A Força Aérea dos Estados Unidos da América decidiu ajudar a Indústria de entretenimento na sua luta sem tréguas contra a partilha não autorizada de ficheiros protegidos por direitos de autor mas a solução a que os seus engenheiros chegaram deixa muito a desejar.
Basicamente, o Air Force Institute of Technology desenvolveu um dispositivo de hardware que funciona como farejador da rede de BitTorrent. Ao contrário de outros sistemas tradicionais que analisam primeiro o tráfego de rede e só depois obtêm informação sobre os conteúdos de cada ficheiro, este aparelho actua de uma forma automática e passiva na medida em que não prejudica ou interrompe de qualquer modo o fluxo dos dados.
Para tal e segundo a Technology Review, o sistema começa por detectar os ficheiro referentes ao protocolo BitTorrent mediante uma análise dos primeiros 32 bits dos dados do header para depois em seguida calcular a soma hash do ficheiro e comparar o resultado final com uma base de dados de hashes “proibidos”, sejam eles referentes a conteúdos em violação dos direitos de autor (música, filmes, software, etc.) ou pornografia infantil. No caso de haver uma correspondência, o sistema efectua um registo dessa transferência e guarda os endereços IP referentes a ela.
Mas apesar deste leque de vantagens, os defeitos desta solução acabam por ser muito superiores. Assim, embora a tecnologia empregue um chip do tipo Field Programmable Gate Arrays (FPGA) especialmente configurado para esta tarefa de modo a permitir a execução de uma série de funções em simultâneo, ela só é eficaz a uma velocidade máxima de cerca de 100 Mbps, o que nos dias de hoje é manifestamente demasiado lento à escala de um ISP que necessita de um ou mesmo 10 Gbps para monitorizar uma rede.
Para além do mais, caso os ISPs começassem de facto a instalar esta solução nas suas infra-estruturas de redes o mais provável é que eles acabassem por ser processados pelos seus clientes por violação da sua privacidade. Como se isto não bastasse, a solução desenvolvida pela Força Aérea dos EUA não consegue lidar com o tráfego de BitTorrent encriptado, o que já acontece em 25 por cento dos casos. Com efeito, esta funcionalidade já é desde há algum tempo oferecida pelos principais clientes de torrents como o uTorrent ou o Vuze/Azureus. Por último, existe sempre a possibilidade de os resultados se virem todos a revelar falsos positivos.
A verdade é que soluções como esta não são propriamente novas. Como Ross Anderson, um investigador em segurança informática da Universidade de Cambridge, comentou, desde há anos que a Cisco comercializa kits deste tipo ao governo da República Popular da China. São dispositivos como estes que são empregues na “Grande Muralha de Fogo da China” para impedir que os cidadãos tenham acesso a informação de cariz político e revolucionário. Será que o fim das nossas liberdades individuais é o custo que teremos a pagar para reduzir os downloads ilegais e a pornografia infantil?
(foto de digilink segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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via @remixtures Força Aérea dos EUA desenvolve “farejador” de BitTorrent http://tinyurl.com/cccrdx
boas,
interessante artigo como o remixtures já nos vem habituando, apenas um reparo, eu não aconselharia o uso do utorrent uma vez que o código fonte é fechado e como tal não se sabe o que lá estará.
optaria antes por aconselhar os diversos softwares livres que existem e que são multiplataforma e que possuem encriptação, tais como deluge, transmission ou ainda em NIX’s o excelente QBittorrent ou mesmo a versão de terminal rtorrent.
aconselharia ainda ao uso de software de filtragem de ip’s tal como o peerguardian, iplist e moblock.
escrevi sobre isso aqui: http://ovigia.wordpress.com/2009/01/30/dicas-em-defesa-da-liberdade-e-privacidade-dos-utilizadores-da-rede-internet-peerguardian-e-moblock/
abraço
rjnunes
“farejador” de BitTorrent http://tinyurl.com/bh4p8b
Acho que é mais uma tecnologia para fazer os isps perderem dinheiro, tempo de cpu, velocidade e mesmo energia.
Quem conhece o minimo do protocolo IP, sabe que "32 bits" de cabeçalho, não fazem a magia num caso destes. Estamos a falar da necessidade de identificar mais alguma informação do que aquela que foi noticiada.
Por outro lado, sniffing na camada 7(necessaria para identificar bittorrent), mesmo de cabeçalhos, em Gbit, ja consome CPU de uma forma consideravel. Num caso real, em que a velocidade é mt superior a isso, o panorama será muito mais negro.
Depois a patacoada falsa sobre criptografia é interessante. Uma verdadeira função hash de uma variavel X é igual a Y. Seja h(x)=y e h(x')=y' implica SEMPRE que se x<>x' o y<>y' quaisquer x,x',y,y'. Ou seja, para quaquer informação diferente o resultado do hash dessa informação é SEMPRE diferente. Basta mudar 1 bit. Senão, a função hash não é um verdadeira função hash e é inutil em termos criptograficos.
Como é que se faz o hash de 32bits e compara-se com o hash obtido de informação que contem mb ou gb? Essa historia está mt mal contada.