Blogs de música são aliados e não inimigos das bandas

by Miguel Caetano on 3 de Novembro de 2008

Ao ler esta série de conselhos a bandas, músicos e promotores portugueses do Rui Dinis do A Trompa, apercebi-me de que ainda estamos num patamar muito amadorístico no que se refere à exploração do potencial dos blogs de música enquanto filtros de confiança junto de pequenos nichos musicais de fãs activos.

Se muitos “profissionais” do sector ainda não sabem como utilizar o email da forma mais conveniente de forma a produzir uma newsletter minimamente apelativa e convincente, como é que poderemos esperar que saibam o que implica manter uma página numa rede social ou um blog regularmente actualizado ou o que é que RSS quer dizer?

Mais importante do que isso: quando é que os grupos portugueses se acabam de vez com essa mentalidade que acredita que oferecer música de borla significa “estar a dar o ouro ao bandido”? Pela milionésima vez, ter uma página no MySpace é o mínimo dos mínimos hoje em dia. Para gerar repercussão junto do grande público e conquistar novos fãs é preciso saber cativá-los. E para isso nada melhor do que dar-lhes aquilo que eles querem: música grátis.

Foi precisamente isso que a banda brasileira Cérebro Eletrônico fez em conjunto com a promotora e editora Phonobase Music Services de Juliano Polimeno fizeram há algumas semanas atrás para a promoção do EP Pareço Virtual. Eles seleccionaram um grupo de 45 blogs musicais com uma audiência bastante sólida e disponibilizaram o disco para que os bloggers pudessem fazer o que quisessem com ele. Como explica Polimeno,

Atualmente, os blogs representam uma interface importantíssima entre artista e público. É através dessas publicações espontâneas de resenhas, críticas, do próprio álbum em mp3 – e também através dos shows – que realmente podemos avaliar a receptividade do trabalho de determinado artista em início de carreira. Esses blogs normalmente são mantidos por pessoas realmente apaixonadas por música, que gastam uma parte de seu tempo resenhando discos, compactando, “taggeando” e disponibilizando arquivos MP3 e, dessa maneira, expressam seu amor (ou seu ódio) pela música. É a música a serviço da formação da personalidade de cada um, da identificação, do reconhecimento entre indivíduos com gostos parecidos, enfim, da verdadeira “rede social” na qual a música é elemento agregador

(…)

Alguns deles têm acessos diários bastante significativos e estabelecer uma proximidade com eles faz parte de uma estratégia maior – e em última instância, a verdadeira estratégia por trás de qualquer artista – que é a de criar e manter uma base de fãs que, posteriormente, irão aos shows, comprarão os outros produtos da banda, etc.

O EP dos Cérebro Eletrônico serviu como uma forma de promoção para o concerto que a banda deu a 25 de Outubro em São Paulo no âmbito do TIM Festival, lado a lado com MGMT e The National. O disco é um conjunto de oito temas, três dos quais são remisturas, uma ao vivo e outras três retiradas do álbum Pareço Moderno editado pelo grupo no início deste ano. Diga-se a propósito que o lançamento deste disco também ficou marcado por uma iniciativa inovadora no contexto lusófono, uma vez que o disco foi disponibilizado em quatro formatos diferentes:

  1. Cartão de download para descarregar as 12 faixas do disco em formato MP3 de 256 Kbps no site – 5 reais (1,80 euros).
  2. CD convencional em suporte Jewel Case – 15 reais + despesas de envio (5,50 euros).
  3. Digipack com as 12 músicas e uma faixa multimédia exclusiva com fotos, vídeos, remisturas, história das músicas e outros textos – 20 reais + despesas de envio (7,30 euros).
  4. Box cerebral – edição limitada e exclusiva de uma caixa em forma de lata de rolo de filme de 35 mm com o digipack, um CD de remisturas, camisola, booklet, postais e adesivos – 60 reais + despesas de envio (cerca de 22 euros).

Mas se as editoras e bandas independentes já se deram conta de que têm tudo a ganhar se estabelecerem uma relação de cooperação com os blogs de MP3s, já no que se refere às grandes editoras representadas pela Federação da Indústria Fonográfica Internacional (IFPI) a postura é bastante mais beligerante, roçando mesmo a esquizofrenia. Recentemente, a IFPI enviou um email a Dave Allen, autor do Pampelmoose, para lhe exigir que Allen – que foi em tempos baixista da banda pós-punk Gang of Fourremovesse o MP3 de um tema dos Portishead. Depois de o ter feito, a IFPI perguntou-lhe se ele estaria interessado em responder a algumas questões sobre a indústria musical, o papel promocional dos blogs e o marketing de música online para uma entrevista a ser publicada no Pro-Music. Embora Allen não tenha tido grandes problemas em aceder ao pedido, não é nada bonito ameaçar bloggers, especialmente quando se tem todo o interesse em manter boas relações com eles. Como explica Andrew Dubber do New Music Strategies

O novo modelo (da música) consiste em encetar uma relação económica prolongada com uma comunidade de entusiastas. Consiste em gerar atenção (…) em abandonar a ideia da transacção individual e de que um download pirata corresponde a uma ‘venda não concretizada’. Os CDs e MP3s devem ser vistos cada vez mais como presentes de uma experiência musical em lugar da ocasião para a própria experiência.

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Phonoblog » Blog Archive » Distribuição em Blogs
15 de Novembro de 2008 às 17:21

{ 2 comments }

1 Fali 20 de Novembro de 2008 às 17:03

É bonito ^^

2 mingrabudsa 23 de Fevereiro de 2013 às 8:54

very good indeed.

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