
Como as coisas não andam boas para os lados da BitTorrent Inc., a empresa criada para “monetizar” o protocolo de partilha de ficheiros com o mesmo nome, o co-fundador e presidente Ashwin Navin decidiu dar o fora. De modo a dedicar a mais atenção a uma nova “empreitada”, Navin ira apenas manter o cargo de Director do Quadro de Administração – um papel eminentemente decorativo, suponho.
A notícia foi revelada pelo NewTeeVee que cita uma entrada publicada por Navin no seu blog. Em 2004, o empreendedor convenceu Bram Cohen, o criador da tecnologia de P2P, a montar uma empresa de modo a converter num negócio lucrativo e legítimo aquilo que era até então visto pela esmagadora maioria da indústria de entretenimento como uma “arma de disseminação massiva” de conteúdos não autorizados pelos detentores de direitos, leia-se, ‘piratas’.
Graças a essa reconversão e ao acordo celebrado com a MPAA, a Associação da Indústria Cinematográfica Norte-americana em Novembro de 2005, Cohen e Navin conseguiram em seguida convencer produtoras de televisão e de videojogos a utilizarem o BitTorrent como plataformas de distribuição.
Mesmo assim, o que é facto é que a companhia continua a sentir fortes dificuldades em gerar dinheiro – o que tendo em conta o facto do código-fonte do protocolo estar livremente disponível, não é de admirar… Ainda em Agosto passado a companhia foi obrigada a despedir 20 por cento do seu quadro de pessoal. Contudo, ao mesmo tempo a BitTorrent.com também aproveitou para renovar uma série de altos dirigentes e conseguiu arrecadar 17 milhões de dólares em financiamento.
Segundo se pode ler na entrada do seu blog, a nova aposta de Ashwin Navin deverá funcionar em moldes semelhantes aos de uma incubadora de startups a abrir em conjunto com Steve Chen (co-fundador da YouTube), Aber Whitcomb (do MySpace) e Jim Young (do site de avaliação de potenciais “parceiros” HotOrNot). A empresa deverá ser baseada em São Francisco e será um “ambiente físico capaz de fomentar a inovação, colaboração e formação de empresas.” Acho espantoso o modo como estes “empreendedores” do Silicon Valley dispõem assim tão facilmente de milhõezitos de dólares para lançar novas companhias “a partir do nada”. Bem, no caso de Ashwin Navin ele bem merece pois ajudou de facto a massificar um protocolo de Internet que permite espalhar cultura e conhecimento a todas as partes do mundo da forma mais rápida e barata possível
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a Joi.
Artigos relacionados:



{ 1 trackback }
{ 0 comments… add one now }