Nas últimas semanas, a organização holandesa de combate à pirataria BREIN não se tem poupado a esforços no sentido de erradicar a partilha de ficheiros no seu país. Mas se alguns correm bem, outros nem tanto. Há cerca de duas semanas, os seus agentes desencadearam uma operação de grande envergadura contra o RARBG, um tracker búlgaro aberto há um ano e que contava com mais de 50 mil torrents, 100 mil membros registados e de um milhão de visitantes por mês.
Mas o que parecia ser uma grande vitória para a BREIN veio afinal a revelar-se um falhanço: dois dias depois, o site já se encontra novamente online, desta vez alojado num servidor sueco.
Na semana passada, a BREIN conseguiu a proeza de encerrar nada mais nada menos do que 75 trackers de BitTorrent instalados na Holanda. Segundo o Torrent Freak, os sites encontravam-se todos alojados na mesma empresa de fornecimento de serviços de Internet, a Amen. que agiu em cooperação com os anti-piratas holandeses. Embora fossem administrados por várias pessoas diferentes, todas estas dependiam de uma infra-estrutura de rede disponibilizada segundo um modelo de franchising por um único indivíduo.
Mas se verificarmos a lista dos sites afectados por esta operação, constatamos que não se encontram nomes de sites importantes: Allmypower.org, Luckytorrents.org, Allmymovies.org, Digi-tor.org e Seederstor.org – alguém conhecia estes trackers? Não, pois não? O que é certo é que de acordo com a BREIN no seu conjunto eles contavam com um total de um milhão de utilizadores. Mas mesmo que eles tinham sido expulsos da Holanda, isso não quer dizer que eles não possam facilmente abrir noutras paragens, como aconteceu no caso do RARBG.
Tal como no caso do extinto OiNK, estes trackers recebiam doações de utilizadores. Quer estes montantes tenham ou não sido declarados ou recebidos à margem das regras fiscais holandesas ou não, a verdade é que a BREIN pretende fazer queixa dos sites à FIOD-ECD, a Unidade de Investigação Fiscal da Polícia holandesa.
Como se estas duas acções não tivessem sido suficientes, esta semana a BREIN voltou novamente a propagandear um novo feito: o encerramento daquele que, nas suas palavras, era “o maior topsite ilegal de sempre”. Um topsite consiste num servidor FTP de alta capacidade de armazenamento e velocidade utilizado pelos grupos de releases de warez e MP3 para abastecer todo o circuito das várias Internets de partilha de ficheiros.
O servidor em causa, conhecido pelo nome de código SPARTA, alojava 65 Terabytes de filmes ilegais, séries de televisão, álbuns, jogos, software empresarial, audiobooks, etc. Se o Sparta era ou não “o maior topsite do mundo” não sei. Sei é que em Novembro passado a BREIN tinha já conseguido encerrar outro topsite chamado TV Land que continha 45 Terabytes. Mas assim como fechou dois também podem surgir mais quatro.
(foto de apwbATTACK segundo licença CC-BY-ND 2.0)
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