Sony quer reanimar mercado de CDs com formato Blu-spec

by Miguel Caetano on 6 de Novembro de 2008

No luxuoso mercado da alta-fidelidade basta baralhar e voltar a dar para sacar dinheiro dos melómanos e audiófilos que se pelam pela experiência definitiva do som cristalino e puro. Foi assim com o MiniDisc e foi assim com o SACD, o Super Audio CD. Em ambas as ocasiões a Sony conseguiu convencer um pequeno nicho de compradores compulsivos de música em suporte material a dar balúrdios por formatos que requeriam a aquisição de hardware proprietário novo para usufruir de todas as vantagens apregoadas que as novas tecnologias supostamente proporcionam.

Mas apesar de todo o marketing, estas tecnologias não seduziram por aí além as massas compostas por utilizadores comuns. Não me admirava nada se fosse esse o mesmo destino do Blu-spec CD (tradução Google Translator), um suporte que combina a tecnologia dos discos Blu-ray  da fabricante nipónica e do mecanismo de codificação de áudio dos CDs convencionais, o chamado CDDA – mais conhecido por “Livro Vermelho” (Red Book).

A boa notícia é que desta forma, os novos discos vão poder ser reproduzidos a partir de leitores de CDs e DVDs convencionais, bem como por leitores de discos Blu-ray, como é óbvio. A má notícia é que para além do facto do novo formato utilizar díodos de laser azul para registar os dados de áudio no disco em vez do convencionar laser vermelho, não existem grandes melhorias adicionais.

A Sony Music Entertainment, a divisão de áudio da Sony, promete que isto melhora a qualidade física do processo de gravação dos dados e elimina as imperfeições. Graças ao recurso a um novo polímero de policabornato, as trilhas gravadas com laser azul apresentam uma melhor definição, sendo por isso menos susceptíveis a erros de leitura, resultando supostamente numa maior qualidade sonora. 

Os primeiros discos em formato Blu-spec deverão chegar ao mercado japonês a 24 de Dezembro. Inicialmente, estarão disponíveis cerca de 60 títulos, incluindo a 9ª Sinfonia de Beethoven, o Ave Maria, Kind of Blue de Miles Davis, Time-out de Herbie Hancock, Highway 61 Revisited de Bob Dylan, Mr. Tambourine Man dos The Byrds e Rocks dos Aerosmith. A grande maioria dos discos irá custar 2500 ienes (20 euros) mas alguns deverão ir até aos 4200 ienes (33,60 euros). Um bocadito para o puxado…

Para além da Sony, outras fabricantes nipónicas que desenvolveram recentemente versões de alta-definição dos CDs foram a JVC com o seu SHM-CD e a Memory Tech com o seu HQCD. Se o primeiro tipo de tecnologia tem servido para a Universal Music Japan, ECM e Warner Music reeditarem fundos de catálogo em busca de ganhar mais algum dinheiro dos audiófilos, a segunda tecnologia contou até agora apenas com o apoio da Blue Note, a lendária etiqueta de Jazz que funciona desde há décadas enquanto subsidiária da EMI.

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