Os investidores da companhia de fundos de investimento Terra Firma – a empresa-mãe da EMI – não devem ter ficado nada contentes depois quando esta anunciou no início do mês uma desvalorização de metade dos 2,6 mil milhões de euros que gastou com a aquisição da mais pequena das quatro maiores editoras discográficas em Agosto de 2007. Antes mesmo disso, em Setembro do ano passado os investidores tiveram que desembolsar mais dinheiro para evitar o incumprimento pagamento da divída de 2,7 mil milhões de libras (2,85 mil milhões de euros) ao Citigroup.
Medidas urgentes impunham-se e como tal a solução encontrada foi despachar Guy Hands, o actual director executivo da Terra Firma e responsável pela aquisição milionária da EMI, para um cargo quase honorífico. A informação é do Wall Street Journal (via Bob Lefsetz) que acrescenta ainda que Hands vai passar a exercer apenas as funções de presidente do conselho de administração e de director de investimentos. Para o lugar de director executivo vai Tim Pryce, um dos fundadores da Terra Firma.
Mas na verdade, as funções de Guy Hands já tinham diminuído bastante em Junho do ano passado quando ele deixou o cargo de director executivo em favor de Elio Leoni-Sceti, o “homem das limpezas” italiano caçado à Procter & Gamble.
Segundo o The Independent, uma fonte próxima de Hands disse que ele mudou de funções porque pretende dedicar-se mais à administração das companhias detidas pela Terra Firma e em lidar directamente com os seu investidores. Isto porque durante o ano passado ele foi obrigado a participar em mais de 400 reuniões internas.
Mas será que é mesmo assim? A verdade é que como Bob Lefsetz refere, durante uns tempos o financeiro britânico foi mesmo a “melhor esperança da indústria discográfica.” No fundo, muito mais do que uma mera troca de cadeiras esta alteração pode significar o início do fim da EMI e em consequência do sistema das majors:
Guy Hands thought the men running EMI were idiots. They might not have run a tight ship, but the problem wasn’t the executives, it was systemic. The major label model just doesn’t work anymore. One in which you sign a bunch of talent, hoping one act breaks and pays for all your losses. In an era where the dinosaurs don’t even go platinum, there aren’t enough profits to support the house of cards. It’s every band for itself.
(…)
True, Guy Hands knew little of the music industry. But we shouldn’t be laughing as he’s run out of town. For he was the record industry’s best hope. If someone with a ton of cash who’s not beholden to the past can’t make it work, who can?
No one.
Major labels are now just repositories of copyrights, to be traded at cents on the dollar, their upside to be revealed as smoke and mirrors. The new music business is fraught with holes, it’s damn near impossible to make money when you can’t break an act, and when you do everybody steals the product and forgets about your charges moments after their peak, which is akin to a mountain in Minnesota than a Teton.
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