Apesar de ter escolhido uma série de advogados próximos da RIAA para lugares-chave do Departamento de Justiça, Barack Obama parece agora ter feito marcha-atrás ao nomear Julius Genachowski para presidente da Comissão Federal das Comunicações (FCC).
A escolha deste defensor do princípio da neutralidade da rede para chefiar a entidade reguladora do mercado das telecomunicações norte-americano não é propriamente uma surpresa uma vez que começaram a surgir rumores nesse sentido logo antes da tomada de posse.
Contudo, para que Genachowski passe a desempenhar as novas funções a sua nomeação precisa primeiro de ser confirmada pelo Senado dos Estados Unidos. A escolha deste co-fundador de várias incubadoras de startups (Launchbox Digital e Rock Creek Ventures) para presidente da FCC não será certamente alheia ao facto de ter sido colega de curso na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard entre os finais dos anos 80 e início dos 90.
Para além disso, ele foi não só um dos principais financiadores em nome individual da campanha de Obama à presidência – contribuíu com mais de 500 mil dólares em doações – mas também conselheiro em assuntos de tecnologia da campanha, tendo nessa condição sido um dos autores do Plano de Inovação e Tecnologia da candidatura.
Essse documento estabelece como prioridade para a futura presidência o objectivo de garantir “a partilha total e livre de informação através de uma Internet Livre e de Órgãos de Comunicação Social Pluralistas.” Sinais mais do que evidentes que estamos perante alguém que considera que todos os tipos de tráfego online devem ser tratados da mesma forma pelos operadores da Internet, independentemente do conteúdo, destinatário ou remetente.
Genachowski, que já trabalhou na FCC entre 1994 e 1997, deverá assim provocar algumas dores de cabeça às empresas de telecomunicações e em especial às operadoras de cabo como a Comcast que gostam de reduzir a largura de banda disponível para os protocolos de P2P como o BitTorrent. Apesar do anterior presidente da FCC Kevin Martin ter apoiado uma decisão que concluiu que aquele ISP tinha agido de uma forma incorrecta, muitas organizações de defesa dos interesse dos cidadãos e dos internautas acusaram frequentemente Martin de ser conivente com os interesses das telecoms.
O mais estranho, contudo, é que a nomeação de Martin foi tanto saudada pela Public Knowledge e pela Free Press – as ONGs que apresentaram queixa à FCC contra o traffic shaping da Comcast em relação aos torrents – como pela Comcast. Como é que alguém pode gerar tanto unanimismo em seu torno é que não se consegue perceber…
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Obama nomeia defensor da neutralidade da internet para a presidência do órgão central de comunicações dos EUA http://tinyurl.com/b9uvkt
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