OneSwarm: P2P anónimo a partir do navegador da Web

by Miguel Caetano on 25 de Fevereiro de 2009

OneSwarm

Mais cedo ou mais tarde tinha que acontecer. Um grupo de investigadores do Departamento de Informática da Universidade de Washington acaba de lançar o OneSwarm, um cliente de partilha de ficheiros compatível com BitTorrent que funciona a partir de um vulgar navegador da Web com a vantagem de oferecer a possibilidade de criação de redes sociais privadas do tipo darknet de modo a impedir que os olhares indiscretos de organizações representantes de titulares de direitos e fornecedores de acesso à Internet desejosos de reduzirem as suas despesas com largura de banda. Tudo isto mediante uma infra-estrutura de rede totalmente descentralizada e encriptada.

O programa em si consiste numa aplicação servidor de código-fonte aberto e desenvolvida em Java, estando por isso disponível para Windows, Mac e Linux. Contudo, o cerne da acção decorre num navegador comum da Web como o Firefox, Chrome, Safari ou Opera – tudo menos Internet Explorer, como se pode ler na secção de Questões Mais Frequentes do site. Embora o OneSwarm seja retro-compatível com BitTorrent, ele apenas oferece todas as funcionalidades de privacidade, anonimato e segurança adicionais através da sua própria rede.


O modelo de funcionamento da rede do OneSwarm é do tipo onion router – o mesmo empregue pela rede Tor – na medida em que se parece com o da casca de uma cebola: as pesquisas são efectuadas partindo dos amigos mais próximos do utilizador. Caso estes não possuam o conteúdo desejado, eles encaminham os pedidos para os seus amigos de forma a que se espalhem por toda a rede.

Através deste princípio Friend-to-Friend (F2F), a equipa de investigadores da Universidade de Washington pretende contornar um dos principais “calcanhares de Aquiles” das redes P2P tradicionais como o BitTorrent em que as partilhas ocorrem directamente entre desconhecidos. Como os investigadores referem no artigo científico que serve de base à aplicação, o recurso a uma malha difusa de intermediários visa dificultar traçar o caminho seguido entre o remetente e o destinatário.

Deste modo, tanto a forma como os resultados são devolvidos como os ficheiros partilhados é  anónima -  cada máquina ao longo da corrente de amigos apenas tem conhecimento dos seus vizinhos mais próximos. Cada ligação ponto-a-ponto passa por um processo de encriptação conforme ao protocolo SSL.

Outra vantagem do OneSwarm é que ele permite estabelecer uma série de critérios de partilha de dados. Assim, em vez de partilharmos indiscriminadamente todos os ficheiros com todos os nossos contactos, podemos especificar quais os ficheiros que queremos tornar públicos, quais os que queremos partilhar com os amigos e quais os queremos partilhar com apenas um ou dois amigos. Estes amigos podem ser importados a partir de uma rede local, adicionado manualmente através da inclusão da sua chave pública ou importado via Google/GTalk.

Penso que esta é, aliás, o principal atractivo do OneSwarm em relação a outras redes anteriores de F2F como o Peerple, já para não falar nos anteriores Freenet, MUTE ou ANts P2P. Apesar de serem extremamente seguros, estes programas nunca alcançaram uma massa crítica porque nunca souberam tirar partido de redes sociais já existentes. Por outro lado, graças ao suporte de BitTorrent fica muito mais fácil encontrar conteúdos. Convém contudo ter noção de que ao partilharmos torrents deixamos de benefciar dos mecanismos de segurança e privacidade acrescidas que a rede F2F oferece.

Por fim, os programadores do cliente alertam ainda para o facto do OneSwarm não oferecer um anonimato total uma vez que existe sempre a possibilidade de alguém atacar os computadores envolvidos na rede para detectar a origem do ficheiro mas para isso seria necessário interceptar quase todas as máquinas.  Apesar do programa se encontrar ainda em desenvolvimento ele já é capaz de reproduzir em  tempo real uma série de formatos de áudio e vídeo através de um leitor incorporado.Fiquem atentos ao OneSwarm. Ainda vai dar muitas dores de cabeça à indústria de entretenimento e aos ISPs.

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