ccMixter: quatro anos a remisturar e a samplar

by Miguel Caetano on 9 de Fevereiro de 2009

ccMixterApesar de hoje em dia o número de sites que permitem a colaboração entre DJs, músicos, produtores e cantores ser cada vez maior – ainda na semana passada escrevi aqui sobre um novo chamado Koblo -, muita gente se esquece que tudo começou com o ccMIxter, um site criado em Novembro de 2004 pela associação norte-americana Creative Commons responsável pelas licenças com o mesmo nome.

O ccMixter surgiu sob a forma de um concurso de remisturas no seguimento de uma iniciativa conjunta com a revista Wired do lançamento de um CD contendo músicas de Beastie Boys, My Morning Jacket, David Byrne e Gilberto Gil, todas elas disponibilizadas segundo licenças CC.

Por detrás do site esteve sempre o nome de um programador, músico e blogger de seu verdadeiro nome Victor Stone mas mais conhecido pela comunidade de remisturadores pela alcunha de fourstones. Uma vez que o quarto aniversário do ccMixter foi recentemente assinalado, Victor decidiu descrever na forma de um ensaio as suas experiências enquanto responsável pela comunidade.O texto está disponível aqui em formato PDF e tem por título ccMixter: A Memoir OR How I Learned to Stop Worrying about the RIAA and Love the Unexpected Collaborations of Distributed Creativity During the First Four Years of Running ccMixter (“ccMixter: Uma Memória OU Como Eu Aprendi a Deixar de me Preocupar com a RIAA e a Amar as Colaborações Inexperadas de Criatividade Distribuída Durante os Primeiros Quatro Anos em que Administrei o ccMixter”).

Apesar do subtítulo enorme, o ensaio tem apenas 33 páginas. A principal conclusão de Stone é que o sistema de participação livre num bem comum contribui para uma melhor produção artística. Tal como muitos defensores da cultura livre, ele acredita que a inovação e a criatividade nunca surgem a partir do nada; pelo contrário retroalimentam um círculo vicioso baseado na recombinação de múltiplas influências.

Na sua opinião, toda a arte – em especial a música – foi derivativa. Um exemplo disso foram bandas britânicas como os Beatles e os Rolling Stones que plagiaram os grandes músicos negros de blues dos EUA da década de 50 sem fazerem qualquer tipo de atribuição. A única diferença em relação aos músicos de laptops de hoje em dia é que eles usaram discos de vinil e guitarras eléctricas em vez de samplers digitais.

Nesse sentido, o ccMixter funcionou como um laboratório experimental de que é possível uma alternativa ao modelo convencional da indústria discográfica que exige grandes somas de dinheiro a quem pretende samplar fragmentos dos discos pertencentes ao seu catálogo. Mais para a frente, Stone explica de que forma é que o site funcionou como uma economia da dádiva – segundo a expressão de Lewis Hyde – ou economia da partilha – segundo o termo de Lawrence Lessig – de forma a fomentar uma criatividade distribuída ao estilo P2P assente naquilo que ele chama de “colaboração inesperada”.

(via Lucas Gonze)

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