“100 por cento grátis! 100 por cento legal!”. Sim, mas também 100 por cento de probabilidades de levar com um processo de uma das quatro maiores editoras discográficas em cima! A nova sensação musical no mundo da Web 2.0 das últimas 48 horas dá pelo nome de Muziic e consiste num software para o Windows que combina o interface de um leitor de música como o iTunes – se bem que com um design mais desengonçado e atabalhoado… – com a vastíssima base de dados do YouTube.
A ideia não é propriamente original; vários serviços de streaming de música utilizam a API do site de partilha de vídeos da Google como motor dos seus sites removendo ou ocultando o leitor de vídeo. O primeiro foi o Songza, Mais recentemente surgiu o Mixtube, um site baseado no Muxtape que permite igualmente a partilha de playlists. Por fim, já em Janeiro deste ano surgiu o Jogli, um serviço que permite pesquisar e navegar por álbuns de artistas com base nos videoclips alojados no YouTube.
A grande diferença é que o Muziik disponibiliza as músicas do YouTube a partir de um programa próprio. E depois existe o pequeno grande pormenor da aplicação ter sido desenvolvida por um adolescente de 15 anos de seu nome David Nelson. Quem deu a dica foi Matt Rosoff do Digital Noise.

Mas a YouTube parece não ter gostado lá muito da ideia de uma aplicação que quase oculta o leitor de vídeo do seu serviço. Em declarações a Greg Sandoval da CNET, um porta-voz da empresa afirmou que aquela era a primeira vez que tinha conhecimento do Muziic mas que tudo levava a crer que o serviço violava os termos da API da companhia.
Um dos requisitos que a YouTube impõe para que programadores independentes façam uso da sua API é que todos os serviços derivados continuem a incluir o vídeo. No caso do Muziic, embora o leitor de vídeo esteja incluído no programa o tamanho da janela é tão reduzido que quase que nem se vê. O resultado é que todos os anúncios em suporte de vídeo incluídos nos clips passam quase totalmente despercebidos.
Assim, embora os artistas e outros titulares de direitos continuem à mesma a receber royaylties com base no número de vezes que as suas músicas forem reproduzidas, a verdade é que tanto eles como o YouTube acabam por ver navios do dinheiro que poderia advir da publicidade incluída nos videoclips. O que isto quer dizer é que se o sucesso do Muziic superar o do Songza, MixTube ou Jogli, é bem provável que David Nelson não atinja os 18 anos sem levar com uma acção legal em cima.
O pior de tudo é que para além de permitir a pesquisa de música e a criação de playlists, o programa permite o upload de MP3s e imagens para os servidores da YouTube. Para tal, Nelson criou uma aplicação separada, o Muziic Encoder, que codifica os MP3s dos utilizadores de modo a manter a qualidade áudio dos ficheiros e insere imagens das capas dos discos nos vídeos. Se até agora nenhum serviço ou aplicação baseada na API da YouTube foi alvo de um processo judicial, o Muziic parece ser um bom candidato a tornar-se no primeiro.
Artigos relacionados:
- DropPlay partilha e recomenda vídeos de música do YouTube para o Facebook
- MixTube combina YouTube com Muxtape
- YouTube incorpora links para comprar downloads no iTunes e na Amazon
- Jogli: um motor de busca com 500 milhões de músicas “desviadas” do YouTube
- Farkie transforma streams do YouTube e do MySpace em downloads



{ 1 comment… read it below or add one }
Bem no meu ponto de vista devo considerar o garoto um genio, porque eu uso o programa e aprovo ele é muito bom, leve, acha todas as musicas que eu quero, enfim…veremos o que vai dar esse programa.