
Mais uma do departamento dos artistas que ficaram parados no tempo e que decidiram correr em auxílio das suas editoras. Desta vez trata-se de Neil Young. O rocker canadiano de 63 anos veio agora defender a sua editora Reprise Records e a empresa-mãe Warner Music Group por no final de Dezembro esta ter abandonado as negociações com a Google com a vista à renegociação do contrato de licenciamento de vídeos com músicas dos seus artistas no YouTube.
Em consequência disso, o YouTube começou a remover ou a cortar o som aos clips de temas originais dos artistas da Warner – entre os quais o próprio Neil Young -, bem como de remisturas e de versões filmadas pelos fãs. Quem não ficou nada satisfeito foram os utilizadores do site que fizeram questão de publicar vídeos protestando tanto contra o YouTube como contra a Warner Music.
Contudo, numa entrada publicada recentemente no seu blog Neil Young disse que a Warner Music está a ser discriminada por ter sido a primeira das quatro grandes editoras discográficas a assinar um acordo de licenciamento com o YouTube que envolveram o pagamento de montantes substancialmente inferiores ao que o site de partilha de vídeos concedeu posteriormente às outras majors.
Na sua opinião, o YouTube é a nova rádio. Só que ele comete um lamentável mal-entendido quando tenta aprofundar essa analogia:
A rádio deu a conhecer música nova às massas e desempenhou um papel crucial em todos os novos lançamentos, concedendo uma remuneração idêntica a cada artista e editora. Uma vez que a YouTube concedeu a algumas editoras melhor acordos do que a outras, o Gigante dos Media está a tratar os artistas de uma forma desigual, dependendo de cada editora a que eles se encontram ligados.
É aqui que a bota não bate bem com a perdigota porque o que ele diz só pode ser fruto de um grande equívoco. Na verdade, até hoje as rádios tradicionais norte-americanas que transmitem via FM e AM continuam a não pagar quaisquer royalties às editoras discográficas e artistas pelos direitos conexos relativos à reprodução pública de música gravada em disco porque continua a vigorar a interpretação segundo a qual a rádio contribui para vender mais discos. Tal não é o caso dos compositores que têm direito a receber royalties das estações de rádios.
Mas extrapolando este argumento devemo-nos então interrogar porque carga de água é que a Google tem que pagar alguma coisa às editoras e aos artistas pela inclusão dos seus vídeos no site? Afinal de contas, não estamos a falar também de uma extraordinária máquina de promoção capaz de gerar um aumento nas vendas de bilhetes para concertos ou mesmo de discos? As editoras deviam era dar graças a todos os santinhos por a Google ter sido tão generoso em aceitar dar-lhes dinheiro quando a empresa não tinha qualquer obrigação legal nesse sentido.
Neil Young termina o seu recado alertando para a necessidade de regras aceites por todos os agentes da indústria de Internet e da indústria discográfica no sentido de recompensar os artistas na Web. Não obstante isso ser verdade, tal não implica que o YouTube seja obrigado a dar o dinheiro que não tem – apesar das inúmeras tentativas de monetização o site de partilha de vídeos continua a não dar lucro…
Porque afinal de contas, quem sai prejudicado com a remoção dos vídeos são os próprios artistas da Warner Music porque os fãs se sentem menos tentados a criar obras derivadas como mashups e remisturas que por sua vez contribuem para aumentar a popularidade de um vídeo. Será que tal como no caso do P2P são preciso quinhentos estudos que demonstrem que os utilizadores que ouvem música nova através do YouTube acabam por gastar mais dinheiro com música? Quanto a esta mensagem de Neil Young, prefiro acreditar que se tratou de um mero frete encomendado pela WMG ao músico do que uma iniciativa fruto da sua própria vontade.
(foto de phnk segundo licença CC-BY-NC 2.0)
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{ 1 comment }
youtube tem publicidade nos clips.. ads.. ou la que isso.. por isso ganha dinheiro com os videos la colocados..
Agora se é ou não obrigado pagar aos xulos isso já outra questão..
hasta
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