Concertos já geram mais receitas que os discos no Reino Unido

by Miguel Caetano on 18 de Março de 2009

A previsão feita pelo economista Will Page da sociedade britânica de gestão colectiva de direitos de autor PRS confirmou-se mais cedo do que ele esperava: em Novembro de 2007 ele afirmou que se as tendências que se estavam na altura a verificar se prolongassem a música ao vivo iria tornar-se numa indústria de maior dimensão que o sector do disco na Grã Bretanha num prazo de três anos.

Usando como base os royalties recolhidos pela PRS relativos aos direitos de execução pública junto dos promotores de espectáculos ao vivo em 2008, Page concluiu que os concertos de música ao vivo geraram 1,28 mil milhões de libras (1,35 mil milhões de euros) contra apenas 1,24 mil milhões de libras (1,31 mil milhões de euros) que as vendas de fonogramas alcançaram de acordo com os dados avançados em Janeiro deste ano pela British Phonographic Industry (BPI), a sociedade que representa os interesses das maiores editoras do mundo no Reino Unido.

Estes números citados pela Billboard foram revelados pelo economista da PRS durante a edição deste ano da Conferência Internacional de Música ao Vivo (ILMC) que se realizou de 13 a 15 de Março em Londres. Segundo a Music Ally, os dados não são no entanto totalmente fidedignos:  no sector de música ao vivo os patrocínios foram deixados de fora, ao passo que o licenciamento digital para serviços como o YouTube foram deixados de fora.

Isto são sem dúvida más notícias para as editoras discográficas que continuam a depender quase exclusivamente das vendas de discos e não conseguem convencer os artistas a assinar contratos de 360 graus que lhes concedem parte das receitas sobre os concertos e o merchandising. Alíás, os dados mais recentes demonstram a crescente importância da música ao vivo.

Na mesma conferência Stuart Galbraith, o director executivo da promotora de concertos Kilimanjaro Live, referiu que Michael Jackson vendeu 800 mil bilhetes só para os 50 concertos que tem marcado para a O2 Arena de Londres. Galbraith referiu ainda que todos os maiores festivais britânicos já esgotaram e que os Take That esperam vir a alcançar receitas na ordem dos milhões de euros só com a venda de bilhetes para a sua digressão de regresso.  Agora contrastem isso com as vendas medíocres de No Line On The Horizon dos U2 – até agora o disco mais vendido do ano – durante a primeira semana nos EUA…

(foto de se71 segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)

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