
Já se estava mesmo à espera. Afinal de contas, em Março deste ano a SanDisk começou a oferecer cartões de memória flash no formato MicroSD de 512 MB com 50 músicas sem DRM na compra de um leitor portátil de música digital Sansa Fuze. Durante este tempo, a fabricante de hardware deve ter andado a tentar convencer as quatro grandes editoras discográficas a autorizarem a venda de discos em cartões desse tipo no formato MP3 sem DRM.
Concedida a autorização da Universal Music, Sony BMG, Warner Music e EMI, a SanDisk anunciou hoje o lançamento da iniciativo slotMusic. A ideia passa por comercializar álbuns completos nesse suporte de microdimensões em cartões de 1 GB. Todas as músicas virão no formato MP3 de 320 Kbps – logo, sem DRM. Inicialmente esses cartões apenas estarão disponíveis para venda nos Estados Unidos, a partir de grandes cadeias de comércio a retalho como a Best Buy e a Wal-mart, seguindo-se mais tarde a Europa. Por enquanto, ainda não se sabe sequer quando é que este novo tipo de álbuns será lançado nos EUA.
A parte boa é que esses cartões são de memória removível, o que quer dizer que apesar de virem pré-carregados com músicas, bem como com outros conteúdo interactivos (imagens das capas, booklets, letras, faixas adicionais, vídeos, entrevistas ou o que quer que as editoras queiram meter no espaço adicional que sobrar para além do tamanho ocupado pelo álbum), o consumidor pode muito simplesmente copiar os dados para um disco rígido ou DVD, apagá-los e encher o cartão com outros dados.

Quanto aos aspectos negativos, eles são tantos que nem sei por onde começar. Para já, o que é facto é que a SanDisk não revela quaisquer dados em relação ao preço de venda ao público destes novos “discos”. Com este secretismo todo, não admira que tenham logo surgido rumores completamente díspares . Assim, se o Wall Street Journal aponta para um preço de venda por álbum na ordem dos 15 dólares, já o New York Times avança para um custo entre os sete e os 10 dólares. Se a primeira estimativa se situa à volta do preço de um CD áudio tradicional nos EUA, a segunda coloca o custo de um slotMusic abaixo do de um cartão MicroSD em branco nos EUA, que se situa entre os 10 e os 15 dólares, o que não seria mesmo nada mau.
Mas partindo do princípio que o preço será mesmo esse, não estou a ver os consumidores de música a deixarem de comprar CDs de um momento para o outro, apenas porque um cartão MicroSD é mais barato. Aliás, falando francamente acho que só mesmo aqueles fãs de música que continuam a comprar discos é que poderão estar interessados em algo deste tipo.
Depois, existe outro inconveniente. É certo que este produto destina-se sobretudo a quem ouve ocasionalmente música em telemóveis, mas o que é facto é que muitos telemóveis não têm slots de expansão MicroSD ou suportam cartões MicroSD. De igual modo, os iPods e iPhones da Apple também não suportam MicroSD. Mesmo assim e de forma a permitir que os utilizadores transfiram as músicas para o seu PC ou outros dispositivos digitais, a SanDisk pretende incluir um adaptador USB juntamente com os pacotes slotMusic.
Para além disso, parece que as próprias editoras discográficas também não devem estar muito seguras do sucesso comercial deste novo suporte uma vez que o serviço deverá inaugurar com apenas 29 álbuns em catálogo de artistas Pop como Rihanna, Ne-Yo, Robin Thicke, New Kids on the Block, Weezer, Usher, Chris Brown, Akon, Leona Lewis e Elvis Presley. Depois, quem é que quer ter uma série de cartões minúsculos do tamanho da ponta de um dedo, correndo sempre o risco de acabar por perdê-los mais tarde ou mais cedo?
No entanto, se a esta altura do campeonato em que os utilizadores de telemóveis mais avançados beneficiam de uma série de serviços de streaming grátis de música, o slotMusic não virá revolucionar grande coisa, mesmo assim este novo suporte poderá acabar por conquistar um nicho significativo de mercado se o preço de venda dos álbuns for inferior tanto ao dos CDs convencionais como ao de um cartão MicroSD em branco. Mas não esperem muito mais do que isto. De candidatos a sucessores do CD e do vinil está a história dos últimos anos cheia.
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