Não foi nem há um ano atrás que a EMI anunciou a contratação de Douglas Merrill, antigo director de sistemas de informação da Google, para dirigir a sua secção de música digital. Na altura, toda a gente ficou surpreendida com a notícia e comentou que se tratava de uma lufada de ar fresco por parte da EMI que assim se mostrava disposta a abraçar alguma da criatividade que a indústria de tecnologia tinha vindo a demonstrar ao longo dos últimos anos – muito a contragosto das grandes editoras.
Mas aparentemente, as coisas não correram lá muito bem pois ontem a editora discográfica anunciou que Merrill vai abandonar a companhia. Por agora, não se sabe muito bem quais foram os motivos que levaram a esta separação mas no memorando interno enviado pelo director executivo Elio Leoni-Sceti aos funcionários a justificação avançada é que a empresa já não precisava de uma unidade exclusivamente dedicada ao digital uma vez que esse sector já representa 20 por cento do total das suas vendas de música.
Mas ou muito me engano ou a estratégia seguida ao longo dos últimos meses pela EMI deve ter desagradado bastante a Merrill, habituada aos métodos “amigáveis” de uma empresa nascida com a Internet como a Google. Nem dois meses depois de Merrill ter assumido as suas funções já a empresa estava a processar o HI5 e o VideoEgg – note-se que este site de partilha de vídeos já tinha por essa altura desaparecido.
Ao mesmo tempo, a EMI decidiu instaurar uma acção judicial directamente contra Michael Robertson, o criador do cacifo online MP3Tunes. Neste caso, contudo, o tiro saiu-lhe pela culatra. Mais recentemente, a EMI chegou mesmo ao cúmulo de perseguir um programador independente apenas por este ter usado uma API do SeeqPod, outro serviço de streaming de música que também é alvo de disputas legais por parte das editoras.
Esta beligerância por parte da quarta maior etiqueta de discos do mundo contra tudo e todos os agentes de inovação no mundo da música online deve certamente ter raízes na cultura interna da empresa que fizeram muito possivelmente com que Douglas Merrill se sentisse como um peixe fora de água, ainda por mais não tendo ele qualquer experiência no campo da música. No final, a única iniciativa que deve ter contado com o seu dedo foi o portal que a EMI lançou no ano passado mas que na verdade não passa de um jardim murado aonde apenas os britânicos podem entrar.
A juntar a isto há também o facto dele ter sido contratado por Guy Hands, então director executivo da Terra Firma, a empresa de fundos de investimento proprietária da EMi. Acontece que Hands entregou a gestão corrente dos assuntos da editora a Leoni-Sceti, tendo mesmo na semana anterior passado a exercer uma função muito menos importante no seio da Terra Firma.
Quem ganhou com a saída de Merrill foi Cory Ondrejka, o antigo director técnico do Second Life contratado em Junho do ano passado, que foi promovido a vice-presidente de Marketing digital. Mas isto não ilude o facto de que Merrill foi na altura da sua contratação considerado por muito boa gente como a última grande esperança para a indústria discográfica. Se ele se foi embora, o que vai ser da EMI agora? Será que o sistema das majors ainda tem futuro? Há quem pense que não…
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Ex-Google Douglas Merrill sai da EMI – conflito de mentalidades?: Não foi nem há um ano atrás que a EMI anunciou.. http://tinyurl.com/d3zoj9
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