
Quantas vezes é que o MySpace Music foi já adiado? Desde há uns tempos que deixou de ser possível fazer as contas. Remontando apenas às duas últimas semanas, primeiro foi dado como certo que o serviço de streaming grátis financiado por publicidade da rede social seria lançado na segunda-feira, dia 15. Uma vez chegados a esse dia, nova mudança de planos: agora a estreia deveria ocorrer a 18 de Setembro. Antes disso, no entanto, o Silicon Alley Insider revelou que o lançamento da nova plataforma de música online da rede social da News Corp. iria sofrer um novo adiamento, desta vez de uma semana ou mesmo mais.
Aparentemente, estes adiamentos sucessivos devem-se não só à busca infrutífera por alguém suficientemente corajoso para ocupar o cargo de director executivo mas também ao desejo por parte de responsáveis pela empresa de esperar pela EMI que continua a ser a única das quatro majors que ainda não assinou um acordo com vista à disponibilização do seu catálogo. Pelos vistos, as músicas dos Coldplay e dos Rolling Stones devem fazer muita falta…
Entretanto, o MySpace Music continua a dar que falar pelos más motivos. Segundo Andrew Orlowski do The Register, algumas editoras independentes têm sentido dificuldades em fazer upload das suas músicas na plataforma de música online através da tecnologia da empresa Audible Magic.
De acordo com as indies, o problema que está a provocar o bloqueio dos uploads reside na base de dados de metadados (nome do artista, música e álbum) do MySpace Music administrada pela Audible Magic. Bruce Houghton do Hypebot refere que até ao momento nenhuma etiqueta discográfica independente assinou um acordo para receber uma percentagem sobre as receitas geradas pela publicidade que irá acompanhar o leitor de streaming de músicas do MySpace.
Até agora, apenas as majors Universal Music, Sony BMG e Warner Music tiveram esse privilégio. Para além disso, derivado ao seu estatuto de parceiras nesta joint-venture, estas companhias irão também receber uma parte dos lucros globais gerados pelo serviço. A acrescentar a isto tudo, em Abril deste ano o co-fundador do MySpace Chris DeWolfe admitiu que a empresa não dispunha de meios para partilhar as receitas de publicidade com bandas e artistas sem contrato.
Em suma, a cada semana que passa torna-se mais evidente que o MySpace Music irá acima de tudo funcionar como um “clube privado” em que apenas as maiores empresas do sector terão acesso. E todavia, convém não esquecer que foi em grande parte graças aos músicos e editoras independentes que o MySpace adquiriu as proporções gigantescas que possui hoje em dia. Estamos assim perante mais um serviço da Web 2.0 que renega as suas origens apenas para satisfazer as exigências dos grandes números das grandes editoras.
Daí que haja já quem especule que o MySpace Music poderá vir a ser alvo de um processo antitrust por abuso de posição dominante por parte das entidades reguladores da livre concorrência do mercado tanto nos Estados Unidos como na União Europeia. Acusações prováveis? Colusão, coordenação e discriminação de preços.
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