
Uma das dificuldades mais constantes que uma pessoa sente quando se quer embrenhar a fundo nesse maravilhoso mundo das netlabels e do netaudio é descobrir faixas que nos digam algo. Por melhor que seja o trabalho de divulgação e promoção feito por blogs como o BeatsPlayFree, por vezes temos a sensação de sentirmo-nos inundados por música desconhecida. A tal ponto de não sabermos por onde devemos começar.
E que tal começarmos por expormo-nos directamente a uma selecção de música previamente seleccionada por entendidos na matéria? Esta é justamente a proposta da Fresh Hot Radio, uma nova aplicação web concebida em Flash que funciona como um misto de uma rádio online ao estilo Last.fm ou Pandora com um blog de MP3 mas com a particularidade de não termos que indicar qualquer nome de uma banda ou música.
paul keeley & dennis desantis — Ohcen
A ideia é deixar-nos conduzir pelo DJ numa viagem sonora por mares desconhecidos. Nesse sentido, o interface completamente minimalista e no entanto extremamente atractivo da Fresh Hot Radio é bastante apto para essa função. Basta abrir o site num separador do nosso navegador que o leitor começa automaticamente a tocar.
Sempre que não gostarmos daquilo que estamos a ouvir podemos carregar no botão de skip. Se quisermos, podemos ainda interromper a emissão. Por fim, se escutámos uma faixa que captou realmente a nossa atenção, basta clicar no link para descarregar o ficheiro MP3 ou aceder ao site ou página com informação adicional do lançamento. A aplicação inclui ainda o URL da faixa e o respectivo código para inserir o leitor numa página de uma rede social ou blog.
Quem criou a Fresh Hot Radio foi Lucas Gonze. Este homem parece que não pára. Em meados de Janeiro escrevi aqui a respeito do playTwitter, uma aplicação que permite reproduzi directamente música a partir do Twitter. Dois meses depois ele surge com esta aplicação que promete vir a fazer muito para promover a música livre. Como ele explica numa mensagem publicada no blog da associação Creative Commons:
A experiência (da aplicação) segue o modelo da rádio FM. Nós sintonizamos a estação e a música começa, o que facilita a sua utilização e diminui a distração.
(…)
É importante notar que a maior parte das músicas – embora nem todas – se encontra disponível segundo uma licença Creative Commons. O que eu fiz para promover a causa (da cultura livre) foi criar um modelo de aplicação que pode aproximar uma série de música livre totalmente desconhecida dos ouvintes comuns sem que estes se tenham que sentir como se estivessem a comer vegetais cozidos apenas em nome de um bem abstracto.
Agora imaginem se o Lucas Gonze decide criar uma aplicação móvel da Fresh Hot Radio para a plataforma Android do Google. Tenho a certeza que seria um enorme sucesso! Aliás, o interface minimalista da ferramenta é bastante semelhante a outras aplicações de música para telemóveis baseados no Android ou para o iPhone. A única sugestão adicional que eu poderia dar era que ele convidasse outros bloggers especializados em música livre de modo a criarem rádios temáticas especializadas em diversos estilos musicais. A verdade é que quando nós não sabemos o que queremos, a melhor forma de encontrá-lo é navegar sem rumo nem destino até que algo – neste caso, uma música – nos afecte profundamente. Isso acontece exactamente com a rádio.

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