Empresa de música "ambiente" Muzak abre falência

by Miguel Caetano on 12 de Fevereiro de 2009

Numa altura em que as pessoas preferem criar os seus próprios universos sonoros por intermédio de leitores portáteis de música como o iPod ligados a auscultadores, será que ainda faz sentido as empresas pagarem por passar música ambiente em estabelecimentos comerciais, escritórios ou transportes colectivos?

A resposta parece ser não, caso contrário a Muzak não teria esta semana declarado falência. Segundo a Associated Press, a sua dívida está calculada entre 100 a 500 milhões de dólares (entre 78 a 391 milhões de euros). Entre a lista de credores encontram-se todas as quatro grandes editoras discográficas: Universal, Warner, EMI e Sony.

A Muzak ficou famosa por comercializar música composta de propósito para acompanhar viagens de elevador, motivar as pessoas a comprar objectos de consumo, gerar um clima favorável à produtividade dos trabalhadores. Outra marca de toque da Muzak é a música de fundo execrável que ouvem enquanto esperam minutos ou horas para falar com um funcionário de uma empresa.

Uma das principais actividades desta companhia com sede no estado norte-americano da Carolina do Sul consiste em regravar em quantidades industriais versões instrumentais e easy listening de grandes êxitos do Rock e do Pop interpretadas por músicos de estúdio. Mas como eu referi aqui, mais recentemente a empresa dedicou-se a comercializar playlists temáticas.

Mais do que uma companhia, a Muzak deu forma a um estilo de música homónimo que é frequentemente empregue de modo pejorativo para designar toda a “música de elevador”. Do ponto de vista de certos teóricos, este tipo de música pode funcionar como uma autêntica arma de controlo ou “arma dissuasora não agressiva”.

Para além dos iPods que fizeram com que a ideia de música ambiente se tornasse despropositada, penso que outra razão para o declínio do negócio de empresas como a Muzak pode ter a ver com a chegada em força de música livre disponibilizada gratuitamente segundo licenças Creative Commons. Embora a maior parte dos artistas não permita a utilização das suas obras para fins não comerciais, existe sempre a possibilidade do comerciante ou empresário adquirir uma licença para uso não comercial, tal como o serviço que o portal de música livre Jamendo lançou recentemente.

Mesmo assim, é melhor não dar como certo o desaparecimento da Muzak. Apesar da companhia se encontrar tecnicamente em falência técnica (conhecido nos Estados Unidos pelo termo Chapter 11), formalmente trata-se apenas de uma medida para assegurar a reestruturação da Muzak de forma a pagar a dívida.

(foto de teamperks e foto de MrManican segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)

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1 Marcos Azambuja 1 de Outubro de 2010 às 14:55

Aliás, sabia que a Muzak (a empresa que deu origem à série) foi à falência ano passado? http://j.mp/9lnmVY

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