
O negócio já era esperado há algumas semanas mas só agora é que foi tornado oficial. Depois dos rumores divulgados ontem pelo Wall Street Journal de que o conselho de administração da Ticketmaster, a maior empresa de venda online de bilhetes para espectáculos ao vivo do mundo, e da Live Nation, a maior promotora de concertos do mundo, estavam prestes a aprovar a fusão entre as duas companhias, a confirmação do acordo foi há algumas horas atrás dada por um comunicado oficial.
Com um valor de mercado representando cerca de 2,5 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros), a nova empresa a surgir a partir das duas companhias deverá chamar-se Live Nation Entertainment e contará como director executivo e presidente Michael Rapino (o actual director executivo da Live Nation). O presidente do conselho de administração será Barry Diller que também já desempenhava o mesmo cargo na Ticketmaster. Por sua vez, o director executivo da Ticketmaster Irving Azoff deverá ocupar o cargo de presidente executivo do conselho de administração.
A parte negativa do negócio para os actuais funcionários das duas empresas é que ambas tencionam efectuar reduções de custos no valor de 40 milhões de dólares (31 milhões de euros) durante o primeiro ano a seguir à conclusão do negócio que só deverá ocorrer na segunda metade do ano. O que isto quer dizer é que provavelmente muitas cabeças irão rolar. A nova companhia deverá gerar cerca de 600 milhões de dólares (467 milhões de euros) em receitas ao ano.
A decisão de deixar de fora o nome da Ticketmaster na designação da nova empresa deve-se a uma estratégia deliberada para minimizar a imagem negativa que a marca da bilheteira online tem perante os fãs de música, nomeadamente devido às altíssimas comissões (15 a 50 por cento) que cobra e que fazem inflacionar os preços. Isto quando os bilhetes para os concertos não esgotam logo no instante.
Ticketmaster cobra sempre mais caro – até aos fãs do Boss

E foi exactamente isso o que aconteceu na manhã do dia 2 de Fevereiro quando os fãs de Bruce Springsteen quiseram comprar bilhetes para assistir a um dos concertos da mais recente digressão do Boss. Na altura, a Ticketmaster limitou-se a aconselhar os fãs a comprarem os bilhetes através da TicketsNow, uma subsidiária da companhia. Só que em vez dos 95 dólares (73,80 euros) inicialmente pedidos, os bilhetes tinham passado a custar entre várias centenas de dólares até um valor máximo de dois mil dólares (1550 euros).
Na altura, Springsteen publicou uma mensagem no seu site pessoal a pedir desculpa e a criticar severamente a empresa. O incidente levou mesmo o senador do estado de Nova Iorque Charles Schumer e o congressista de Nova Jersey Bill Pascrell a apelar à entidade reguladora da livre concorrência dos EUA Comissão Federal do Comércio (FTC) a desencadear uma investigação contra a TicketMaster.
Em seguida, Irving Azoff decidiu ele mesmo enviar uma carta aberta ao Boss pedindo desculpas pelo sucedido e prometendo que futuramente os artistas passariam a ter uma palavra a dizer em relação à venda imediata de bilhetes para os seus concertos em sites secundários. A carta pode ser lida no site de Bob Lefsetz. Em declarações à Wired, Barry Diller disse que tudo se ficou a dever a uma falha no sistema de pagamentos dos cartões de crédito da Visa.
Seja como for e independentemente destas polémicas, tudo indica que a nova Live Nation Entertainment a surgir a partir da fusão entre a Ticket Master e a Live Nation deverá ser um osso muito difícil de engolir para as autoridades reguladoras, na medida em que é muito difícil de as convencer que este negócio não irá significar uma concentração excessiva do mercado da música ao vivo – o mais lucrativo de toda a indústria musical – nas mãos de uma única empresa.
Se depender da vontade de Bruce Springsteen, o negócio não irá para a frente. E é bem possível que a administração venha a colocar enormes obstáculos à fusão. Para compreender porquê, aconselho a leitura deste artigo no Coolfer. Uma coisa parece, no entanto, certa: se a fusão se vier a verificar, é bastante provável que os fãs de música na América do Norte e também na Europa passarão a ter que pagar mais pelos bilhetes. Eliot Van Buskirk da Wired vai ao ponto de indicar que a nova empresa poderá substituir o sistema actual de preços fixos por um sistema de licitações bastante semelhante ao que os vigaristas que vendem bilhetes em segunda mão já empregam.
(foto de wonker segundo CC-BY 2.0 e foto de Alex Hempton-Smith segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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