Freemium, o modelo de negócio do Remixtures

by Miguel Caetano on 4 de Janeiro de 2009

Ano novo, vida nova para o Remixtures. Este blog inicia hoje uma nova fase à qual eu já tinha aludido aqui no final de Novembro quando fui forçado a interromper o ritmo de actualização diária por dificuldades tecnológicas e financeiras. Esta mudança de rumo deriva do facto de ter concluído desde há algum tempo que o esperado lento crescimento das receitas geradas pela publicidade no segmento online em Portugal nunca irá provavelmente compensar em termos monetários e financeiros a manutenção periódica e regular de um blog com conteúdos originais escrito em nome individual.

Perante esta constatação, tentei durante muito tempo encontrar soluções alternativas para assegurar a sustentabilidade financeira deste projecto que não prejudicassem em nada a sua qualidade mas que tirassem partido da projecção e do know-how acumulado por mim ao longo dos últimos dois anos através da marca Remixtures. Infelizmente, até há pouco tempo todas estas soluções pareciam esbarrar com um dilema: o estado incipiente de adopção e exploração dos media online tanto por parte das indústrias culturais portuguesas como dos media tradicionais em comparação com o panorama europeu e norte-americano

Contudo, creio que chegou a altura indicada para avançar sem receios e medos com aquilo que espero vir a revelar-se um modelo de negócio sustentável, justo e equilibrado para o Remixtures e para os seus leitores: um modelo freemium em que o serviço básico será grátis mas todos os produtos e serviços adicionais serão pagos.

Freemium!? O que é isso?

Desde o início deste blog que tenho defendido que músicos e bandas devem oferecer gratuitamente a sua música ao público fiel a partir da sua página no MySpace ou, de preferência, num site próprio. Continuo a acreditar que esta é a melhor ferramenta de promoção que um músico ou uma banda tem ao seu dispor para vender outros produtos como merchandising, t-shirts, bonés, canecas, edições especiais e exclusivas dos seus discos mas, sobretudo, com vista a atrair mais pessoas aos seus concertos.

Esta estratégia freemium, por vezes também chamada de crowdfunding, faz todo o sentido nos dias de hoje. As pessoas habituaram-se a receber os conteúdos de borla, gratuitamente. Os resultados financeiros das operações dos Nine Inch Nails e dos Radiohead mais do que comprovam que continuará a haver sempre uma pequena percentagem de pessoas com interesse e/ou recursos financeiros para pagar por algo mais especial, um extra. De facto, o sistema crowdfunding de financiamento pelos fãs tem sido aplicado com sucesso por uma série de artistas mais ou menos desconhecidos do grande público. Aliás, não é só na música que este modelo freemium faz todo o sentido, mas também em todos os sectores cujos produtos podem ser digitalmente reproduzidos como fotografia, software, cinema & vídeo, design, literatura, etc.

Na verdade e apesar de todas as diferenças nas suas funções, músicos, jornalistas, bloggers, escritores de ficção e não ficção, cineastas, designers e até mesmo programadores encontram-se todos no mesmo barco. Com isto, quero dizer que aquilo que der certo para uns também dará necessariamente para os outros todos. A digitalização é um facto adquirido que não deve ser combatido – como fazem aqueles que acreditam piamente que o direito de autor/copyright é a melhor forma de defender os interesses dos criadores e de recompensá-los condignamente -, mas sim aproveitado pelos autores de forma a comercializar a quem tem posses para tal os bens escassos associados à sua actividade. Os primeiros a aprenderem essa lição foram os programadores de software livre que não tiveram receio em dar de borla o seu código e cobrar pelo suporte técnico e formação.

A criação de conteúdos online de qualidade merece ser paga

A ideia de fazer equivaler produtores de conteúdos como bloggers, jornalistas ou escritores de não-ficção a programadores e designers poderá fazer alguma confusão na cabeça de certos pretensos anunciantes que consideram que os bloggers não passam de “macaquinhos que copiam e colam algumas frases” e que apenas merecem receber uns míseros trocos. Idem, idem, aspas, aspas para certos empresários de comunicação social que pensam que basta apenas oferecer um estágio ou um subsídio de alimentação para aliciar “meia dúzia de marmanjos” que tenham gosto para a escrita para lançar um site de notícias.

Essa táctica pode render umas boas dezenas de milhares de pageviews durante seis meses/um ano, mas não serve para criar uma marca de qualidade que transpire credibilidade, fiabilidade, reputação, confiança – em suma: capaz de estabelecer uma relação a longo prazo de diálogo e interacção com os leitores. E isso só é possível com o recurso a profissionais experientes com competências específicas em determinados campos informativos. Nesse aspecto, os grupos de media portugueses bem que podiam aprender algo com a blogosfera onde todo o assunto tem dignidade suficiente para ser abordado por especialistas e não por “mão de obra” indiferenciada.

Dito de outro modo: não me peçam para escrever sobre política ou sobre futebol ou sobre o conflito israelo-árabe se eu considero que possuo competências e conhecimentos em música e entretenimento digital, media sociais e P2P que poucos mais têm. Se não compreendem isso, então estão a perder o vosso tempo. Todo o meu passado, presente e futuro está relacionado com aquilo sobre o qual eu escrevo aqui regularmente. No meio online como no offline, a qualidade paga-se. Aqueles que tal como eu têm formação graduada e até mesmo pós-graduada em jornalismo e comunicação social mas que aceitam ser tratados como seres inferiores em relação a profissionais de outras áreas criativas não merecem qualquer consideração da minha parte.

Mas embora considere que todos os criadores, sem excepção, devam ser recompensados, acho que esse direito não é de todo incompatível com o dos utilizadores de terem a liberdade de fazerem tudo o que quiserem com os seus conteúdos, com a condição de mencionarem sempre a sua fonte e garantirem a mesma liberdade em quaisquer eventuais obras derivadas. No meu caso concreto, isso significa que toda a gente pode distribuir todos os artigos publicados aqui até hoje, modificá-los, copiá-los, partilhá-los e até mesmo vendê-los – desde que tenham a decência de incluir o link para o “original”, o nome da publicação (Remixtures) e/ou do seu autor (Miguel Caetano).

Não me chateia absolutamente nada que a maioria dos leitores do Remixtures não pague nada pelo produto grátis que são os conteúdos aqui disponíveis. Mas chateia-me tremendamente que quem tenha possibilidade de pagar por eles e que tire partido deles na sua actividade profissional ou docente não esteja disposto a pagar mais por conteúdos adicionais ou pacotes extra.

A minha proposta

Em termos concretos, a proposta freemium do Remixtures passa por disponibilizar uma série de serviços personalizados e complementares a uma vasta gama de entidades potencialmente interessadas como jornais, revistas, publicações online, escolas de formação profissional, bandas e músicos independentes, editoras discográficas, promotoras de concertos, universidades, associações industriais e profissionais, etc. Inicialmente e salvo situações excepcionais, este modelo deverá abranger os seguintes serviços disponibilizados ao preço mínimo referido:

  • Artigo original até cinco mil caracteres em português ou inglês sobre um tema concreto relacionado com o mercado da música e do entretenimento digital em geral (vídeo, televisão, media e edição de livros) ou media e redes sociais, com direito a posterior republicação em Remixtures.com sob licença Creative Commons BY-SA: 150 euros.
  • Artigo original entre cinco a 10 mil caracteres em português ou inglês com direito a posterior republicação em Remixtures.com sob licença Creative Commons BY-SA: 250 euros.
  • Artigo original com mais de 10 mil caracteres em português ou inglês com direito a posterior republicação em Remixtures.com sob licença Creative Commons BY-SA: 350 euros.
  • Dossier especial em português ou inglês com 10 ou mais páginas tamanho A4, fonte 12, espaço e meio, com direito a posterior republicação em Remixtures.com sob licença Creative Commons BY-SA: 500 euros.
  • Conferência com a duração de 30 minutos a uma hora sobre um tema a especificar previamente (o preço indicado não inclui despesas de deslocação, alojamento e alimentação)
      Universidades/Associações de estudantes: 250 euros
      PME: 350 euros
      Empresa com mais de 500 funcionários/Multinacional: 500 euros
  • Serviços de Consultoria
      Sessão telefónica ou via Skype até 30 minutos: 100 euros
      Sessão presencial até 30 minutos: 150 euros
      Sessão presencial até uma hora: 300 euros

Ao propor esta tipologia de ofertas freemium, espero assim aplicar na prática os conselhos que venho desde há muito pregando aqui nestas páginas. Assim e apesar dos constrangimentos inerentes ao meio online português, considero de todo plausível que um músico ou uma banda que sinta necessidade de estabelecer uma presença online para além de uma mera página no MySpace se interesse por obter algumas dicas adicionais sobre quais as outras redes sociais em que deve estar presente, como fazê-lo e o que deve fazer para atrair os visitantes para o seu site e fazer com que uma parte deles venha aos seus concertos.

Do mesmo modo, considero que poderá ser de toda a conveniência para uma startup que esteja a pensar ou está prestes a lançar um serviço de música online entrar em contacto comigo de forma a evitar dar certos passos em falso antes de abrir ao público. O mesmo se poderá aplicar a uma editora discográfica independente que sinta necessidade de reorientar a sua actividade para o suporte online mas que não saiba qual a melhor forma de o fazer.

Dito isto, apesar de ter até agora dedicado especial atenção à música online posso dizer que não tenho deixado de acompanhar de perto as transformações que têm vindo a ocorrer com outros tipos de conteúdos como o vídeo e a televisão. A história recente demonstra que é inútil combater essas mudanças, pelo que todos os key players envolvidos nestes sectores necessitam de as tentar compreender se não querem ser tomados de surpresa. Proponho-me por isso a ajudá-los a fazer essa transição.

De forma a dissipar todas as dúvidas, o lançamento desta gama de serviços não irá em princípio afectar severamente a regularidade da actualização e a qualidade dos conteúdos do Remixtures. Pelo contrário, penso que os leitores só terão a ganhar pois tentarei transmitir toda a experiência adicional adquirida com eles – excepto nas situações em que me for exigido sigilo e confidencialidade, como é claro. Se me perguntarem se isto vai dar certo, a resposta é “não sei.” Não faço a mínima ideia se existe mercado em Portugal para este tipo de serviços. Receio bem até que não e que o mais acertado seria introduzir uma versão bilingue (português e inglês) de todos ou pelo menos uma parte dos conteúdos do Remixtures.

O meio musical português continua a olhar a Internet como o parente pobre dos media face ao íman poderosíssimo que a televisão ou a rádio representam. A maior parte dos media tradicionais – tanto os generalistas como os especializados – mantém uma presença online paupérrima e permanece indiferente ou desconfiado em relação aos bloggers que escrevem sobre temas considerados menos “nobres” como a tecnologia e a música. Mas como quem não tem nada, não tem nada a perder… Aliás, é pelo facto de não estar agarrado a uma estrutura burocrática, centralizada, vertical e convencional que me posso dar ao luxo de fazer isto.

O receio de arriscar e de virar as normas do avesso não faz definitivamente parte dos hábitos dos portugueses – basta olhar para o número de startups e de ONGs com actividades ligadas às tecnologias de informação e em particular à Web em Portugal. Foi-nos ensinado nas escolas que nos devemos submeter e fazer tudo por arranjar um emprego estável para toda a vida. Acontece que essa estabilidade desapareceu e já não volta mais. Mas isso significa que não existem mais razões para nos submetermos a uma relação desigual com uma entidade com fins lucrativos. Podemos e devemos colaborar apenas com quem respeita o nosso trabalho, nomeadamente, pagando por ele o preço que considerarmos justo e adequado ao nosso valor. É este o exemplo e o desafio que eu gostaria de deixar a todos os demais. Mas para isso não precisamos dos direitos de autor tal como eles se encontram definidos actualmente. Pelo contrário. Basta olhar para as notícias e artigos que se encontram em inúmeras publicações “jornalísticas” profissionais offline e online portuguesas cuja autoria é atribuída a uma empresa e não a um autor em concreto. A que rosto e a que nome atribuir a responsabilidade pela incompetência ou pela excelência do texto que acabámos de ler? De todos e de ninguém. O mesmo já não acontece na blogosfera onde os autores mais reputados dão a cara por cada linha que escrevem.

Bookmark e Compartilhe

Artigos relacionados:

  1. Remixtures: an introduction for English-speaking readers
  2. Techdirt aplica modelo de negócios de Trent Reznor aos blogs
  3. Remixtures: três anos de vida e um desafio para os designers
  4. Creative Commons celebra cinco anos e lança licenças CC+ e CC0
  5. Comissão Europeia ainda acredita na compatibilidade entre tecnologias de DRM

{ 5 trackbacks }

O Remixtures agora é um negócio | Ouve-se
4 de Janeiro de 2009 às 17:27
Blogue Rascunho.net » Blog Archive » Modelo freemium para o negócio da informação online
4 de Janeiro de 2009 às 23:05
Notícias do Front Baixacultural (11) « BaixaCultura
19 de Janeiro de 2009 às 2:47
Daily Digest for 2009-01-30 | Pedro Trindade
31 de Janeiro de 2009 às 8:13
Blogosfera em 2009 (II) « Memória Virtual
21 de Fevereiro de 2011 às 9:09

{ 107 comments… read them below or add one }

1 Miguel Caetano 6 de Janeiro de 2009 às 22:33

“Offtopic? Não terei com certeza de lhe traduzir a expressão para português para entender que não podia estar mais longe da verdade, certo?”

Quem começou com insinuações pessoais e ataques ad hominem foi o senhor.

“E é verdade, traduzi o texto do castelhano para o Português, Inglês e Alemão em estrita colaboração com autor. Consegue ver a diferença? Partilha de conhecimento e de competências vs. usar o trabalho dos outros para proveito próprio? É isso que nos distingue..”

EU NUNCA COBREI PELO ACESSO às traduções que fiz e sempre explicitei claramente quando eram ou não traduções. Mesmo no caso de serem meras adaptações, indiquei sempre a fonte e incluí o link. Isso não propriamente colar e copiar e toca a andar. Mesmo que eu me limitasse a reunir e recompilar informação disponível no arquivo do Remixtures – que é composto por milhares de artigos abrangendo um período temporal superior a dois anos -, será que é assim tão descabido na sua cabeça a ideia de que essa informação possa ser valiosa para alguém que quer a papinha toda a pronta sobre um determinado assunto e não tem tempo a perder?

“O que eu critico é a apresentação de um modelo de negócio [que até pode ser aplicado em Marte com bastante sucesso] para um blog que tem esta temática.
Repito se o “plano” [duvido sinceramente que tenha um, tendo-se limitado provavelmente a copiar algo que encontrou por aí], se o “plano” é manter o acesso gratuito apenas cobrando aos media que estejam eventualmente interessados então a estratégia de comunicação deveria ser obrigatoriamente diferente.”

Antes de enveredar mais uma vez por exageros descabidos e pressuposições grosseiras, gostaria apenas de lhe fazer notar que o meu método não é a opacidade. Desde o início que tentei ser ao máximo transparente e sincero para com os leitores e não lhes ocultar a verdade, por uma questão de respeito. Se é isso a que se refere, fazer as coisas às escuras e andar de porta em porta a mendigar a venda de um texto, então decididamente não acompanhou bem o Remixtures desde o início.

“Os modelos de negócio que podem ser aplicados à música não podem ser aplicados, por exemplo, à literatura. E porque não? Porque dificilmente um autor de um livro andará a fazer tours pelo país para ler o seu livro.”

Pois engana-se. Nos Estados Unidos isso já acontece: os autores organizam sessões de autógrafos e de leitura e discussão pública com os leitores. Se quer que eu lhe dê mais detalhes, pague-me ;-)

“A mim, o que me parece, é que lhe passa completamente ao lado o que realmente está a acontecer, a real mudança de paradigmas que está a acontecer em relação aos conteúdos gratuitos: ninguém, absolutamente ninguém, tem uma solução, um modelo que só pode dar certo! E também não interessa! E porquê? Porque a beleza de tudo isto é que os custos para tentar novos modelos de distribuição, marketing, comunicação e/ou implementação [se necessário] são próximos do zero. Sim, zero!”

Não é isso que demonstram os exemplos que eu referi neste artigo. Esses casos servem como provas empíricas e testadas de que vale a pena explorar esse caminho. Também não é isso que demonstram os vários casos de bloggers espalhados pelo mundo que prestam serviços de consultoria a todo o tipo de organizações.

Responder

2 Miguel Caetano 6 de Janeiro de 2009 às 22:45

“Em muitos artigos nem tem a decência em identificar a fonte! Linkania deriva de tirania? engraçada as palavras que decidiu formular. tem jeito sim senhora. venha de lá essa salva de palmas.”

Indique-me dez artigos dos mais de mil publicados aqui no Remixtures que eu lhe darei razão. Quanto ao resto, conhece algum blog português de tecnologia que dê destaque a notícias sobre P2P e copyright? Sinceramente, não me pagam para suportar trolls. Há quem receba dinheiro por isso, sabiam? Chamam-se gestores de comunidades… Quem quiser ter um diálogo racional e lógico, que desça do seu véu do anonimato e do manto de pressuposições torpes que eu irei com muito gosto conversar com eles. E mais ainda: quem não gosta, não leia. Só não chateie quem escreve e faz alguma coisa mais do que mandar vir.

Responder

3 Ludwig 6 de Janeiro de 2009 às 23:19

Estes comentários parecem-me estranhos. Protestam do quê?

O Miguel quer fazer dinheiro a escrever artigos mas não vai restringir o acesso ao que escreve nem encher o blog de banners. Diz apenas que escreve artigos por encomenda a quem quiser encomendar e até nos diz que vai sempre garantir que todos podemos ler o que ele escrever, mesmo que não sejamos nós a encomendá-lo. Por isso se não querem, não encomendem. Se acham que não vale a pena encomendar um artigo que seja tradução, então encomendem outro que dê mais trabalho. E se não gostam do que ele aqui escrever não leiam sequer.

@lesretours:
«Eu acho fantástica a ideia de usar um serviço gratuito como o skype e cobrar por cima dele. Acho fantástico vender uma licença CC. Acho fantástica a ideia de usar o google e traduzir, por vezes mal, os conteúdos que me parecem interessantes e depois cobrar pelos mesmos.»

Parece-me um mal entendido. Ele não vai escrever e depois cobrar. Ele vai cobrar para escrever aquilo que lhe encomendarem sabendo de antemão quando ele cobra por isso. Não vejo que mal possa haver numa transação voluntária em que ambas as partes sabem o que se vende e se compra.

Responder

4 lesretours 6 de Janeiro de 2009 às 23:33

@ Hugo: vamos a isso :-)

@ Miguel Caetano: Não lhe preciso de pagar coisa alguma para perceber a barbaridade do que acaba de dizer. Está mesmo mesmo a querer convencer-me que os autores de livros andam a dar os livros gratuitamente e depois a cobrar sessões de discussão e autógrafos pelos EUA fora?
Sessões de autógrafos e discussões com os autores são o modelo tradicional de distribuição dos livros.
A presença dos autores, a possibilidade da troca de algumas palavras com os mesmos e uma hora e meia de pacata conversa potencia o “apetite” do consumidor para adquirir o produto, neste caso o livro. E isto acontece pelo menos desde 1960… nada de inovador portanto.

Por outro lado, o Miguel demonstra não ter a mínima ideia do que criou: Se tem mais de 800 leitores, como tanto gosta de anunciar a qualquer altura, então tem uma comunidade. E sim, tem que a gerir. É uma responsabilidade sua. E todas as comunidades têm “trolls”, iluminados e todo o tipo de pessoas que se podem encontrar numa sociedade.

Menciona os “vários casos” de bloggers que prestam consultadoria. É verdade. Mas esses bloggers, antes de serem bloggers,, eram profissionais respeitados nas suas diversas áreas e que utilizaram as ferramentas ao seu dispor para partilhar os seus conhecimentos com uma audiência mais vasta recolhendo com esse trabalho extra os respectivos dividendos. Esses sim, merecem todo o dinheiro que cobram pois investiram anos a criar uma rede de contactos que lhes permite ter informações em primeira mão e, devido a isso mesmo, terem uma visão estratégica mais aprofundada do que o comum dos mortais, onde eu me incluo e onde o Miguel, se tivesse uma pinga de humildade, também se deveria incluir.

Responder

5 Hugo 6 de Janeiro de 2009 às 23:34

ludwig já tem um artigo para venda ao próprio Miguel. fascinante. ver blog de ludwig.

Responder

6 Hugo 6 de Janeiro de 2009 às 23:37

lesretours parece-me cada vez mais que vamos atirar-nos para um projecto alternativo a este remixtures. alguém mais quer subir ao comboio? prometemos não cobrar 1 centimo, com direito a viagem de ida e de volta.

Responder

7 Miguel Caetano 6 de Janeiro de 2009 às 23:47

@lesretours: eu não disse que os autores andam a oferecer livros de borla. Alguns, como o Paulo Coelho, já o fazem. Mas disse que alguns autores organizam sessões de autógrafos e de leitura e discussão de obras.

Quanto à rede de contactos, eu podia puxar mais dos meus galões e ostentar o meu currículo como jornalista profissional e o meu diploma de Mestrado nestas páginas. Não o faço porque acho que na Internet as pessoas não precisam necessariamente de títulos decorativos. Não o faço porque quero ser avaliado pelos meus textos publicados no Remixtures desde Outubro de 2006, pelo trabalho que eu tive aqui e não pelo passado. Isso sim é que é ser humilde e não colocar-se a adivinhar o passado ou o futuro de pessoas de que se desconhece.

Responder

8 lesretours 7 de Janeiro de 2009 às 0:17

@ Miguel Caetano: Peço desculpa mas disse pois afirma que o modelo que se pode aplicar à música editada em regime creative commons também se pode aplicar à literatura. Para si está tudo “no mesmo saco”. Eu discordo, inteiramente.
No que diz respeito à música está ainda por provar o modelo. Os Radiohead ou os NIN podem dar-se ao luxo de fazer edições em regime pay-what-you-wish pois já têm uma carreira musical que foi construída segundo o modelo tradicional dando-lhes a certeza que as suas tours estarão esgotadas. E que têm uma legião de fans que vai querer ter o produto físico. É por isso que o “In Rainbows” tem também uma edição em vinil: para os puristas que acham que música que é música tem que ser escutada em vinil. [E eu incluo-me neste grupo].
Quanto aos galões acabou por os puxar, Miguel. Não resistiu. No entanto permita-me duvidar que tenha acesso directo a um Bill Gates, a um Nicholas Negroponte, a um Steve Jobs, a um Jay-Z, a um António Damásio. Permita-me duvidar que tenha acesso aos shakers e movers da indústria sobre a qual escreve.
Ou seja, de factor inovador o Miguel tem zero. Ao contrário dos tais bloggers que menciona que são, muitos deles, shakers e movers dentro das suas indústrias. Mais humildade não lhe ficava mesmo nada mal, Miguel.

@ Hugo, vamos a isso.

Responder

9 Paulo 7 de Janeiro de 2009 às 0:25

“títulos decorativos?”, de que cor é o seu currículo caro jornalista ? ou seria, títulos condecorativos?
não deve ter tido lá grande média, não senhora.

o jornalista é muito humilde, o mais humilde de todos os que algum dia conheci. fala no número de leitores, de curriculo, galões lol de partir a rir este jornalismo.

será um jornalismo fantástico, aliado ao cinema fantástico?

ganda Miguel.

quando houver site do novo projecto alternativo que parece estar na calha, apresentem aqui. talvez o miguel queira ir ao casting de jornalismo pra ver se o aceitam lol

Responder

10 Hugo 7 de Janeiro de 2009 às 0:28

lesretours tens msn? se for caso disso adiciona-me: placebocrazy4ever@yahoo.com

Responder

11 Miguel Caetano 7 de Janeiro de 2009 às 0:32

@lesretours: “peço desculpa mas disse pois afirma que o modelo que se pode aplicar à música editada em regime creative commons também se pode aplicar à literatura. Para si está tudo “no mesmo saco”. Lá está você a insinuar coisas que eu não disse explicitamente. Disponibilizar livros segundo licença Creative Commons é uma coisa, distribuí-los gratuitamente na Internet é outra. Alguns como Cory Doctorow fazem ambas as coisas com muito sucesso. Outros como Neil Gaiman não utilizam directamente licenças CC mas disponibilizam partes dos seus livros de borla.

“Permita-me duvidar que tenha acesso aos shakers e movers da indústria sobre a qual escreve.
Ou seja, de factor inovador o Miguel tem zero. Ao contrário dos tais bloggers que menciona que são, muitos deles, shakers e movers dentro das suas indústrias. Mais humildade não lhe ficava mesmo nada mal, Miguel.”

Não é o acesso à informação em primeira mão que importa – para isso basta o Twitter – mas sim interpretá-la, contextualizá-la e atribuir-lhe um sentido. Mais do que bloggers com acesso a “cachas” – será que isso ainda existe no mundo online? -, admiro bloggers com capacidade de argumentação e opinião própria como Bob Lefsetz, Mike Masnick, Andrew Dubber, Andrew Orlowski, Gerd Leonhard, Enrique Dans, Lucas Gonze, etc. porque são eles que me fazem pensar e rever as minhas posições. Nesse sentido, daria-me por muito satisfeito se conseguisse ser apenas metade do que eles são.

Responder

12 Miguel Caetano 7 de Janeiro de 2009 às 0:35

@caro Paulo brincalhão: tive uma média de 14 valores na licenciatura na Universidade Católica Portuguesa e 17 valores no mestrado no ISCTE, se quer mesmo saber. Mas o que é que isso lhe interessa? Por acaso, quer requisitar os meus serviços?

Responder

13 Hugo 7 de Janeiro de 2009 às 1:25

demos o orgulho ao miguel de que provavelemente este foi o artigo mais comentado. ja merecia 14 valores no diploma sim senhora.

Responder

14 Miguel Caetano 7 de Janeiro de 2009 às 1:36

@Hugo: olhe que não é verdade, mas pelos vistos quem gosta tanto do Remixtures que não é capaz de o largar é o senhor e o senhor lesretours. Se não gostassem, já tinham ido apanhar ar há que tempos. É sinal de que são fãs indefectíveis ;-) Continuem, estou a gostar!

Responder

15 Augusto 7 de Janeiro de 2009 às 1:43

Os projectos referidos pelo comentador “Hugo” não são sequer topologicamente homomórficos a este. Os projectos que ele refere podem ser facilmente categorizados como “publicidade de produtos tecnológicos” e, permitindo-me um juízo pessoal, “incentivo deslavado ao consumo acéfalo” / “gadget-ó-mania”.
Também há uma clara diferença de estilo, enquanto este projecto tem “uma temática” e um autor preocupado, o outro é do tipo “A Dica da Semana” para donas-de-casa transformadas em primatas-tecnológicos.
Quem não percebe a diferença também não precisa de a perceber.
Quanto aos comentários do sujeito “lesretours”: é de uma pequenez e mesquinhez incompreensíveis.
Quanto à ideia do Miguel, deixo-lhe os votos de sucesso.

Responder

16 lesretours 7 de Janeiro de 2009 às 1:56

MIguel Caetano escreveu:
“Não é o acesso à informação em primeira mão que importa – para isso basta o Twitter – ”

Importa-se de repetir? O acesso a informação em primeira mão não importa? Nem o insight que essa mesma informação pode dar?

E o que se pode esperar da qualidade da informação que é:
- Traduzida
- Interpretada
- Contextualizada
?
Segundo o que eu sei, deixa de ser informação para ser apenas uma opinião. Uma entre as milhares de opiniões que existem. Que vale o que vale.

Responder

17 lesretours 7 de Janeiro de 2009 às 2:23

@ Miguel Caetano: Se quer mesmo que lhe diga, aqui na serra o ar é fantástico e apanho com ele todo o ano e com todo o prazer. Faça sol ou neve como é agora o caso.

@ Augusto: “Pequenez”? “Mesquinhez”? Interessante o uso destes adjectivos. Não existe pior cego do que aquele que não quer ver, caro Augusto. E a prova está em que a “ideia do Miguel” não é ideia do Miguel.

O conceito de Freemium já vem de 2006 quando o VC Fred Wilson lançou um “concurso” no seu blog, para dar um nome a um novo conceito de modelo de negócio. E não foi o Miguel que deu a sugestão vencedora. Foi alguém chamado Jarid Lukin.

A “ideia do Miguel” chega apenas quase 3 anos mais tarde.

Uma análise dos trabalhos de Vladislav Delay, Kero, Baier/Box, Kim Cascone, entre muitos outros pode mostrar que existem mais do que canecas, bonés e porta-chaves para vender hoje em dia. Aliás esse merchandising é típico dos músicos popularuchos cujos modelos de negócio ainda assentam num modelo totalmente tradicional.

Hoje em dia o cutting edge situa-se na “venda” de uma experiência sensorial, de algo que experimenta com os sentidos (Veja-se o album de Kero feito especialmente para invisuais) e que nos faz mudar a percepção em relação a nós mesmos e ao que entendemos por música.

Responder

18 Hugo 7 de Janeiro de 2009 às 2:49

Miguel o ar aqui do Minho só te fazia era bem.
Augusto deve ser cientista, so pode. se te dessem um novo encéfalo é que faziam bem. porque deslavado tás tu dessa cabeça

Responder

19 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 8:24

Hugo:
«ludwig já tem um artigo para venda ao próprio Miguel. fascinante. ver blog de ludwig.»

Só se “venda” for no sentido de “escrever num blog pessoal para todos lerem sem cobrar nada a ninguém nem sequer ter publicidade”. Talvez a confusão nesta discussão seja a forma como usam essas palavras.

Mas concordo que o modelo do Miguel não é inovador, em geral. Só é pouco usual na área onde ele quer trabalhar, dominada pelo copyright e pela industria de distribuição. Em geral, os profissionais cobram pelo trabalho que fazem sem se preocuparem com quantas pessoas acedem aos resultados. O canalizador cobra por arranjar o cano sem se ralar com quantas vezes vão abrir as torneiras. Eu cobro por dar aulas mas o material que preparo está acessível a todos (por exemplo, aqui). Se já me pagaram para preparar a matéria e dar as aulas não me faz diferença dar os slides, gravações das aulas e exercícios a quem quiser.
Parece-me que alguns ainda não perceberam o que é que o Miguel quer vender. Não é o conteúdo que ele produz, mas o trabalho de o produzir. E só vai vender a quem quiser pagar por isso. Não se vai aproveitar de uma lei para coagir pessoas a pagar.

Responder

20 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 8:44

Miguel,

Há uns tempos queixaste-te que tinhas poucos comentários. Parece que pelo menos esse problema já resolveste :)

Responder

21 lesretours 7 de Janeiro de 2009 às 8:46

@ Ludwig: Desculpa mas a área onde ele quer trabalhar não é a relacionada com os conteúdos gratuitos? P2P? Creative Commons?

Concordo com o que dizes sobre pagar o trabalho mas mais uma vez acho que a comunicação dessa nova opção foi feita de uma maneira que não faz sentido.

Responder

22 lesretours 7 de Janeiro de 2009 às 8:47

@ Ludwig: Já era altura de alguém confrontar o Miguel Caetano e chamar o mesmo à terra. Aliás, basta ver o perfil do Miguel no LinkedIn para perceber muita coisa.

Responder

23 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 9:10

@lesretours:
« Ludwig: Desculpa mas a área onde ele quer trabalhar não é a relacionada com os conteúdos gratuitos? P2P? Creative Commons»

Isso são os temas sobre o qual ele quer escrever. E para ganhar dinheiro a escrever vai ter que competir numa área comercial em que os distribuidores normalmente têm direitos exclusivos garantidos por lei. Nota que se ele quisesse dar aulas não tinha esse problema. Se o contratassem para dar um curso de programação não o podiam proibir, terminado o contrato, de ir dar exactamente o mesmo curso noutro lado. Mas se o contratam para escrever o artigo o normal nessa área é proibir o autor de escrever o mesmo artigo noutro lado. Até em investigação por vezes temos esse problema quando queremos publicar um artigo, se bem que normalmente as revistas permitem a publicação na página do autor.

«Já era altura de alguém confrontar o Miguel Caetano e chamar o mesmo à terra. Aliás, basta ver o perfil do Miguel no LinkedIn para perceber muita coisa.»

Tens que ser mais explícito porque fui lá ver e não percebi o que queres dizer. Será porque o Miguel tem objectivos difíceis de atingir? Se for, é com ele; não vou ser eu a dizer-lhe o que deve ou não tentar fazer da sua vida. Mas penso que as tuas criticas têm sido bem menos construtivas que se justificaria mesmo que assumisses a responsabilidade de “corrigir” as aspirações do Miguel…

Responder

24 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 9:31

O comentário das 9:25 não fui eu que escrevi. Parece que há um engraçadinho por aqui que, não tendo nada a contribuir, prefere impedir que os outros conversem.

Responder

25 lesretours 7 de Janeiro de 2009 às 9:31

@ Ludwig: o que eu quero dizer é que para alguém que tem um CV tão curto, tão pouca experiência, nenhuma experiência internacional o Miguel tem uma excelente opinião de si próprio chamando-se a si mesmo um expert desta área. O que é um facto é que hoje em dia, e em especial no que diz respeito às novas formas de distribuição de música, não existem experts.

Responder

26 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 9:54

lesretours:
OK, o Miguel tem pouca experiência. Mas nota que não é isso que se depreende deste teu comentário inicial:

«Eu acho fantástica a ideia de usar um serviço gratuito como o skype e cobrar por cima dele. Acho fantástico vender uma licença CC. Acho fantástica a ideia de usar o google e traduzir, por vezes mal, os conteúdos que me parecem interessantes e depois cobrar pelos mesmos. Acho fantástico este post. A sério. Estamos no início do ano e já tenho um favorito para o prémio “Deixa lá ver como é que eu tiro uns cobres a estes imbecis”. Obrigado pelas gargalhas.»

Parece-me que o que estavas a dizer é que o Miguel estava a aldrabar cobrando por serviços gratuitos. Não é bem a mesma coisa que dizer que ele ainda está no inicio e tem pouca experiência.
Seja como for, 150€ por um artigo não é o que te cobra um jornalista experiente, e eu já recebi por dar palestras mais que os 250€ que o Miguel propõe mesmo sem nunca ter pedido dinheiro pelas palestras que dou.

Por isso se a tua crítica é que o Miguel pede demais para a sua experiência, penso que não é bem verdade, mas dos preços encarrega-se o mercado desde que todos sejam livres de negociar.
Agora não me parece mesmo que a tua critica inicial fosse à falta de experiência do Miguel. Parece-me foi que não tinhas percebido bem o que o Miguel estava a propôr…

Responder

27 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 9:57

Já agora, o engraçadinho dos disfarces está-se a fazer passar só por mim? Se for assim ainda dá para continuar a conversa, mas se ele começar a fingir ser mais gente isto vai ficar demasiado confuso.
Já agora, importa-se de explicar qual é o seu objectivo (nota: se tiver menos de 12 anos não precisa responder, que já fica a dúvida esclarecida…)

Responder

28 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 10:03

Miguel:
Consegues apagar todos os comentários a partir das 9:25 que estejam com o meu nome mas cujo endereço de email não corresponda ao deste? Obrigado.

Responder

29 Paulo 7 de Janeiro de 2009 às 10:28

@Ludwig> já nos tempos da escola eras um arrogante do diabo. A investigação não merecia ter tal pessoa deplorável.

Responder

30 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 10:33

Miguel:
OK, não há crise. Quando o miudo se calar continuamos a conversa :)

Alegadamente “paulo”,
Newton era insuportavelmente arrogante. Não me arrogo de conseguir tanto quanto ele, mas demonstra que a arrogância não é necessariamente um impedimento ao progresso científico.
Muito pior é a desonestidade. Fingir-se uma coisa quando a realidade é outra. Isso é que impede o conhecimento.

Responder

31 Paulo 7 de Janeiro de 2009 às 10:46

és um poeta Ludwig.

Responder

32 Miguel Caetano 7 de Janeiro de 2009 às 12:07

Ludwig verdadeiro: vou fazer exactamente isso já. Roubo de identidade aqui não :-( (

Responder

33 Miguel Caetano 7 de Janeiro de 2009 às 12:13

Eu só gostaria de saber quem é o grupo de engraçadinhos que está a escrever a partir do mesmo sítio. É que lesretours, Paulo e hugo possuem endereços IP bastante próximos: 81.193.48.104 e 81.193.149.132….

Responder

34 Ludwig 7 de Janeiro de 2009 às 13:15

Obrigado Miguel.

Os IPs são ambos da Telepac, mas por si só isso não deve dizer muito…
PS: vou ver se me lembro de continuar a usar este email quando comento aqui, mas penso que isto foi só brincadeira passageira.

Responder

35 PT Lyon 8 de Janeiro de 2009 às 0:55

Com licença, posso comentar o artigo? lolol

Confesso que quando comecei a ler esta nova ideia que envolvia €€€, torci logo o nariz. Mas afinal não se trata se “capitalizar” parte do blog nem nada do género. O blog vai continuar a ser o mesmo, embora possa sofrer em termos de actualizaçoes, como sofreria se tivesses agora uma oportunidade profissional única que te roubasse muito tempo: ninguém tem nada a ver com isso… O blog até é de graça eh eh.
O que estás a propor é uma espécie de serviços especializados que podes prestar, a quem estiver interessado, sob o nome e marca Remixtures, que tens vindo a construir nos ultimos anos, certo?
O blog em si, para o comum leitor, não vai mudar?

Força nisso. Não sei se há mercado suficiente para vingares, mas serás o primeiro a descobrir.

Acho que te dás ao trabalho de responder a provocações que são mais que esperadas, já que quem tem as opiniões e ideias como as que tu tens, arranja facilmente “inimigos” de estimação.

Responder

36 Miguel Caetano 8 de Janeiro de 2009 às 10:04

“O que estás a propor é uma espécie de serviços especializados que podes prestar, a quem estiver interessado, sob o nome e marca Remixtures, que tens vindo a construir nos ultimos anos, certo?
O blog em si, para o comum leitor, não vai mudar?”
@PT Lyon: é exactamente isso mesmo. Até me sentiria mal se impusesse qualquer tipo de mudança radical que afectasse os leitores do Remixtures.

“Força nisso. Não sei se há mercado suficiente para vingares, mas serás o primeiro a descobrir.”
Obrigadão. Também não sei se existe espaço para algo assim deste tipo em Portugal mas não custa tentar e o pior é ficar parado. Gostaria no entanto que mais pessoas no campo do jornalismo seguissem este caminho noutras áreas de modo a nivelar o terreno com os grandes grupos de comunicação social que se encontra muito desequilibrado.

Responder

37 Wyrm 8 de Janeiro de 2009 às 14:22

Boa sorte para o projecto. Apesar de achar que toda a tua “experiência” no meio musical é oca devido à maneira como defendes a abolição do copyright, iniciativa é sempre de louvar.

Responder

38 Desidério Murcho 8 de Janeiro de 2009 às 21:26

Gostaria que este modelo de negócio desse resultado, mas não dá. É essa a grande mentira dos defensores da cópia à balda. Com a ganância de ter coisas sem pagar, e usando a desculpa esfarrapada de que não querem é pagar ao intermediário, criam uma situação em que a produção intelectual de qualidade é pura e simplesmente impossível, sobretudo se não for em inglês, o que apanha logo com milhões de consumidores. Porque a verdade é que num modelo destes, cerca de 1 por mil paga alguma coisa. Faça-se as contas para ver quantos leitores seria necessário ter para isto funcionar.

Responder

39 Miguel Caetano 8 de Janeiro de 2009 às 22:17

“Gostaria que este modelo de negócio desse resultado, mas não dá. É essa a grande mentira dos defensores da cópia à balda. Com a ganância de ter coisas sem pagar, e usando a desculpa esfarrapada de que não querem é pagar ao intermediário, criam uma situação em que a produção intelectual de qualidade é pura e simplesmente impossível, sobretudo se não for em inglês, o que apanha logo com milhões de consumidores.”

Caro Desidério, desculpe-me discordar da sua opinião mas para começo de conversa devo dizer que existem estudos que apontam para o facto dos utilizadores de P2P comprarem mais CDs do que os não-utilizadores. No campo da música, poderia-lhe apontar o modelo de negócios da Magnatune, uma editora online de música independente que apenas integra música de artistas que utilizam licenças Creative Commons mas que permite a audição completa das músicas via streaming no seu site. Mas esse facto não impede que várias pessoas tenham aderido à sua subscrição de downloads ilimitados que custa 18 dólares mensais. Para além disso, a editora convida ainda as pessoas a partilharem as músicas com os seus amigos e conhecidos.

Poderia estar aqui a noite toda a adiantar-lhe exemplos de sucesso no sector da música, mas como estamos a falar especificamente da palavra escrita, seja ela sob a forma de jornalismo, ensaio ou literatura, gostaria de lhe recordar que se não fosse a Internet e as vantagens que ela oferece – que subverteram completamente a viabilidade de impedir o direito de todos à cópia – um autor não teria qualquer possibilidade de trilhar um caminho por si próprio, independentemente de grandes editoras ou grupos de comunicação social. Pura e simplesmente, isso antes não era possível porque os custos de impressão e distribuição eram demasiado elevados para serem acarretados pelo próprio autor. Se um autor queria publicar tinha que se submeter aos critérios do editor – critérios esses mais (gosto) ou menos subjectivos (racionalidade económica, isto é, potencial de venda).

E os que tinham tido acesso prévio ao sistema ficavam doravante consignados a essa política editorial, a não ser que fossem super-estrelas do campo académico ou jornalístico. Aí sim, eles tinham toda a liberdade para publicar o que quisessem. Mas isso era apenas uma minúscula elite. A partir de agora, essa ditadura do gosto e do que é popular acabou. O que quer dizer que em termos globais a liberdade aumentou: quem tiver talento, curiosidade, interesse e/ou tempo livre pode explorar ao máximo essa liberdade e dar a conhecer o seu trabalho ao resto do mundo.

O grau de democracia intelectual aumentou. Se o trabalho do autor tem depois a devida (ou indevida) recompensação, isso já compete à capacidade promocional e de marketing do autor e a mais ninguém. Dito por outras palavras: mesmo que não hajam benefícios económicos directos existe um óbvio benefício intelectual e individual que é muito mais valioso.

Quanto à proporção de leitores\utilizadores pagantes com não pagantes que o Desidério refere, não estou tão certo assim. E mesmo que assim seja: segundo os dados do Google Analytics, nos últimos 30 dias o Remixtures teve cerca de 35 mil visitantes únicos oriundos de Portugal e do Brasil. Em teoria, segundo as suas contas cerca de 35 utilizadores estariam dispostos a pagar alguma coisa, o que não seria nada mau, mas isso já sou eu a sonhar ;-) O que muito provavelmente pode vir a acontecer é que essas 35 pessoas não estejam interessadas em pagar um mínimo de 150 euros. Mas neste aspecto acho que agi bem porque impus um mínimo mais elevado para acautelar eventuais riscos, tendo em conta os preços praticados por freelancers e que os portugueses nunca foram muito receptivos à ideia de pagarem por artigos, ensaios ou outros conteúdos escritos. Estou certo ou estou errado?

.

Responder

40 JLS 8 de Janeiro de 2009 às 23:54

«Com a ganância de ter coisas sem pagar, e usando a desculpa esfarrapada de que não querem é pagar ao intermediário, criam uma situação em que a produção intelectual de qualidade é pura e simplesmente impossível, sobretudo se não for em inglês, o que apanha logo com milhões de consumidores.»

O Paulo Coelho, embora já estabelecido, é a exacta prova de que isso resulta. Ou nunca ouviu falar do site Pirate Coelho, gerido pelo próprio? E esse é um exemplo particularmente bom, pois ocorre num sector não tradicionalmente mencionado.

Mas o fenómeno é o mesmo. Actualmente, na música, um artista está limitado pela abrangência geográfica da sua editora. O músico português é exemplo disso. Quer seja em português, quer seja em inglês, só a muito custo é que os Moonspell foram crescendo lá fora. Outras, como os Zen, nasceram na década errada, pois com a internet e o myspace, teriam tido um público fora de portas, que nunca tiveram, por – pode-se dizer – pura impossibilidade técnica e logística.

Se falarmos do mundo da música, o seu argumento de impossibilidade de existir produção intelectual de qualidade (no contexto de modelo de negócio viável) não cai por terra, esborracha-se completamente, pois, salvo raras excepções, o que mais lucro dá não tem qualidade digna desse pedestal. Pelo contrário, muitas vezes esse tipo de “produção” nem sequer é “marketizável” ao ponto de atingir as dimensões (lucrativas) que certo tipo de “produto” consegue atingir. Mas é cultura e existe público e, sobretudo, existe público que ainda não sabe que o é.

A nível cultural (música e não-música), o modelo acaba por ser economicamente viável pois existe uma ampliação grotesca do público alvo, para um sem número de artistas que jamais teria essa possibilidade. O público escolhe. E o público escolheu os Arctic Monkeys, por exemplo, para citar o exemplo mais bem sucedido. Ou para si produção (musical) de “qualidade” é a eterna reciclagem de ruis velosos, pedros pais, gnrs e afins? Com qualidade ou falta dela, o modelo actual (enfim, já tem mudado) da indústria discográfica não abre margem para novos artistas. Os que conseguem superar o peculiar processo de filtragem, talvez vendam um ou dois albúns, com sorte, cuja esmagadora maioria dos lucros não irá para quem procedeu à sua produção intelectual. Depois são descartados. Outros artistas novos, não estabelecidos, sem poder negocial haverão. Claro que, no entretanto, reciclam-se alguns dos mais velhinhos, pois por muito maus que se tenham tornados, para esses “resistentes” da selva discográfica, há sempre uma público mais ou menos fiel, que comprará o que deles for vendido.

E depois esquece-se que as vendas de suportes físicos não são o único meio de obter lucro. O potencial da publicidade online é gigantesco e não conhece fronteiras. No mundo da música, um dos motivos de grande birra da indústria discográfica, é que os seus músicos dão mais concertos, para mais gente, em eventos organizados por empresas que a isso se dedicam e especializaram. Felizmente para os músicos, já não precisam da indústria discográfica para nada, pois desde que o que eles produzam seja bom, o público vai querer conhecer, vai falar, vai recomendar e vai comprar, sobretudo se souber que o dinheiro (ou uma fatia consideravelmente do dinheiro) vai para os próprios artistas e não para “a indústria”.

Quanto a séries, não sei se é fã de AXN, Fox’es e afins. Mas já alguma vez se perguntou porque é que, subitamente, esses canais, tal como os canais públicos, começaram a comprar os direitos de transmissão de tantas novas séries e – sobretudo – tão rapidamente? O caso de Cashmere Mafia e a TVI então é o cúmulo, pois a TVI comprou-a logo após a exibição (lá) dos primeiros episódios e a série acabou sendo cancelada e terminada a meio da temporada. Sim, as “gentes” da televisão (portuguesa e não só) usam P2P e não é pouco. And guess what, o P2P rende à indústria televisiva norte-americana (e não só), pois, subitamente, abriu-se um mercado mundial. A série Heroes é disso um caso flagrante, como ficou evidenciado pela reacção do público francês, quando os actores foram promover a série, ainda esta não tinha estreado na França: o canal que acabou por comprar os direitos sabia, com certeza, que era uma aposta segura. Que essas pessoas iriam ver, que essas pessoas iriam falar, recomendar. Sem pagar publicidade, conseguem uma auto-promoção, graças ao hype que se gera e obtêm lucros através da publicidade vendida.

Outro fenómeno paralelo interessante, que provavelmente lhe passará – como passa a muita gente – completamente despercebido, é quando um programador desenvolve um programa. “Cede-o” de forma gratuita. Se for útil, se for bom, se tiver vantagens sobre a concorrência, como qualquer outro produto, ganhará público. Sendo gratuito, muito facilmente se disseminará. Assim, um público que cresce exponencialmente poderá experimentar o produto – que nem isso poderia se não fosse cedido gratuitamente – e o sistema de doações kicks in. O quê? Doações? Sim. As pessoas doam. Muito ou pouco, mas doam. E quanto maior for esse público, mais pessoas haverão a fazê-lo. Há alguns verdadeiros casos de estudo que decidiram alterar esse sistema, transformando-o num modelo de negócio “clássico” e falham por completo. Quanto mais alternativas existirem (e se não existirem, passarão quase imediatamente a existir), mais utilizadores perdem, mais doações perdem e *relativamente* poucas pessoas pagarão o preço que é pedido.

Aliás, no que diz respeito à programação, o Open Source está aí a provar-lhe que a ideia de que é impossível existir produção intelectual de qualidade num modelo de negócio não-mainstream está errada.

Em suma. Se o produto for bom, qualquer que seja o modelo de negócio, será viável e funcionará. O público escolhe. Sabe escolher. Prefere escolher. Prefere ter escolha. Tem é de ter a possibilidade de escolher. Aliás, sendo uma das ideias defendidas pela nossa (e outras) constituições, o direito ao desenvolvimento pessoal de uma forma independente, livre, o direito à individualidade, será muito difícil defender um modelo negocial que promove e fomenta a pre-formatação cultural, a todos os níveis, ao invés de uma verdadeira diversidade, que será apenas natural.impossível existir produção intelectual de qualidade num modelo de negócio não-mainstream está errada.

Responder

41 JLS 9 de Janeiro de 2009 às 0:06

A referência que fiz ao Paulo Coelho talvez seja estranha a alguns… aqui fica aquilo a que me refiro:

Os blogues dele, onde disponibiliza os seus livros em várias línguas e onde disponibiliza alguns livros em exclusivo na internet, durante os primeiros dois anos :

http://paulocoelhoblog.com/internet-books/
http://piratecoelho.wordpress.com/

Um vídeo de uma conferência dada pelo próprio a falar exactamente sobre isso:
http://en.sevenload.com/dld/show/item/bIjFXZD

Responder

42 Carlos 24 de Fevereiro de 2009 às 17:48

Pois é tanto fogo pela liberdade na internet mas quando a fome aperta lá vem o negoçio
Porque razão alguem tenha que pagar por um artigo seu, onde está agora a cultura livre, quando toca aos outros é facil comentar e defender tudo livre só voçe precisa de comer e vestir e o Produtor o Actor o Musico e todas as pessoas que directa e indirectamente vivem dos audovisuais, musicais etc. que vêem o seu trabalho dizimado por uns tantos piratas(parasitas) não precissão da mesma comida.

Pois é, pois é só musica.

Responder

43 Miguel Caetano 24 de Fevereiro de 2009 às 18:30

Caro Carlos: será que você leu alguma coisa do que eu escrevi até aqui? Não será que os artistas sempre ganharam mais dinheiro com os concertos do que com a música? Para além disso, o negócio não é incompatível com a cultura livre. Veja o caso do que se passa com o Tecnobrega do Belém do Pará no Brasil onde os artistas oferecem de borla os seus CDs para cobrarem em muito pelos concertos. O que se passa é que existe uma indústria que funciona como um autêntico cartel que impede o florescimento de verdadeiros modelos de negócio abertos.

Já agora: os verdadeiros parasitas são quem depende do copyright e do direito de autor.

Responder

44 Carlos 24 de Fevereiro de 2009 às 20:08

Pois essa indústria que voçe diz funcionar como cartel: mata a fome a muita gente, e fumenta a boa vida a Actores e Musicos com contratos miliomários e faz mover a máquina. Deixem o copyright e os direitos de autor em paz.
Todos os que são a favor da cultura livre façam por isso: produzam os filmes, musicas, jogos, softwares, livros etc. NÃO ROUBEM

Responder

45 Mad Dogg 24 de Abril de 2009 às 0:05

Miguel, posso piratear o teu trabalho? Vá lá, na boa… á moda da Suécia…

És tam careiro possa! E a liberdade individual?
:D

Mad Dogg

Responder

46 Miguel Caetano 24 de Abril de 2009 às 10:55

No problem. É por isso que este blog é publicado segundo uma licença Creative Commons. Mas se é para ajudar grandes corporações a ganhar dinheiro aí tem que ser a pagar.

Responder

47 Miguel Caetano 24 de Abril de 2009 às 8:08

Não vejo qualquer problema. É por isso é que este blog é publicado segundo uma licença Creative Commons ;)

Responder

48 Crepúsculo 24 de Abril de 2009 às 9:36

Concordo com os dois comentários de cima, quando toca a nós próprios, gostamos de ser compensados por aquilo que fazemos…

Responder

49 RuteCorreia 18 de Junho de 2009 às 15:06

Caro Miguel,

Gostaria de o contactar pessoalmente, para um trabalho académico, como posso fazê-lo?

Responder

50 Miguel Caetano 18 de Junho de 2009 às 18:13

Cara Rute Correia, para entrar em contacto comigo basta preencher o formulário de Contacto :-)

Responder

51 Miguel Caetano 18 de Junho de 2009 às 18:13

Cara Rute Correia, para entrar em contacto comigo basta preencher o formulário de Contacto :-)

Responder

52 Guilherme Bellia 12 de Setembro de 2009 às 3:46

Leitura fundamental: http://bit.ly/uue1B @remixtures Lendo os comentários vejo que ainda existem muitas viúvas do velho mundo entre nós.

Responder

53 Leonardo 24 de Setembro de 2009 às 15:12

Miguel, como sabemos, o grande "graal" dessa questão é exatamente esse, descobrir modelos de negócio que possibilitem a produção de conteúdo de qualidade de maneira sustentável. Teu esforço nesse sentido é extremamente válido, pois enquanto uns apenas criticam os modelos existentes tu tenta de forma corajosa propor um. Torço para que tenhas sucesso com o Freemium (imagino que já esteja tendo), pois será um belo exemplo de iniciativa a ser seguida.

Responder

54 Miguel Caetano 24 de Setembro de 2009 às 15:55

Alô Leonardo. Infelizmente nós aqui em Portugal não estamos tão avançados como vocês aí no Brasil a respeito de medias sociais, mas lentamente se vai avançando. De qualquer modo, muito obrigado pelo apoio :-)

Abraços Atlânticos,

Responder

Leave a Comment

Previous post:

Next post:

geciktirici hemsire kiyafetleri ayakkabi modelleri Sesli Sohbet Sesli Chat ankara nakliyat escort ankara eskort eskort ankara