YouTube cobra por downloads e renova acordo de licenciamento com Sony Music

by Miguel Caetano on 13 de Fevereiro de 2009

Monetizar, monetizar, monetizar! Em tempos de crise económica global esta parece ser a palavra de ordem da Google em relação ao YouTube. Ontem mesmo, o site de partilha de vídeos anunciou no seu blog oficial que vai passar a autorizar downloads de vídeos mediante um novo programa que dará aos seus parceiros de conteúdos a possibilidade de cobrarem pelos ficheiros o montante que desejarem.

Depois da venda de anúncios nos resultados de pesquisa e da inclusão de links afiliados para comprar downloads de produtos associados na Amazon e no iTunes, esta é a mais recente tentativa da Google de monetizar à força toda um site pelo qual pagou 1,65 mil milhões de dólares em Outubro de 2006 e que se tornou num dos maiores destinos dos internautas da Web em todo o mundo – mais de 100 milhões de visitantes únicos em Dezembro passado – mas que continua mesmo assim a dar prejuízo e a ser atacado por toda a espécie de entidades, em especial editoras cinematográficas e produtoras de vídeo.

Em abono da verdade, trata-se apenas da continuação da experiência interrompida em Agosto de 2007 pela Google no seu Google Videos devido a uma procura escassa e que permitia a compra e aluguer de vídeos. Por outro lado, em Janeiro deste ano o YouTube já tinha começado a testar o download directo com alguns vídeos do canal ChangeDorGov da candidatura de Barack Obama à Casa Branca.

Mas apesar do “sururu” gerado pelo anúncio oficial, por enquanto o programa encontra-se apenas numa fase de testes abrangendo cerca de uma dezena de parceiros entre universidades norte-americanas (Stanford, Duke, UC Berkeley, UCLA e UCTV) que disponibilizam vídeos de algumas das suas aulas de borla e pequenas produtoras de vídeo como Khan Academy, Household Hacker, Ask The Builder e Pogobat que estão a cobrar uma média de 99 cêntimos por ficheiro.

Cada parceiro pode optar por uma série de licenças à escolha: desde uma mais restritiva apenas para fins não comerciais até à mais permissiva, correspondente ao domínio público, passando por três licenças Creative Commons. O pagamento é efectuado via Google Checkout, a plataforma da Google alternativa à Paypal e os ficheiros encontram-se em formato MP4 sem qualquer tipo de DRM – ao contrário do que acontecia com os ficheiros do Google Video – o que significa que os vídeos podem ser transferidos para todo o tipo de dispositivos portáteis.

Tendo em conta que já existem inúmeras alternativas gratuitas embora ilegais para descarregarmos de borla os vídeos do YouTube, parece-me que só muito dificilmente é que a subsidiária do Google será capaz de convencer os utilizadores a pagarem por aquilo que eles já andam há muito a fazer por portas travessas. Ainda se a empresa disponibilizasse downloads de versões com qualidade HD como já começou a fazer via streaming. A verdade é que a YouTube demorou bastante tempo a implementar uma função que outras plataformas como o Metacafe já adoptaram há muito.

Seja como for, o YouTube sempre pode contar com parceiros de peso, o que é uma grande vantagem adicional. E um desses parceiros é precisamente a Sony Music Entertainment que, de acordo com o MediaMemo e o PaidContent, foi a primeira das quatro grandes editoras discográficas a renovar o seu contrato de licenciamento com o YouTube. Recorde-se que em Dezembro passado a Warner Music decidiu interromper as negociações com o site de partilha de vídeos o que gerou uma pandemia de vídeos sem som, quando não removidos.

No entanto, tudo indica que a coisa não saiu barata para o YouTube: para além do pagamento de um montante de alguns milhões de euros adiantados à Sony, o site de partilha de vídeos teve ainda que se comprometer ao pagamento de um montante mínimo de por cada reprodução de clips de artistas com contrato com a Sony e concordar com a partilha de uma determinada percentagem das receitas publicitárias.

Depois disto ficam a faltar renovar o contrato a EMI e a Universal Music, a maior editora discográfica do mundo que já ameaçou lançar o seu próprio site de vídeos embora só no ano passado tenha arrecadado quase 100 milhões de dólares graças ao YouTube.

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