O Congresso Mundial GSMA Mobile de Barcelona é smpre pródigo em novidades referentes ao sector da música móvel. A edição deste ano que começou ontem, dia 16, e decorre até quinta-feira, dia 19, não é excepção. Uma dessas notícias diz respeito ao lançamento do MusicStation Next Generation, uma nova versão do serviço de música ilimitada MusicStation da companhia britânica Omnifone sobre o qual eu já escrevi aqui.
Em vez de ser dirigido às operadoras e fabricantes de telemóveis – como é o caso do MusicStation que tem como clientes tanto a Vodafone como a Sony Ericsson que o utiliza como plataforma tecnológica da sua subscrição PlayNow Plus -, este novo serviço foi lançado a pensar nos fornecedores de acesso à Internet que estão interessados em livrar-se das despesas que os downloads ilegais via P2P acarretam bem como da perseguição constante das editoras discográficas.
A ideia é permitir aos ISPs a oferta de serviços legais de acesso ilimitado a músicas e videoclips aos seus clientes mediante o pagamento de uma mensalidade a ser acrescentada à conta mensal da ligação de banda larga. Estes serviços poderão ser acedidos tanto a partir de um computador Windows como de um Mac, de um televisor por intermédio de set-top boxes ou mesmo num carro por intermédio de uma ligação 3G do tipo HSDPA.
Mas na verdade este tipo de serviços não é propriamente original. Em Agosto do ano passado a 7Digital apresentou também uma série de soluções de serviços de música digital a pensar nos ISPs mas até ao momento parece que nenhuma empresa quis morder o isco. Mais recentemente, ficámos a saber que a Virgin Media suspendeu o lançamento de um serviço de P2P legal que estava há meses a planear em colaboração com a PlayLouder devido às reservas manifestadas pelas majors.
Neste caso, parece que a Omnifone teve mais sorte pois para além de contar com acordos de licenciamento com todas as quatro grandes editoras discográficas, a empresa conseguiu já arranjar um cliente. De acordo com o The Register e o PaidContent, o fornecedor de acesso à Internet e operador de televisão via satélite Sky deverá ser a primeira empresa a disponibilizar o MusicStation Next Generation.
Contudo, o serviço não será limitado apenas aos clientes da Sky. Isto porque a subsidiária da News Corp. de Rupert Murdoch pretende oferecer um serviço “agnóstico” que mesmos os clientes de outros ISPs britânicos poderão subscrever. Em Julho passado a Sky já tinha anunciado uma parceria com a Universal com vista à comercialização de uma assinatura que combinaria o acesso a um número ilimitado de músicas via streaming com vários pacotes de downloads de um número limitado de faixas.
Apesar dos pormenores agora divulgados serem igualmente escassos, tudo aponta para que não seja nada de substancialmente revolucionário: em suma, uma assinatura de música em que os utilizadores têm direito a descarregar um número ilimitado de músicas sabendo de antemão que as irão perder a partir do momento em que deixarem de pagar a subscrição. Ou seja: desengane-se quem pense que as músicas não irão conter DRMs! Quem estiver disposto a pagar mais, pode comprar pacotes adicionais de MP3s.
Ao contrário da propaganda comercialóide da Omnifone, isto não constitui nenhuma alternativa à pirataria pois as desvantagens são francamente superiores às vantagens. Os utilizadores querem ter o direito de ouvir a música quando quiserem e onde quiserem, independentemente do facto de estarem ou não ligados à Internet de qual o dispositivo que usam para ouvir música.
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