Anunciada em Outubro do ano passado, só esta semana é que a coligação de músicos britânicos que dá pelo nome de Featured Artists Coalition (FAC) teve finalmente a sua primeira reunião oficial. Entre os mais de 140 artistas que fazem parte desta entidade que visa defender os direitos dos artistas no sector da música digital contam-se nomes como Billy Bragg, Chrissie Hynde dos Pretenders, Ed O’Brien Radiohead, Robbie Williams, David Rowntree dos Blur, Soul II Soul, Iron Maiden, Annie Lennox, Travis, Kaiser Chiefs, etc.
A avaliar pelas declarações iniciais dos membros da FAC à comunicação social, parece que eles têm algumas ideias muito sensatas mas outras nem por isso. O principal ponto positivo desta coligação é que tudo indica que a maior parte dos seus associados sejam contra todas as medidas no sentido da criminalização de cidadãos comuns acusados de descarregarem música ilegalmente. Foi pelo menos isto que Billy Bragg disse ao jornal The Independent:
Se decidirmos imitar a indústria musical nesse mesmo sentido, não estaremos a fazer mais do que a participar num esforço proteccionista. Seria como tentar colocar a pasta de dentes dentro do tubo.
Os artistas deviam ser donos dos seus direitos e deviam poder decidir quando é que a sua música poderia ser usada gratuitamente ou quando é que deviam ser pagos.
As palavras de Bragg não deixam margem para dúvidas: as editoras discográficas estão a processar os fãs de música em nome de artistas que são contra esse tipo de acções repressivas. Declarações bastante sensatas que nem parecem ter vindo da mesma pessoa que pregou no The Times um autêntico raspanete à Google por, na sua opinião, não estar a recompensar convenientemente os artistas pelos vídeos disponibilizados no YouTube:
A Google, proprietária do YouTube, é uma empresa que ganha milhares de milhões em lucros; pensamos que eles deviam pagar aos artistas royalties das receitas publicitárias que eles ganham.
O artista referia-se assim à recente disputa entre o YouTube e a sociedade britânica de gestão colectiva de direitos de autor PRS que levou o site de partilha de vídeos a bloquear o acesso dos utilizadores britânicos a milhares de vídeoclips musicais. O problema é que Bragg se esquece que as receitas publicitárias geradas através do YouTube não é assim lá muito – aliás, a empresa continua a não dar dinheiro para o Google. Como é que ele vem agora exigir algo que pura e simplesmente é impossível no contexto actual do mercado, com a crise económica global e o desinvestimento generalizado dos anunciantes?
Outros dos visados pelos elementos da nova coligação foram a Nokia e o MySpace. Falando a respeito do serviço de downloads “ilimitados” da fabricante finlandesa de telemóveis e dos acordos assinados com as editoras discográficas, Ed O’Brien dos Radiohead criticou a falta de transparência do processo e defendeu a distribuição de parte do dinheiro para os artistas. Por seu lado, Bragg voltou mais uma vez a criticar a rede social da News Corp., acusando-a de não pagar royalites aos artistas. Há cerca de um ano atrás o cantor britânico tinha igualmente reclamado parte do dinheiro da aquisição da rede social Bebo pela AOL.
Apesar destas críticas não deixarem de ter a sua dose de razão, de certeza que os fãs de música gostariam de ver os seus ídolos a protestarem mais activamente contra as medidas repressivas para combater a partilha de ficheiros.
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POST: Artistas britânicos protestam contra perseguição aos partilhadores mas criticam YouTube http://tinyurl.com/am4qmu
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