Resposta gradual: indústria discográfica ameaça ISPs irlandeses

by Miguel Caetano on 20 de Fevereiro de 2009

Quando é que as editoras discográficas vão parar com isto? QUANDO? Lá porque conseguiu forçar a Eircom, o principal fornecedor de acesso à Internet irlandês, a aceitar no mês passsado um acordo extra-judicial com vista a cortar da Internet os seus clientes alegadamente apanhados a descarregar ficheiros de músicas protegidas por direitos de autor, agora a indústria do disco achou-se no direito de desatar a ameaçar com processos judiciais os outros ISPs irlandeses que não forem na mesma cantiga.

No início desta semana uma série de operadoras de Internet receberam uma carta enviada em nome da Associação da Indústria Discográfica Irlandesa (IRMA) onde esta entidade exigia que as empresas seguissem o exemplo da Eircom e adoptassem um sistema de combate à partilha ilegal de ficheiros em três etapas. Segundo o jornal Irish TImes (via PaidContent), a IRMA afirmou que a Eircom concordou em bloquear o acesso ao Pirate Bay e outros sites de BitTorrent, pelo que agora quer que os seus concorrentes façam o mesmo.

Quem não o fizer no prazo de sete dias arrisca-se a levar com um processo judicial em cima. Da sua parte, as editoras invocam como precedente judicial uma decisão favorável à IFPI que obrigou três ISPs dinamarqueses a bloquear o acesso à “Baía dos Piratas” e que segundo a entidade representante das maiores editoras discográficas do mundo é igualmente aplicável a todos os fornecedores de acesso da Dinamarca.

Mas daí até dizer que o corte da ligação à Internet dos utilizadores e o bloqueio de trackers de torrents é sustentado pela lei irlandesa e europeia vai um grande passo que não corresponde em absoluto à verdade. Até porque o Pirate Bay ainda não foi considerado ilegal no seu próprio país – quanto mais na Irlanda! – e o julgamento que se encontra a decorrer na Suécia só diz respeito aos três administradores do site.

Como seria de esperar, os ISPs irlandeses estão revoltados com estas ameaças. “Será que a indústria musical pretende transformar-se na censora da Internet?”, perguntou Alex French, director financeiro da Bitbuzz, uma operadora de banda larga móvel.

(foto de MmMmMmMatt segundo licença CC-BY-ND 2.0)

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1 ricardo nunes 20 de Fevereiro de 2009 às 19:39

isto é espantoso, estes senhores acham que estão acima do direito e das leis em vigor, mais, A MPAA e a RIAA acham que podem ameaçar países como se os EUA fossem donos do planeta.

abç

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