
Experimentem utilizar uns auscultadores com comando incorporado fabricado por terceiros a um novo iPod Shuffle e verão que não irão conseguir controlar o leitor de MP3 de modo a parar, saltar, avançar ou recuar a música em questão. Não se trata de um mero “defeito de fabrico”, mas sim de uma restrição integrada no mais recente modelo da linha iPod da Apple, lançado na quarta-feira passada.
Para além de um disco rígido com espaço de alojamento para 4 Gigabytes, um tamanho equivalente a metade do seu antecessor, uma bateria com capacidade para 10 horas de duração e uma funcionalidade VoiceOver que recita os menús e o nome das músicas e dos artistas, o novo Shuffle vem sem quaisquer comandos pelo que passa a ser exclusivamente controlado pelos auscultadores.
Tudo estaria bem – ou nem tanto, tendo em conta a péssima qualidade dos auriculares da Apple… -, se os utilizadores pudessem continuar a usar os auscultadores normais que já usavam anteriormente. Só que segundo o iLounge, nem mesmo os headphones que já têm comandos embutidos são compatíveis com o novo leitor de MP3. Isto deve-se a um chip de autenticação da Apple de um milímetro quadrado que todos os auscultadores devem incorporar de modo a poderem controlar o leitor de MP3. O mesmo sucede com todos os auto-rádios e sistemas de alta fidelidade, a menos que se use um adaptador de comando à distância.
É claro que os fabricantes independentes de acessórios para o iPod Shuffle podem sempre fazer reverse engineering do interface. Mas será que podem mesmo? A verdade é que, de acordo com Fred von Lohmann da Electronic Frontier Foundation (EFF), a lei de direitos de autor de 1998 Digital Millenium Copyright Act (DMCA) criminaliza este tipo de práticas. No caso do chip estar encriptado, isto dá praticamente carta branca aos advogados da marca da maçã para processarem tudo e todos que tentem fazer “brincadeiras” dessas.
Ao mesmo tempo, a Apple pode assim começar a cobrar licenças pesadas a todos os fabricantes terceiros para que possam produzir auriculares compatíveis com o iPod Shuffle. Um dos primeiros modelos compatíveis foi lançado pela Klipsh. Mas mesmo que a Apple acabe por integrar o chip nos headphones de futuros iPods e iPhones, à partida os utilizadores não serão muito afectados uma vez que estes dispositivos são comandados por ecrã táctil ou via clickwheel. Este é, no entanto, um sinal óbvio que a marca da maçã continua a explorar todas as oportunidades para esmagar a concorrência e dominar o mercado em troco da maior “conveniência” que os seus artigos oferecem. Ao contrário da EFF, não acho que se trate bem de um tipo de DRM mas mesmo assim é bastante preocupante.
(foto de A. Hermida segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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{ 8 comments }
Preocupante é favor!!
Começa ser as empresas ditar todas as regras e nunca o consumidor!
Sociadade começa a cheirar mal e o governo esta podre!…
Cada vez se ve mais atentados a liberdades dos povos,mas será que não ninguém que veja o mesmo que os utilizadadores/consumidores da internet conseguém ver!
Eu pirateio tudo o que posso… mas pago Raves,concertos etc
Acho que ja dou minha ajuda na divulgação,e ir la ve los ao vivo e a cores!
É! A Apple vende essa imagem de conforto, design elegante, acessibilidade e facilidade de utilização mas depois acaba por criar autênticos jardins murados que impedem os seus utilizadores de lá sair. Quem é que gosta de estar preso num condomínio fechado, por mais belo e majestoso que ele seja?
não se deve culpar a apple cuja filosofia foi sempre a de ter hardware próprio – não só o "design"; mais do que intenção de controlo, penso que é uma forma de aumentar proveitos: não me admirava se daqui a "instantes" novos modelos de "phones" com a marca da maçã aparecessem a integrar mais tecnologia.
Quanto ao "reverse engeneering" pelo menos na UE é admitida desde que sirva para estudar o sistema e permitir a interligação a produtos novos…
Não sei se na União Europeia continua a ser assim. Acho que a directiva IPRED2 ainda não entrou em vigor mas o objectivo desta proposta era justamente criminalizar o reverse engineering…
não duvido que tentem implementar e transpor a referida Directiva; mas para já, no sosso País, valem os artigos do DL 252/94 de 20OUT (principalmente o 7.º – descompilação).
Só um pequeno pormenor: onde se diz "com espaço de alojamento para 4 Gigabytes, um tamanho equivalente a metade do seu antecessor", devia estar "equivalente ao dobro do seu antecessor", certo? O iPod Shuffle anterior tinha modelos de 1 e 2 GB.
Uma coisa é espaço de alojamento em disco, outra são as dimensões e o peso. É disso que eu estou a falar…
Oops, certo. Ao ler a frase pareceu-me que aquele 'tamanho' dizia respeito ao espaço de alojamento, mas foi erro meu. Peço desculpa!
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