
As grandes editoras sempre gostaram de criar condomínios fechados onde apenas os escolhidos pudessem aceder, indo contra toda a lógica de funcionamento da Web sem fronteiras.
Agora, tudo indica que elas estejam mesmo interessadas em aplicar a mesma lógica ao vídeo online mediante uma parceria com o Hulu, o site resultante de uma joint-venture entre a News Corp. e a NBC Universal.
Ao longo do último ano, o Hulu tem servido para os estúdios de televisão disponibilizarem online e com qualidade de alta definição as séries de ficção mais populares. O único grande senão é que boa parte dos conteúdos do site apenas se encontram supostamente acessíveis aos residentes nos Estados Unidos.
Contudo, de acordo com um artigo do Financial Times, esse factor não parece incomodar em nada os planos das grandes editoras no sentido de encontrarem um concorrente à altura de rivalizar com o YouTube. O rumor de que as majors estavam a pensar criar um portal autónomo exclusivamente dedicado aos videoclips dos seus artistas já vinha a circular desde há alguns meses mas só ganhou consistência na semana passada quando as negociações entre a Warner Music Group e o Google com vista à renovação do acordo de licenciamento da editora com o YouTube falharam.
Caso não seja possível uma parceria com a Hulu, as majors possuem ainda planos alternativos que podem passar pela criação de uma joint-venture autónoma entre algumas ou todas as quatro grandes ou o lançamento de um serviço premium no interior do YouTube.
O problema é que as editoras parecem estar mais interessadas na facilidade de monetização via publicidade que o Hulu oferece do que nas quantidades massivas de tráfego que o YouTube recebe mas que em termos práticos significam um montante relativamente “diminuto” de dinheiro – excepto para a Universal Music, claro está! A questão é que os anunciantes preferem gastar o seu dinheiro num site com conteúdos exclusivamente profissionais como o Hulu do que num site onde os “conteúdos gerados pelos utilizadores” constituem a esmagadora maioria face a uma ínfima percentagem de vídeos produzidos por profissionais.
Para além disso, convém não ignorar que a News Corp. já é parceira das editoras através do MySpace Music. De uma forma de outra, estamos a sempre a falar de oligopólios e monopólios. O que era mesmo giro era ver as independentes unirem-se todas e a criarem o seu próprio site de vídeos. Acham que isso é possível?
(foto de ilya segundo licença CC-BY-SA 2.0)
Artigos relacionados:
- EMI marimba-se para os utilizadores fora dos EUA e assina parceria de videos com Hulu
- VEVO: o ‘Hulu’ dos videoclips musicais chega a 8 de Dezembro
- Universal Music quer criar um site de vídeos para concorrer com o YouTube
- Warner Music encarrega equipa de vendas do Veoh de vender anúncios para o YouTube
- Neil Young acusa YouTube de discriminar a Warner Music face às outras majors


