Britânicos não querem que ISPs imponham restrições aos partilhadores

by Miguel Caetano on 19 de Março de 2009

Esta ideia de suspender ou mesmo cortar o acesso à Internet aos internautas alegadamente apanhados a “sacarem” conteúdos ilegais de sites de BitTorrent pode soar muito bem aos ouvidos de políticos em busca do precioso financiamento dos representantes da indústria discográfica e cinematográfica mas não dará de certeza mais votos.

O mesmo se pode dizer dos fornecedores de acesso à Internet que se querem livrar daqueles clientes indesejáveis que sobre-utilizam a sua largura de banda. A verdade é que medidas como essas acabam quase sempre por resultar numa deserção em massa de clientes para outras paragens menos inóspitas.

Segundo o P2P Blog, o site britânico ISPreview publicou recentemente os resultados de um inquérito realizado junto de 472 indivíduos que indicam que quase todas as restrições aos partilhadores são mal vistas pelos britânicos. Dos inquiridos, apenas 20,7 por cento concordaram que os ISPs deveriam impor restrições ao acesso via P2P como o bloqueio a sites de BitTorrent que facilitam o download de obras protegidas por direitos de autor ou a redução da velocidade de ligação dos utilizadores a protocolos de partilha de ficheiros.

Mesmo assim, a medida que granjeou maior popularidade junto dos inquiridos com 26,9 por cento foi o envio de cartas de notificação adicionais caso a primeira não surtisse efeito – desde o Verão do ano passado que os ISPs britânicos têm em vigor um sistema de notificações postais para combater os downloads ilegais que, por sinal, não tem dado lá muito resultado… O que é mais curioso é que mais de um quinto (22,4 por cento) afirmou que não tinha a certeza de como é que os ISPs deveriam resolver o problema!

Como seria de esperar, as medidas mais drásticas previstas no projecto de lei francês “Criação e internet” não suscitaram qualquer tipo de aprovação junto dos inquiridos: apenas 6,1 por cento disseram concordar com a colocação dos internautas numa lista negra de modo a não poderem estabelecer contrato com nenhum dos ISPs ao passo que 5,2 por cento afirmaram aprovar que o utilizador fosse apenas banido pelo seu ISP actual. Pior ainda, apenas 3,6 por cento foram favoráveis à ideia de ameaçar os clientes com uma multa ou uma acção legal.

O mesmo quer dizer que a ideia de expulsar os partilhadores da Internet é quase tão impopular como a instauração de processos. De qualquer modo, convém desconfiar bastante deste estudo, tendo em conta não só a diminuta dimensão da amostra como também o facto do responsável pelo inquérito se tratar de um site destinado a consumidores de serviços de banda larga e não uma entidade totalmente independente…

(foto de James Morrison segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)

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