
O colosso chamado Live Nation ficou ainda maior. A empresa que começou por ser uma mera de promotora de concertos ameaça tornar-se na one-stop-shop no que toca ao desenvolvimento de carreiras de artistas. Mais do que as grandes editoras discográficas, a companhia criada a partir de um spin-off de uma divisão do grupo de estações de rádio Clear Channel promete é quem tem conseguido mais sucessos com os contratos de 360 graus ou pelo menos de 180 graus. Os acordos milionários com Madonna e Jay-Z abrangendo uma série de fontes de receitas – incluindo álbuns de estúdio e DVDs -, bem como o contrato firmado com os U2 (em que o publishing e a gravação de discos ficaram de fora) demonstram-no.
No próximo mês, altura em que o contrato com a Ticketmaster para o outsourcing da venda de bilhetes online terminar, a Live Nation prepara-se para lançar o seu próprio serviço para a comercialização de entradas para concertos. A juntar a isto tudo há ainda o merchandising como camisolas e bonés. Posto isto, a única coisa que faltava era mesmo a venda de MP3s. E foi precisamente o que aconteceu esta semana por mão da MusicToday, uma subsidiária da Live Nation – onde desde 2006 que possui 51 por cento do capital -, que irá começar a vender ficheiros de música sem DRM a partir dos sites dos artistas e dos respectivos de fãs.
De acordo com a Digital Music News, Sony Music Entertainment, Universal Music e EMI já assinaram acordos de licenciamento com a empresa. De fora ficou por agora a Warner Music. A plataforma de alojamento e distribuição das faixas será assegurada pela appliedSB.
A ideia é bem pensada: trata-se de centralizar todos os conteúdos e informação relacionada com o artista no seu próprio site e evitar que os fãs se tenham que deslocar ao iTunes. Um dos clientes de longa data da MusicToday que já aderiu à venda de MP3s foi Dave Matthews. Chas Patrizia, director de merchandising e digital da MusicToday espera que cerca de 10 a 20 artistas por mês venham a seguir o seu exemplo. Os downloads vão também poder ser adquiridos a partir das lojas online da MusicToday e da Live Nation.
Outros clientes famosos da MusicToday são os Rolling Stones, Céline Dion e os Grateful Dead. Para além dos sites, a empresa gere ainda uma série de serviços online como clubes de fãs, mailing-lists, lojas de venda de merchadising e de bilhetes em segunda mão, programas de acesso a conteúdos VIP, etc. Enfim, com mais esta jogada a Live Nation vem assim confirmar que ela já pertence ao escalão das “grandes”. Só que acontece que ela é “grande” sobretudo nos negócios da indústria da música que continuam a dar dinheiro e não tanto na edição de discos. É por isso que muitas editoras continuam a perder dinheiro e a Live Nation tem vindo a aumentar sucessivamente as suas receitas. Só no terceiro trimestre fiscal, ela registou uma subida de nove por cento nas receitas.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a silverfuture.
Artigos relacionados:
- Promotora de concertos Live Nation agora também vende bilhetes
- Venda de acções pelos U2 mete Live Nation em sarilhos
- …E duas passaram a uma: fusão entre gigantes dos concertos nos EUA para breve
- Receitas geradas pelos concertos poderão ultrapassar vendas de gravações de música
- A discografia inteira dos No Doubt na compra de um lugar para um concerto



{ 1 comment… read it below or add one }
POST: Live Nation: da promoção de concertos para a venda de MP3s http://tinyurl.com/6d6y2n