
Eu confesso que adoraria estar lá uma vez que praticamente toda a gente que importa na Internet brasileira também está lá. Estou a falar da edição de 2009 do Campus Party de São Paulo, um dos maiores eventos (senão o maior…) de tecnologias de informação no nosso país-irmão e a maior congregação de geeks, nerds e hackers no Brasil, entre bloggers, programadores, marketeiros, jornalistas, académicos e web designers.
Este ano, a festa começou segunda-feira, no dia 19, e só terminará domingo, dia 25. Ao todo são mais de 6600 os inscritos. Enfim adoraria passar aqui o tempo todo a escrever sobre o Campus Party mas infelizmente tudo o que eu poderia escrever não passariam de meros relatos em segunda mão dos testemunhos de quem está a viver esta semana incrível.
A capacidade de repercussão de um evento como este na imprensa tradicional e a diversidade do programa (desde software livre a cultura livre, passando pela metareciclagem, medias sociais, robótica, modding, é possível assistir de tudo um pouco), demonstram bem que no Brasil a cultura hacker já deixou desde há muito de ser um fenómeno marginal e de nicho para passar a ser mainstream. E quando eu falo de cultura hacker, não estou a falar apenas de “codeiros” mas de toda a gente que escreve, pensa, filma e cria com base na Internet e a partir dela.

E a cultura hacker é, acima de tudo, uma cultura da partilha, como bem o revela uma peça do Guilherme Felitti para o IDG Now! sobre as aplicações criativas que emergem inevitavelmente quando seis milhares de fanáticos pela tecnologia armados de laptops beneficiam de uma oportunidade única: usufruir uma ligação de banda larga de 10 Gbps.
O grupo de partilhadores do podcast Filecast teve a ideia de montar um servidor para a rede de partilha de ficheiros DC++ em dc.hostsupimpa.com. Para aceder, basta descarregar o programa, fazer o registo e partilhar 5 GB. E pelos vistos parece que os “campuseiros” são bastante generosos, já que os uploads parecem bater em toda a linha os downloads:
O resultado? Mais de 15 TB de dados que podem ser baixados gratuitamente, sem qualquer vigilância da organização ou de órgãos que regulam direitos autorais e com velocidades além das dezenas de MBs.
Como avisa o responsável pela tela acima, a rede já chegou a ter mais de 19 TB, mas muitos dos grandes compartilhadores estavam, no momento do print, desconectados.
No momento em que a reportagem teve acesso pela primeira vez ao P2P interno da Campus Party Brasil, 218 campuseiros ofereciam 15,5 TB de informações, de filmes mudos a shows de metal na íntegra, passando por jogos de futebol de edições passadas da Copa do Mundo e pela mais diversificada pornografia.
Quem estiver interessado em seguir à distância o Campus Party através de blogs sugiro a cobertura do BaixaCultura, do Alexandre Matias no Trabalho Sujo e do Julio Daio Borges no Digestivo Cultural. Mas a melhor forma de seguir o evento é mesmo pesquisar pela hashtag #cparty no Twitter ou então seguir @jasper, @efeefe, @dpadua, @danielduende, @fugita, @samadeu, @raquelrecuero, @adriamaral, @marcogomes, @caribe, @interney e @inagaki.
(foto de CDN_Interativa e foto de metamidia segundo licença CC-BY 2.0 e CC-BY-SA 2.0)
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Legal saber que a cultura do "leecher" está acabando no Brasil…é isso que faz uma comunidade online forte: Mais pessoas querendo ajudar do que pessoas querendo ser ajudadas!
Engraçado que temos uma empresa portuguesa a fazer a TV e o Webcast do evento!
http://www.campus-party.com.br/index.php/campusTV...