Quando se pensava que o debate sobre a teoria da cauda longa de Chris Anderson estava pelo menos temporariamente enterrado com a divulgação dos resultados de um estudo da sociedade britânica de gestão colectiva de direitos de autor MCPS-PRS segundo o qual dez das 13 milhões de músicas distribuídos online no ano passado no mercado britânico não venderam nem uma única cópia, a retalhista de música online eMusic decidiu intervir na questão para tomar partido a favor do editor-chefe da revista Wired.
De acordo com Will Page, economista-chefe da MCPS-PRS, apenas 20 por cento dos temas incluídos na amostra do estudo tiveram um comprador, o que quer dizer que 80 por cento das músicas não venderam absolutamente nada.
Mas como a eMusic refere em comunicado (via Wired), os dados relativos às suas vendas a nível global durante o ano de 2008 contradizem as conclusões desse estudo: aproximadamente 75 por cento das mais de cinco milhões de músicas distribuídas pela eMusic venderam pelo menos uma vez ao longo de 2008. A empresa salienta ainda que isto se deve em grande parte às suas funcionalidades da Web 2.0 como filtros e sistemas de recomendação e conteúdos.
Convém, contudo, ter muita cautela em relação a estes dados. É que sendo a eMusic uma loja especializada na venda de música digital de editoras e artistas independentes ela não inclui qualquer tipo de música mainstream de artistas ligados às grandes editoras discográficas. Como tal, é lógico que ocorra um enviesamento a favor da “cauda”. Ora no seu livro Cauda Longa, Chris Anderson refere explicitamente que os negócios de sucesso do tipo cauda longa serão aqueles que disponibilizarem tanto a “cabeça” como a “cauda”. Por outro lado, não sabemos em concreto quantas músicas é que venderam pelo menos uma cópia.
Seja como for, a capacidade da eMusic da incentivar a cauda longa deverá certamente ser uma consequência directa de se tratar de uma empresa que não vende faixas individuais mas sim subscrições. Esse tipo de modelo de negócio incentiva muito mais a descoberta de música nova porque o custo de descarregar temas de bandas desconhecidas é inferior.
(foto de vantazy segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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