Se os jovens dos anos 60 ficaram para a história como sendo a geração do amor livre, os jovens da primeira década do século XXI vão de certeza ficar conhecidos como a geração da música livre. Infelizmente e em consequência daquelas ironias do destino, vivemos actualmente numa situação em que muitos dos antigos jovens defensores do free love que há muito passaram a usar fato e gravata, sendo hoje em dia muitos deles já pais ou mesmo avôs de “partilhadores”, passaram a perseguir aquio que se transformou no objecto, ou antes, no bem de desejo e prazer dos mais novos dos dias de hoje.
O que esses baby-boomers não percebem é que ilegalizar o download de músicas protegidas por direitos de autor e adoptar todo o género de medidas repressivas para extirpar o mal da raiz como cortar a ligação à Internet dos partilhadores vai contra um hábito que se tornou mais natural para os jovens dos dias de hoje do que fazer sexo.
Esta é precisamente a principal conclusão de um inquérito encomendado pela Marrakesh Records, uma editora britânica de música independente responsável por lançar para o estrelato os The Killers, à consultora de media e entretenimento Human Capital e que contou com a participação de mil britânicos com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos.
Segundo o estudo, enquanto 61 por cento dos inquiridos afirmou estar dispostos a passar uma semana sem praticar sexo, apenas 39 por cento declarou que estaria disposto a abdicar da sua música. A diferença ainda é mais abismal na faixa etária entre os 16 e os 19 anos: apenas 30 por cento sacrificaria a música contra 70 por cento dos que abdicariam de sessões de “trucatruca”.
Se querem mesmo a minha opinião, acho que estes resultados apenas confirmam as tendências que têm vindo a afectar a sociedade nos anos mais recentes. Na verdade, a música oferece um prazer que permite um desprendimento em relação a grandes compromissos e fidelidades que as relações sexuais/amorosas acabam inevitavelmente por implicar – independentemente da forma mais ou menos liberal com que as pessoas assumem essas relações.
Música, sim. Mas de preferência grátis
O facto da música ser tão importante para os jovens britânicos seria teoricamente à partida excelentes notícias para as editoras discográficas não fosse o facto de 63 por cento dos inquiridos terem respondido que já descarregaram ilegalmente música da Internet. Mais significativo ainda é o facto de 70 por cento dos que já fizeram downloads ilegais não se sentirem culpados por isso. Outro dado que deverá fazer muita moça na cabeça dos anti-piratas: 61 por cento acham que não devem pagar pela música que ouvem a partir da Internet.
Mesmo assim existem alguns sinais de alívio na medida em que apenas 43 por cento dos inquiridos afirmaram não ter pago pela sua colecção de música – embora não se perceba bem aonde é que os autores do inquérito queriam chegar com esta questão, uma vez que é possível pagar por música sem que esta seja legal (através de sites russos de MP3 ou mediante a compra de CDs piratas em feiras…). Na faixa etária entre os 16 e os 19 anos essa percentagem sobe até aos 49 por cento.
Aliás, os jovens britânicos parecem preferir os downloads ilegais apenas por uma questão económica na medida em que os inquiridos afirmaram que o preço justo de um CD deveria ser de apenas 6,58 libras (7,44 euros), ao passo que os álbuns descarregados do iTunes deveriam custar 3,91 libras (4,42 euros), sendo o preço recomendado de cada faixa digital de 39 pences (44 cêntimos).
Uma coisa é certa: nunca como hoje a música foi tão popular e ubíqua entre a juventude. A prová-lo está o facto de nos últimos três meses,
- 75 por cento dos inquiridos terem visto um videoclip musical na Internet;
- 70 por cento terem adquirido um CD;
- 62 por cento terem escutado música no seu telemóvel;
- 52 por cento terem pago por um download de música;
- 45 pot cento terem escutado música nas suas consolas de videojogos.
Relacionando estes dados com a massificação dos downloads ilegais, isso quer dizer que os jovens britânicos não consideram o P2P e o Rapidshare como substitutos mas sim como meros complementos da aquisição da versão legal. Nada que nós já não soubéssemos mas é sempre bom recordar.
Outro dado que também não é propriamente novo é que a maioria dos jovens britânicos (67%) representados nesta amostra continua a confiar na rádio para descobrir novas bandas. Contudo, as recomendações de amigos (63%) são também muito populares, mais ainda do que canais televisivos como a MTV (49%), publicações especializadas em música (17%) ou blogs de MP3s (14%).
Quanto aos sites mais usados para ficar a saber de novos sons, o YouTube lidera a lista com 38 por cento, muito acima do MySpace e do site oficial da banda (15%). Facebook, NME – o equivalente britânico ao nosso Blitz -, Last.fm e blogs de MP3s vêm muito atrás com taxas de um único digito.
A conclusão que se pode tirar deste estudo é que embora o CD e a rádio continuem a ser importantes para as gerações mais novas, eles estão drasticamente a perder a importância para suportes online que oferecem mais liberdade e satisfação imediata. Se a indústria discográfica quer evitar o seu descalabro ela terá que baixar drasticamente o preço de venda dos CDs.
(via The Guardian)
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via @remixtures Jovens britânicos preferem música grátis a sexo http://tinyurl.com/dgufld
Não sei por que diabos as autoridades e os empresários acham mais fácil combater um movimento de inteligência coletiva como esse que procurar adequar as leis de direito autoral à essa nova prática cultural.
Enquanto o movimento cresce eles continuam se enganando, achando que é possível barrá-lo. Inês é morta, meus caros defensores da anti-pirataria!
RT @trabalhosujo via @remixtures Jovens britânicos preferem música grátis a sexo http://tinyurl.com/dgufld
«muitos deles já pais ou mesmo netos de “partilhadores”»
Presumo que querias dizer avós.
Sim, sim, claro. Foi uma pequena grande gralha
Vinculo internet em excesso e depressão, http://bit.ly/aoTdK4 esse estudo foi feito com britanicos mais tbm olha esse http://bit.ly/dduDJ2