
Aproveitando o furor mediático suscitado pelo julgamento que se encontra a decorrer na Suécia e que coloca no banco dos réus os três administradores do Pirate Bay, o Partifo político norueguês Rødt (Vermelho) decidiu lançar uma iniciativa semelhante ao projecto Copyright Criminals do cineasta canadiano Brett Gaylor – o autor do documentário RIP, A Remix Manifesto sobre a cultura da remistura.
A ideia é basicamente a mesma: os “partilhadores” são convidados a enviarem uma foto de si próprios e a fazerem o respectivo upload no site Filesharer.org. O objectivo dos “vermelhos” noruegueses é mostrar às indústrias de entretenimento e aos políticos a seu serviço que é impossível travar o desenvolvimento e a inovação tecnológica à força porque mesmo que na pior das hipóteses os “piratas” suecos acabem na cadeia – o que é bastante improvável -, as dezenas de milhões de utilizadores do tracker de BitTorrent continuar a copiar e a partilhar ficheiros.

Na perspectiva dos organizadores “a partilha de ficheiros é algo positivo uma vez que permite que as pessoas partilhem música, filmes e cultura.” Mas apesar dos nobres ideias da campanha “This Is What A Criminal Looks Like,” até agora os partilhadores não parecem ter aderido em massa à iniciativa. Até hoje, dia 22 de Fevereiro, somente 2100 “criminosos” deram a cara.
Embora o Partido Vermelho seja uma pequena organização política – tendo surgido em 2007 a partir da fusão do Partido Comunista dos Trabalhadores (AKP) e da Aliança Eleitoral Vermelha (RV), só conseguiu 2,1 por cento dos votos nas eleições regionais de 2007 – e a ideia não seja propriamente original, é sempre bom ver que existem forças políticas que não ignoram aquela que está a transformar-se numa das principais questões políticas do século XXI: o acesso livre à cultura e ao conhecimento e os limites impostos pelo actual regime de propriedade intelectual. E por terras portuguesas, quando é que começamos a enfrentar estas questões?
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