O desempenho registado nas vendas de música ao longo dos últimos anos revela padrões bastante idênticos nos mercados mais avançados. Apesar de em termos unitários as vendas totais de álbuns descerem, as vendas digitais registam um crescimento sustentado. No entanto, tudo indica que essa subida não compensa a descida extraordinária dos CDs. Isto porque as estatísticas disponíveis não se baseiam no montante total de receitas mas sim de unidades comercializadas.
Mesmo assim, é interessante verificar ligeiras variações na evolução das vendas de alguns países: por exemplo, se de acordo com os dados do painel SoundScan da Nielsen nos Estados Unidos as vendas anuais de álbuns desceram 14 por cento durante o ano de 2008, já no Reino Unido a descida foi de uns meros 3,2 por cento segundo os números da Official Charts Company – a empresa responsável por compilar as tabelas de vendas de discos naquele país – divulgados pela British Phonographic Industry (BPi) – a entidade que representa as grandes editoras britânicas – citados pela BBC e pela Billboard. O número total foi de 133,6 milhões de unidades em comparação com os 138,1 milhões de 2007.

A verdade é que o resultado final teria sido pior se não fosse o quarto trimestre do ano, período em que as vendas subiram 0,9 por cento em comparação com 2007: de 49,4 milhões elas subiram para 49,8 milhões. Este aumento na ponta final do ano foi tanto mais inexplicável se tivermos em conta o acentuar do clima de recessão económica que se fez sentir, aliado à falência das cadeias de lojas Zavvi e Woolworths e da distribuidora Pinnacle.
Ainda no que diz respeito aos ákbuns, as vendas digitais aumentaram 65 por cento em 2008, representando actualmente 7,7 por cento do mercado global de álbuns, com 10,3 milhões de unidades comercializadas. Mas a maior subida registou-se mesmo nas vendas de singles que cresceram 33 por cento para as 115 milhões de unidades em grande parte graças aos downloads que constituem 95,8 por cento do mercado global de singles. Em 2007 essa percentagem tinha sido de 90,1 por cento.
Estes dados vêm apenas confirmar duas coisas:
- Apesar dos downloads ilegais via redes P2P e sites de alojamento de ficheiros, os consumidores estão a aderir aos downloads legais via iTunes – e isto sem contar com a remoção da DRM nos ficheiros comercializados no iTunes. Agora imaginem quando os dados já contarem com esse facto novo?
- O crescimento das vendas digitais nunca irá compensar em termos de receitas as vendas de CDs, o que significa que as editoras e outros profissionais da indústria terão que explorar à força toda outras fontes de receitas adicionais caso não pretendam fechar as portas.
(foto de MonkeySimon segundo licença CC-BY 2.0)
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