Vendas de álbuns nos EUA em queda desde 2004

by Miguel Caetano on 3 de Janeiro de 2009

E que tal uma notícia positiva para reanimar a moral dos executivos da indústria discográfica? De facto, as editoras têm algumas razões para alegrarem-se com os mais recentes dados do painel SoundScan da Nielsen que indica que em 2008 as vendas globais de música (incluíndo álbuns, singles, videoclips e downloads) aumentaram 10,5 por cento em comparação com 2007: de 1,36 mil milhões de unidades, as vendas subiram para as 1,51 mil milhões de unidades. 

Mas as boas notícias acabam por aqui. Primeiro porque o ritmo de crescimento tem vindo a abrandar: 19 por cento em 2006, 14 por cento em 2007 e 10 por cento em 2008, segundo a Reuters. Depois, porque as vendas globais de álbuns – o tradicional ganha-pão das editoras – registaram uma queda de 14 por cento: de 500,5 milhões de unidades em 2007, os álbuns físicos e digitais desceram para as 428,4 milhões de unidades.

A situação não é tão má se nos lembrarmos que em 2007 a queda foi de 15 por cento e se fizermos equivaler um conjunto de dez downloads de faixas a um álbum, obtemos mesmo uma “mera” descida de 8,5 por cento. De qualquer modo, desde 2000 – ano em que o Napster atingiu o seu apogeu -, a
indústria discográfica já perdeu mais de 45 por cento.

Como é de adivinhar, o principal responsável por esta descida foi o sector físico, onde se verificou uma descidade de 20 por cento das vendas, de 450,5 para 362,6 milhões de unidades. Por seu ĺado, os álbuns digitais subiram 32 por cento, situando-se agora nas 65,8 milhões de unidades. Actualmente, eles já representam 15,5 por cento do total de vendas de álbuns, face a 10 por cento em 2007 e 5,5 por cento em 2006. De acordo com o Wall Street Journal, 2008 foi a sétima vez num período de oito anos em que os álbuns desceram nos EUA. O único interregno neste ciclo negro verificou-se em 2004. 

Aliás, no que toca aos álbuns a única nota realmente positiva veio do vinil: no ano passado, venderam-se 1,88 milhões de grandes rodelas negras nos EUA, o que representou uma subida anual de 88 por cento. Segundo a Nielsen, desde o criação do SoundScan em 1991 que nunca se tinham vendido tantos discos em vinil como no ano passado, sendo que dois em cada três vinis foram adquiridos em lojas de música independente.

Quanto às faixas digitais, já se sabe: só boas notícias. Pela primeira vez venderam-se mais de mil milhões de downloads em lojas online como a do iTunes. Mesmo assim, os 1,07 mil milhões representaram um crescimento de “apenas” 27 por cento em relação a 2007, ano em que as vendas subiram 45 por cento. Outro sinal de que o digital também tenderá a estagnar é que os álbuns digitais subiram apenas 32 por cento (65,8 milhões de unidades), contra uns 53 por cento registados no ano anterior. Mais ainda, os ringtones em formato mastertone também desceram 33 por cento, situando-se agora nos 43,8 milhões de unidades. 

O único toque a superar a barreira dos dois milhões de unidades foi “Lollipop” de Lil Wayne. Em 2007, a mesma proeza foi conseguida por três ringtones. Lil Wayne foi também o grande vencedor na categoria dos álbuns, com mais de 2,8 milhões de cópias vendidas de Tha Carter III (SEM DÚVIDA UM DOS MELHORES ÁLBUNS DO ANO TRANSACTO). Infelizmente, este foi também o primeiro ano desde 1991 em que o álbum mais vendido não conseguiu atingir a marca das três milhões de unidades. Viva La Vida or Death and All His Friends dos Coldplay ficou-se pelos 2,14 milhões. Nos singles, “Bleeding Love” de Leona Lewis foi a grande vencedora. 

Tal como os dados da Nielsen de 2007, estes dados demonstram que os downloads individuais de músicas não são suficientes para compensar as vendas perdidas de CDs. Está mais do que visto que a única forma de as editoras darem a volta à situação passa pela implementação de uma licença global de forma a permitir que os internautas possam descarregar o número de faixas que quiserem em troca de uma determinada quantia fixa mensal. As majors sabem disso mas é preciso combater todas as tentativas no sentido de aplicar essa licença de um modo compulsório a todos os internautas. O sistema deve ser voluntário e opt-in.

(foto de joelogon segundo licença CC-BY-SA 2.0)  

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Vendas de música no Reino Unido em 2008 revelam desempenho sustentado | Remixtures
9 de Janeiro de 2009 às 21:49

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1 remixtures 9 de Maio de 2009 às 11:14

@vinilaodigital: essa história do crescimento das vendas de vinil já é um bocadito antiga, não? http://migre.me/11jr http://migre.me/11js

Responder

2 remixtures 9 de Maio de 2009 às 13:14

@vinilaodigital: essa história do crescimento das vendas de vinil já é um bocadito antiga, não? http://migre.me/11jr http://migre.me/11js

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