
O que é que um artista de sucesso faz nos dias de hoje quando o seu contrato com uma editora discográfica expira? Bem, uma das hipóteses é assinar outro contrato mas mais chorudo ainda com uma outra empresa ligada ao mundo da música, envolvendo todas as existentes e futuras fontes de receitas possíveis. Este é o modelo dos contratos de 360 graus que Madonna celebrizou através do seu acordo com a promotora de concertos Live Nation.
Mas existe outra hipótese para aquelas super-estrelas que não se querem acorrentar a uma empresa durante vários anos. Em suma, para artistas como Radiohead, Nine Inch Nails, Saul Williams, Marillion e Jill Sobule que não querem abdicar da sua liberdade criativa.
O próximo nome a juntar-se a esta lista poderá muito provavelmente ser os Faithless, a banda britânica de electrónica. A informação foi divulgada em primeira mão este fim de semana por Brian Message, empresário do grupo através da empresa Courtyard, durante uma conferência de imprensa no primeiro dia do MIDEM de Cannes, a maior feira e conferência da indústria musical.
Message confirmou à Billboard que os Faithless deixaram a sua antiga editora Sony BMG no ano passado e afirmou ser bastante provável que a banda venha a assinar outro contrato com uma editora. Nos planos do grupo está a possibilidade de disponibilizar online e gratuitamente alguns dos seus novos temas.
E se acham que os Faithless não são um nome suficientemente sonante que tal Pearl Jam, 50 Cent, Beck, Metallica ou Ryan Adams? Estes são os nomes que a Billboard refere noutro artigo como eventuais candidatos a seguirem as pisadas dos Radiohead. Embora ainda não exista nenhuma confirmação oficial da parte desses grupos, a verdade é que faz todo o sentido que mais artistas continuem a deserdar do sistema tradicional da indústria discográfica, há medida que as vendas de CDs forem lenta e progressivamente desabando.
A grande dificuldade que um artista do calibre de 50 Cent ou Metallica precisa ainda de superar caso pretenda publicar músicas em nome próprio é que a grande maioria dos fãs de música continua a depender da rádio para ter acesso às novidades musicais. Contudo, o carácter unidireccional e de “banda estreita” da rádio comercial faz com que ela seja a última arma de promoção massiva ao dispor das grandes editoras e do seu dinheiro. Por outras palavras, trata-se de uma questão de controlo.
Quanto menos “digitalizada” e interligada uma sociedade estiver, mais tenderá a haver uma concentração do negócio da distribuição da música. Talvez isso explique afinal a razão dos Radiohead terem no fim recorrido a uma editora convencional – ainda que independente – como a XL Records para distribuir uma edição física em formato CD de In Rainbows. Posto isto, não me admirava nada que um reputado artista brasileiro decidisse adoptar um modelo semelhante em 2009 – apesar dos Cansey de Ser Sexy terem distribuído o seu último disco de borla no Brasil, eles continuam ligados à indie Sub Pop. Em Portugal. por enquanto ainda estamos muito longe dessas “cowboiadas”…
(foto de ultrahi segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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Aqui no Brasil, temos o caso da Mallu Magalhães, ela é 100% independentem, teve seu disco financiado por uma marca e não precisa de gravadora pra ganhar seu dinheiro.
Não sabia que a Mallu Magalhães é financiada por uma marca. Já agora, podias-me dizer qual é?
O disco dela foi lançado em celular, cd e virtualmente pela operadora de telemovel chamada "vivo"(telefonica)
http://www.vivo.com.br/mallumagalhaes
Obrigado. Realmente vocês aí estão sempre muito mais avançados
De qualquer forma, não se pode dizer que a Mallu seja totalmente independente, uma vez que deve ter assinado um contrato discográfico com essa operadora.
E com isto ainda se irá acelerar mais o desabar do modelo de negócios das gravadoras, que dependem mt dos artistas "maiores" para financiar os iniciantes.