Em mais um daqueles estudos bastante sensatos e razoáveis que apenas têm o inconveniente de se limitarem a constatar o óbvio mas que nenhum dos anti-piratas acaba por ligar qualquer importância vá-se lá saber porquê… – os resultados de um inquérito realizado pelo canal de música do ISP britânico Tiscali demonstram que os fãs de música mais apaixonados – aqueles que gastam mais dinheiro na compra de CDs e de bilhetes para concertos – são também os mesmos que descarregam música ilegal da Internet.
O que acontece é que embora sabendo que fazer downloads de música protegida por direitos de autor da Internet é ilegal, eles não se importam com isso. O inquérito foi realizado entre Dezembro e Janeiro junto de mil internautas e contou com o apoio do site de música DrownedInSound. De acordo com os resultados agora divulgados pelo BrandRepublic e pelo ZeroPaid, cerca de 46 por cento dos inquiridos afirmaram usar aplicações e redes de P2P como o BitTorrent e o LimeWire. Contudo, cerca de 53 por cento afirnou ter descarregado ilegalmente música.
Por outro lado, três quatros afirmaram ter conhecimento do carácter ilícito dos dowloads de músicas protegidas por copyright da Internet mas cerca de metade esclareceu que a indústria musical não está a fazer o suficiente para convencê-los de que os descarregamentos prejudicam os artistas e o negócio da música em geral – o que aliás, pelos dados adicionais divulgados pelos estudo, não deixa de ser verdade.
Na óptica dos anti-piratas, o pior mesmo é que apenas seis por cento dos inquiridos afirmaram recear serem obrigados a pagar uma multa, dois por cento disseram ter medo que o seu ISP vigie os seus hábitos de consumo de tráfego e três por cento declararam recear que o seu ISP lhes cortasse a ligação de banda larga.
As boas notícias é que 83 por cento dos inquiridos disseram que continuam a pagar pela música. Mais ainda, 78 por cento respondeu que continua a gastar dinheiro com CDs. Em média, mais de metade dos partilhadores também declarou que continua a comprar CDs. Ao mesmo tempo, apenas uma pequena minoria de 15 por cento respondeu que pretende continuar a efectuar downloads ilegais porque não tenciona pagar.
Um ponto interessante é que 34 por cento dos que responderam ao inquérito afirmaram gastar pelo menos dez libras mensais com música, ao passo que apenas 17 por cento admitiu não gastar nenhum dinheiro.
Apesar de não ter à disposição os dados todos relativos aos resultados deste inquérito, parece-me que as suas principais conclusões apenas concedem ainda mais força às conclusões de um outro estudo encomendado pelo governo canadiano cujos resultados foram divulgados em Novembro de 2007. Mais recentemente, um outro inquérito efectuado junto dos jovens britânicos veio corrobar a tese de que muitos dos partilhadores apenas recorrem aos downloads ilegais para descobrir nova música e experimentarem o som de um disco antes de o comprar ou então porque nunca estiveram de facto interessados em adquirir o original. Quem não entende isso e continua a comparar cada download a uma venda perdida está a desdenhar da inteligência dos fãs de música.
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