A crise também chegou aos videojogos musicais

by Miguel Caetano on 14 de Janeiro de 2009

As editoras discográficas que viam o licenciamento de músicas do seu catálogo para a sua inclusão em videojogos como a salvação do seu negócio  ficarão certamente desapontadas com dados recentemente divulgados pela empresa de estudos de mercado NPD Group à revista Variety que indicam que as vendas dos mais recentes sequelas das séries Rock Band e Guitar Hero nos Estados Unidos registaram até ao final de Novembro um desempenho inferior às edições anteriores.

Apesar dos jogos de música continuarem a ser o maior segmento do mercado de jogos, representando 16 por cento de todos os títulos vendidos, a sua receita diminuiu seis por cento em 2008. Por outro lado, se o Rock Band 2 vendeu 809 mil cópias nos EUA e o Guitar Hero: World Tour vendeu 1,5 milhões de unidades, a verdade é que esses números não são por aí além quando comparamos com as vendas de 2007: assim, as vendas do World Tour desceram 55 por cento em relação ao Guitar Hero III, a anterior edição da série da Activision.

Embora a peça não adiante dados comparativo sobre o Rock Band da Viacom-Harmonix, esta descida surpreendeu pela negativa vários executivos da indústria de videojogos, habituados que estão a verificarem subidas nas vendas das sequelas. Uma das principais causas desse declínio reside na saturação precipitada do sector, uma vez que o ano de 2008 ficou também marcado pelo lançamento quase em simultâneo de uma série de títulos destinados a explorar o mesmo filão como o Ultimate Band da Disney, Rock Revolution da Komani e Wii Music da Nintendo que, diga-se de passagem, registaram todos vendas extremamente fracas.

Mas visto do prisma das editoras nem todos os resultados foram desanimadores pois embora a crise e a recessão económica tenha tornado os fãs mais recalcitrantes a respeito da ideia de desembolsarem cento e muitos euros por um videojogo só por causa dos periféricos, o que passou a dar dinheiro foi a venda de downloads individuais de músicas para tocar nos jogos ao preço de cerca de dois dólares cada: 25 milhões no caso do Guitar Hero e 30 milhões no caso do Rock Band.

Enquanto isto, a Activision já anunciou o lançamento de um Guitar Hero só para os Metallica lá para Março ao passo que a Harmonix espera lançar uma versão do Rock Band dedicada aos Beatles para o Natal de 2009. Quem também já anunciou que pretende entrar no mundo dos videojogos musicais foi Andrew Lloyd-Webber. O compositor britânico quer transformar alguns dos seus musicais como Cats, O Fantasma da Ópera e Evita em títulos para consolas onde os jogadores poderão cantar as letras das músicas dos personagens dessas obras. A avaliar pelo sucesso com que os jogos da Wii têm tido junto do público feminino, é provável que a receita resulte.

(foto de Photos o’ Ramdomness segundo licença CC-BY-SA 2.0)

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