"Pirataria" desce na França

by Miguel Caetano on 2 de Outubro de 2008

Não foi preciso esperar pela aprovação e entrada em vigor da lei Criação e Internet para que os downloads ilegais sofressem uma diminuição da França, a julgar pelos dados da mais recente edição do barómetro anual sobre as novas tecnologias BVA-The Phone House-BFM-La Tribune que indica também que a percentagem de franceses ligados à Internet continua a subir.

De acordo com o estudo cujos resultados foram anunciados ontem, 18 em cada 100 internautas francesas são “piratas”, o que representa menos cinco pontos em relação aos 23 por cento registados no ano passado. Mais ainda, a proporção daqueles internautas que admitiram realizar downloads ilegais foi basicamente igual à dos que disserem já ter efectuado downloads legais a partir de lojas ou serviços legítimos online.  

Os dados foram divulgados pelo Écrans e pela Numerama que refere que o estudo se baseou numa amostra nacional representativa de 978 pessoas com idades superiores a 15 anos que foram entrevistadas pessoalmente entre 16 e 22 de Setembro deste ano.

Tal como os grupos de pressão pretendiam, a proposta da ministra da Cultura francesa de implementar um sistema de resposta gradual contra a partilha ilegal de ficheiros que prevê mesmo a suspensão da ligação à Internet dos reincidentes conseguiu antes de mais nada ser eficaz como forma de propaganda para gerar o medo e atemorizar a população francesa.

No meio disto tudo, o que é estranho é que segundo as contas divulgadas em meados de Setembro pela SNEP (a organização que representa a indústria discográfica francesa) as vendas globais de música tenham registado uma descida de 12,2 por cento durante o primeiro de semestre de 2008 em comparação com o mesmo período do ano anterior, representando um total de receitas no valor de 278,7 milhões de euros.

Como seria de esperar, o principal culpado desta quebra foi o mercado físico dos CDs e DVDs que sofreu uma descida de 17,7 por cento para os 243 milhões de euros. Por seu lado, o mercado digital subiu 56,9 por cento para os 36 milhões de euros. Nesta categorias, inserem-se os downloads da Internet, toques, streaming e subscrições de música). Bem, de qualquer modo o barómetro não discrimina o tipo de conteúdos (música, filmes, programas de televisão, software…) que os internautas franceses descarregaram. Por outro lado, pode bem ser que esta diminuição da pirataria se tenha a ficado a dever a um aumento da oferta legal e grátis de serviços de streaming online de áudio e vídeo.

O que não dá sinais de diminuir é o número de franceses que dispõem de uma ligação à Internet. Segundo o barómetro, desde Outubro de 2007 que a França ganhou mais três milhões de internautas. Actualmente, cerca de 60 por cento da população francesa encontra-se ligada à Internet.  82 por cento possuem um telemóvel e destes, 83 por cento afirmaram estar satisfeitos com o seu operador móvel. Por último, o número de franceses que se assumem como tecnófilos – isto é que têm uma visão optimista em relação às potencialidades das novas tecnologias – aumentou seis pontos para os 44 por cento.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a francois et fier de l’Être.

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{ 2 comments }

1 Mr. Steed 2 de Outubro de 2008 às 18:47

também pode ser que as respostas tenham sido menos honestas que o costume, devido ao receio causado por todas as notícias sobre a resposta progressiva e afins.

2 Gil Brandão 3 de Outubro de 2008 às 8:54

As estatísticas valem o que valem… se forem orientadas de modo a promoverem que o governo francês tinha razão, então certamente que o farão :/

E concordo com Mr. Steed: num mundo vigilante como se vive nas sociedades ocidentais, não me admirava de ver as pessoas mentirem por sentirem receio.

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