
A Associação da Indústria Cinematográfica Norte-americana (MPAA) resolveu seguir os métodos da IFPI que anda há meses a tentar convencer os governos de meio mundo a implementarem um sistema de resposta gradual contra a partilha de ficheiros.
O método é à primeira vista simples e eficaz: um email a servir de aviso para começar outra mensagem enviada por correio se o partilhador persistir e medidas mais drásticas para aqueles que persistirem, entre as quais a diminuição da velocidade dos downloads desses internautas ou mesmo a suspensão do acesso à Internet e, em último caso, o corte da banda larga. Acontece que o Parlamento Europeu não alinha com a IFPI nesse aspecto e já considerou que a resposta gradual atenta contra os direitos humanos dos internautas.
Mas pelos vistos, isso não é suficiente para impressionar a IFPI e a MPAA cujo presidente Robert Pisano manifestou esta semana em Itália o seu interesse por um sistema a três etapas para combater a “pirataria” na Internet que vários grupos italianos de cineastas e produtores de filmes acusam de estar prejudicar o modelo de negócio tradicional das produtoras e distribuidoras de cinema, segundo o Hollywood Reporter (via Torrent Freak)
Pisano esteve em Veneza para participar duma mesa-redonda sobre o combate à partilha ilegal de ficheiros e embora numa entrevista realizada à parte tenha referido que a melhor estratégia para combater este flagelo passa em primeiro lugar por recorrer aos fornecedores de acesso à Internet para oferecerem aos internautas alternativas legais aos downloads de filmes e outros conteúdos protegidos por direitos de autor realizados por “portas travessas”, a sua solução passa também claramente por aplicar uma resposta gradual.
Tendo em conta que ainda nem foi há um mês sequer que o Procurador-Geral da República ordenou que todos os fornecedores de acesso à Internet italianos bloqueassem o acesso dos seus utilizadores ao Pirate Bay e dado o recente encerramento do Colombo-bt, o maior tracker privado de BitTorrent da Itália, é bastante possível que o governo italiano tente força a implementação de uma resposta gradual no país até ao final do ano.
Ainda para mais porque alguns dias depois da mesa-redonda, o ministro da Cultura Sandro Boni indicou que a luta contra a pirataria de filmes, música e software é uma prioridade do governo italiano. O que não admira nada, conhecendo nós já o feitio do actual primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e sabendo que ele é capaz de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para acabar com toda a “concorrência” aos seus inúmeros canais de televisão.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e pertence a frotzed2.
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