Weird Al Yankovic explica mistério do vídeo censurado da MTV sobre P2P

by Miguel Caetano on 3 de Novembro de 2008

Desde o lançamento do novo site de vídeos musicais da MTV na semana passada, alguns utilizadores tiveram já a oportunidade de reparar em alguns pormenores bastante curiosos. No final da semana passada, o Techdirt deu conta de que algumas das partes do clip de “Don’t Download This Song” (2006) de Weird Al Yankovic tinham sido supostamente censuradas.

A música é uma sátira ao discurso moralista contra a partilha de ficheiros e a letra contém várias referências a nomes de programas de P2P já desaparecidos ou em vias disso como KaZaA, Morpheus, Grokster. O único dos mencionados que ainda se mantém em grande forma é o LimeWire. Ora, são precisamente as partes em que o artista refere essas marcas que foram substítuidas por irritantes BEEPs.

Sendo o tema bastante polémico, não admira que em pouco tempo se tenha disseminado o rumor de que a MTV tinha censurado de propósito o vídeo de modo a incluí-lo no site, o que de qualquer modo não faria grande sentido uma vez que uma versão não censurada do mesmo clip se encontra disponível no YouTube (embora não possa ser inserida em blogs ou páginas de redes sociais).

Pois bem, o mistério está explicado. De acordo com um email enviado este domingo ao New York Times por Weird Al Yankovic, foi o próprio artista que se viu obrigado a banir as referências a esses programas de partilha de ficheiros do vídeo por a MTV lhe ter dito que não aceitaria que a versão original do clip fosse para o ar. De modo a tornar mais explícito a censura, Yankovic decidiu substituir as partes em questão pelos tais beeps em vez de remover ou obscurecer as palavras no contexto da música. 

Apesar da decisão de limpar os vídeos de todas as referências mais polémicas ser de uma moralidade altamente duvidosa, a política de censura da MTV aplica-se não só em relação a vídeos contendo “linguagem sexualmente explícita” mas também a marcas comerciais, como se pode ler neste artigo de 2003 do Los Angeles Times. Na medida em que o KaZaA, o Morpheus, o Grokster e o LimeWire são produtos pertencentes a empresas privadas, a decisão da cadeia de televisão de banir as suas referências no vídeo de Weird Al Yankovic não deixa de ser legítima.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Emily D. Elliott.

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1 Luciano Carôso 3 de Novembro de 2008 às 15:46

Caro Miguel Caetano:

Sou leitor diário de blog embora ainda não tenha me manifestado. Quero lhe parabenizar pela iniciativa e pelo alto nível das postagens. Comentando o texto: depois de mais de dois anos de exposição no Youtube e perto de 19 milhões de visualizações, a MTV resolve “censurar” o vídeo. Quando esse contexto da indústria fonográfica vai começar a perceber o que significa Internet?

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2 Miguel Caetano 3 de Novembro de 2008 às 16:35

Luciano: muito obrigado pelos elogios :-) Queria no entanto só alertá-lo para o facto do vídeo ter sido censurado pelo próprio artista logo na altura da sua produção, embora a pedido da MTV, e não apenas agora.

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3 Luciano Carôso 3 de Novembro de 2008 às 16:56

Ah, sim. Isto então explicaria o grande número de acessos que a versão não censurada teve? Acho que sim. E continua valendo a minha observação: eles da indústria fonográfica ainda não entenderem que a Internet, que queiram ou não, trouxe mudanças culturais radicais e irreversíveis.
Obrigado e mais uma vez parabéns pelo seu trabalho.

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4 Micael 4 de Novembro de 2008 às 14:25

Provocações sobre o tema são uma eterna pedra no sapato da MTV.

Em 2007, estive numa gravação de um ao vivo da MTV Brasil. Antes de começar o show, uma apresentadora sorteou alguns CDs entre o público.
Terminando isto ela ensaiou fazer um “discursinho” sobre a pirataria, a pedido da gravadora que enviou os CDs. Que idéia estúpida foi essa…. A multidão se revoltou e começou a gritar em coro, encobrindo totalmente a voz dela: “eMule! eMule! eMule!”

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