009 às 21:21

Não estou por dentro da economia de custos dos jornais impressos em papel. Mas creio que neste caso nada melhor do que aplicar na prática ;-) Uma solução para resolver esse problema que colocas poderia passar por lançar uma plataforma de promoção de novas bandas ou mesmo estabelecer uma parceria com uma já existente em que os grupos mais populares em determinados estilos musicais tivessem direito a ver o seu disco distribuído pelo jornal. Assim não seria um tiro no escuro para a empresa do jornal mas também não seriam propriamente os mesmos nomes de sempre.

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7 Filipe Marques 8 de Março de 2009 às 21:27

Assim já gosto mais… :)

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8 Miguel Caetano 8 de Março de 2009 às 23:01

Ainda bem :-)

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