Um euro ao ano para descarregar todas as músicas

by Miguel Caetano on 22 de Janeiro de 2009

Querem música de borla e sem complicações legais? Mudem-se para a Ilha de Man, uma pequena nação com 80 mil habitantes ao largo do Reino Unido que tem como chefe de estado a Raínha de Inglaterra. Como eu referi aqui, no início desta semana o gestor de investimento interno do governo da ilha surpreendeu tudo e todos durante uma conferência de imprensa na MIDEM em que anunciou que o governo estava a pensar implementar uma licença compulsória para a partilha e download de um número ilimitado de músicas destinadas aos cidadãos com ligações de banda – que são quase a totalidade da população, uma vez que a taxa de penetração da Internet de alta velocidade é de 100 por cento naquela nação.

A proposta parecia demasiado “mãos-largas” para ter o apoio da indústria discográfica mas a verdade é que Geoff Taylor, director executivo da BPI – a entidade que representa os interesses das editoras britânicas – foi citado como sendo um apoiante da iniciativa. No entanto, bastaram algumas horas para que a BPI emitisse um comunicado colocando um pouco água na fervura.

Embora as editoras vejam com bons olhos as parcerias com ISPs com vista ao lançamento de serviços específicos, a ideia de uma licença global para a partilha de ficheiras aplicável a todos os clientes de ligações de banda larga não faz definitivamente parte dos seus planos. E uma vez que a Ilha de Man ainda não tinha informado os ISPs, parecia que tudo não passou de uma manobra de marketing por parte do governo da Ilha de Man para atrair mais empresas de tecnologia para o seu território.

Mas afinal tudo indica que existe um fundo de verdade na história a respeito da oferta de downloads ilimitados da Ilha de Man. A proposta passa por cobrar um euro ao ano a todos os subscritores de serviços de banda larga, de acordo com o que Tim Craine, ministro para o comércio electrónico da Ilha afirmou a Andrew Orlowski do The Register. Crane diz que o esquema será voluntário, mas isso não é totalmente verdade, pois o modelo de funcionamento deverá ser do tipo opt-out: à partida todos os utilizadores serão abrangidos pelo serviço mas quem não quiser pagar poderá anular a subscrição.

Craine chega mesmo a sugerir que o modelo poderá ser extensível a outros países como o Reino Unido. Mas para além do modelo não ser opt-in, o que faz com que seja uma espécie de imposto disfarçado, o montante adiantado parece ser bastante pequeno para no seu conjunto cobrir o montante em receitas que a indústria discográfica britânica arrecada por ano: mil milhões de libras (pouco mais de mil milhões de euros). Tendo em conta que o Reino Unido possui actualmente 16,5 milhões de lares ligados à Rede, é fácil de ver que esses 16,5 milhões de libras ou euros que a licença global representaria significariam apenas uma migalha em comparação com os mil milhões que as editoras ganham todos os anos. 

Contrariando essa crítica, Tim Craine considera que o buraco entre os dois valores seria compensado com serviços de valor acrescentado como ficheiros áudio com qualidade acrescida ou o número de dispositivos suportáveis. Quanto a mim, sou da opinião que um montante de dez euros ao mês segundo um esquema opt-in é perfeitamente razoável desde que a qualidade do serviço seja adequada – MP3 VBR no mínimo mas 320 Kbps de preferência.

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1 Mind Booster Noori 23 de Janeiro de 2009 às 9:19

Um valor pequeno, como por exemplo 1 Euro por Ano, tem muitas vantagens: sendo um serviço opcional, uma anuidade dessas faria com que a taxa de penetração fosse muito grande. Para exemplificar, eu (que não sou fã da música em formato digital, é certo) pagaria todo o gosto 1 Euro por ano pela possibilidade de descarregar legalmente a música que quisesse, mas nunca pagaria 1 Euro/mês para isso. E aqueles que têm serviços como o Kanguru? E aqueles que têm limites de tráfego de 1Gb/mês? Para esses 10 Euro/mês seria impensável, mas 1 Euro/ano? Esse cabe no bolso de toda a gente!

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2 Miguel Caetano 23 de Janeiro de 2009 às 12:16

Sim, mas o montante total que isso representaria seria mínimo em comparação com as vendas actuais de música das editoras e elas nunca se satisfariam com isso. A diferença tem que ser nula ou até mesmo positiva, até porque estamos a falar não só das discográficas, mas também dos publishers e dos compositores, etc. É por isso é que eu acho que a posição do governo da Ilha de Man é irrealista.

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3 Mind Booster Noori 23 de Janeiro de 2009 às 12:34

Não concordo com a tua visão. A mostra/quantidade de músicos/bandas com música disponível gratuitamente e que vendem ainda assim a sua música em formato digital mostra que estar disponível gratuitamente, legal ou não, não diminui mas sim aumenta as vendas. É normal que assim seja, é tudo uma questão de comodismo – se eu for cliente habitual de uma loja online vou preferir a experiência de utilização que tenho aí do que ir procurar um torrent ou uma aplicação p2p para depois ir à procura do album que quero sacar… Aliás, dos dados que tenho visto, disponibilizar a música gratuitamente é benéfico para as vendas online, por isso o que faria ser diferente numa situação "feels-like-free"? Esta proposta não é uma "alternativa" às vendas online, nem deve ser visto como concorrência a isso. É sim uma forma de rentabilizar os "downloads não autorizados", legalizando-os e cobrando um pequeno valor por elees. É receita extra, não é "receita em vez de"….

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4 Miguel Caetano 23 de Janeiro de 2009 às 13:07

Compreendo a tua posição, mas é completamente inalcançável no quadro actual ;-) A verdade é que uma percentagem muito pequena de partilhadores costuma comprar música. É verdade que aqueles que compram, gastam muito mais dinheiro do que todos os outros. O que a indústria diria é que isso seria uma forma de estar a transmitir o sinal errado de que não há mal em não pagar pela música – que afinal a música não tem valor nenhum. Além disso, se elas já colocam tantos problemas com a venda de singles individuais nas lojas de música online, é bastante previsível que elas se opusessem com unhas e dentes a uma argumentação desse tipo. Sobretudo, elas têm receio de tudo o que possa implicar uma canibalização das vendas e que resulte numa diminuição das receitas…

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5 Miguel Caetano 23 de Janeiro de 2009 às 13:07

Compreendo a tua posição, mas é completamente inalcançável no quadro actual ;-) A verdade é que uma percentagem muito pequena de partilhadores costuma comprar música. Embora, de facto, também seja verdade que aqueles que compram, gastam muito mais dinheiro do que todos os outros. O que a indústria diria é que isso seria uma forma de estar a transmitir o sinal errado de que não há mal em não pagar pela música – que afinal a música não tem valor nenhum. Além disso, se elas já colocam tantos problemas com a venda de singles individuais nas lojas de música online, é bastante previsível que elas se opusessem com unhas e dentes a uma argumentação desse tipo. Sobretudo, elas têm receio de tudo o que possa implicar uma canibalização das vendas e que resulte numa diminuição das receitas…

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6 Mind Booster Noori 23 de Janeiro de 2009 às 14:13

Concordo com o o que dizes, mas isso só prova que – para o mal deles próprios – a "indústria discográfica" não está preparada para um cenário com blanket licenses (seja qual for o seu preço). Eu já estava a ignorar o facto de eles serem clueless sobre o seu próprio negócio, e estava na parte do "assumindo um cenário com licença voluntária, qual seria o melhor preço?"

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7 Miguel Caetano 23 de Janeiro de 2009 às 14:47

Umm… Se leres os relatos vindos dos lados do MIDEM, hás-de reparar que as editoras estão praticamente a implorar de joelhos aos ISPs que assinem licenças para serviços de downloads ilimitados. No Reino Unido, o Datz Music Lounge já é um caminho nesse sentido – embora tenha uma usabilidade péssima -, na medida em que por 100 libras/euros ao ano uma pessoa pode ter acesso ao catálogo da EMI, Warner, The Orchard e Beggars Group.

A dificuldade que poderá advir daí é a incompatibilidade entre serviços, isto é, um que apenas oferece os catálogos da editora x e y e outro que oferece da y e da não da x e ainda outro que oferece da z e da y mas não da x. É por isso que eu digo que é necessária uma licença voluntária global, mas isso só será possível se o estado intervir. Caso contrário, corre-se o risco do mercado ficar dominado por clubes privados em que as independentes serão deixadas de fora.

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8 E-Book Gratuito 23 de Janeiro de 2009 às 21:50

Nao vou entrar na discussão, mas…
Considero um valor de 1 Euro muito "pequeno" para cobrir despesas de criação das musicas…imagino que um valor entre 5 ou 10 euros anuais um valor razoável….com um preço de 10 euros anuais, os 80 mil habitantes da ilha iriam comprar esses "pacotes", e teria um bocado de dinheiro para pagar os direitos autorais…

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