
Numa altura em que os fãs de música de todo o mundo sentem nas suas carteiras o problema da recessão económica global e em que a indústria discográfica aumenta a sua estratégia de asfixiamento dos serviços de streaming de música online levando-os a cobrar por aquilo que era até agora grátis, as grandes editoras estão prestes a dar um tiro fatal no segundo pé que lhes restava.
Depois de tanto pressionarem a Apple no sentido de abandonar a política de preço único dos downloads de música em favor de um modelo de preços variáveis, a marca da maçã irá finalmente fazer-lhes a vontade. Segundo o Los Angeles Times, a partir do dia 7 de Abril quem quiser adquirir as maiores novidades musicais do momento terá que pagar 1,29 euros. Ao mesmo tempo e para além do preço actual de 99 cêntimos que se irá manter, algumas faixas de fundo de catálogo e com um menor nível de procura passarão a poder ser adquiridas ao preço de 69 cêntimos.
A nova política tarifária da loja do iTunes foi anunciada pela empresa no início do ano e coincidiu com a decisão de remover a DRM de todas as músicas aí disponíveis para venda. Na verdade, tudo não passou de uma troca-por-troca. A Apple teria direito a acabar de vez com todas as restrições tecnológicas que só estavam a contribuir para prejudicar a sua imagem aos olhos dos consumidores e em troca as quatro grandes editoras teriam a possibilidade de impor os seus próprios termos de venda, tendo em conta indicadores como o nível de procura de uma determinada música ou banda.
Mas se as editoras discográficas pensam que esta medida irá salvar o seu negócio, estão muito enganadas. Na verdade, há muitos executivos com anos de experiência na indústria que consideram que isto apenas irá contribuir para chatear ainda mais os fãs, ainda mais tendo em conta que se trata de um bem cujo preço real é na prática nulo. Sem cometer qualquer ilegalidade, qualquer pessoa pode escutar de borla boa parte das músicas que constam da biblioteca do iTunes a partir de sites como o Imeem, Deezer, MusicMe, Grooveshark ou mesmo YouTube.
É claro que neste momento as majors estão a tentar espremer até ao tutano estes serviços precisamente porque o dinheiro da publicidade não é suficiente para gerar as receitas que elas acham razoáveis – mas que toda a gente considera exorbitantes. Mas isto só irá contribuir para fazer com que as pessoas regressem às alternativas grátis e ilegais, leia-se, Rapidshare, eMule e Pirate Bay.
Por agora não se sabe se a nova política de preços do iTunes irá de algum modo afectar os álbuns que actualmente são comercializados a 9,99 euros. Mas tendo em conta as movimentações anteriores das grandes editoras, é bastante provável que sim. Muito embora ainda não tenha sido desta que elas conseguiram obrigar a Apple a impedir que os consumidores possam adquirir apenas aquelas duas ou três faixas que realmente prestam de um disco, este aumento dos preços das músicas individuais faz com que os álbuns passem a estar mais em conta. E no fundo é isto que elas querem: ressuscitar as vendas de álbuns completos, que foram sempre a sua grande “galinha de ovos de ouro”.
(foto de ☃ segundo licença CC-BY-NC 2.0)
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http://migre.me/fht “Itunes vai cobrar mais por músicas individuais” – (Via Remixtures). Já era, agora é só cobrança! #zigbitencourt
http://migre.me/fht “Itunes vai cobrar mais por músicas individuais” – (Via Remixtures). Já era, agora é só cobrança! #zigbitencourt
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