Quando os Radiohead lançaram a sua experiência “pague-o-que-quiser” com In Rainbows, os “velhos do Restelo” da indústria discográfica não demoraram a desdenhar do esquema, dizendo que nunca iria funcionar com outra banda com uma menor projecção global do que Thom Yorke e companhia, uma vez que poucos grupos têm uma legião de fãs dispostos a pagar montes de dinheiro por edições especiais de luxo. Alguns meses mais tarde, o manager dos U2 Paul McGuinness chegou mesmo a dizer que a iniciativa constituiu um fracasso uma vez que a maioria dos fãs optou por descarregar o disco a partir de sites de torrents.
Pois não faria nada mal se esses críticos pusessem os olhos noutra experiência bastante semelhante. Há cerca de duas semanas atrás, o grupo de Rock progressivo Marillion teve a ideia de disponibilizar o seu 15º álbum de estúdio, Happiness Is The Road, através de sites e redes de P2P como o Pirate Bay e o MiniNova. E a avaliar pelos dados do empresário da banda Erick Nielsen, a estratégia seguida parece ter corrido bastante bem uma vez que as vendas da edição física dos disco em comparação com o álbum anterior.
Isto apesar dos protestos de alguns fãs – os ficheiros encontravam-se no formato Windows Media Audio, de modo a permitir que a empresa Music Glue contratada pela banda para tratar da distribuição do disco inserisse um widget com uma videomensagem dos elementos do grupo.
Falando durante a conferência EconMusic organizada pelo PaidContent esta terça-feira em Londres, Erik Nielsen referiu ainda alguns dados sobre a estratégia de recolha de fundos junto dos fãs que permitiu que a banda gravasse o álbum sem o recurso a qualquer editora convencional. “Nós concluímos que precisávamos de cinco mil fãs para financiar o álbum, mas acabámos por receber pré-encomendas 12 mil fãs.” No fim da operação, o grupo conseguiu recolher qualquer coisa como 360 mil libras (455 mil euros).
Na opinião de Nielsen, não existe qualquer razão para que o modelo seguido pelos Marillion não possa funcionar com qualquer outro artista estabelecido, desde que se saiba quem são os seus fãs. Nesse sentido, as listas de correio electrónico são bastante importantes. Contudo, o empresário avisou que os artistas que possuem uma base de fãs menos sólida precisam de se esforçar de modo a estabelecer uma relação mais próxima com a sua audiência.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a zioWoody.
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Essa imagem que ilustra o artigo é do Dream Theater, não do Marillion…
Rodrigo, oops… Obrigado pela correcção. Vou já alterar
o que e bom todos copiam
Bom, o Marillion tem feito isso desde muito tempo atrás, atitudes como vender o álbum antes de ser gravado afim de financiar a produção. Louvável! E o fizeram muito antes disso virar “novidade”. Li uma entervista há muitos anos onde o Hogarth, já dizia que no futuro as bandas iam viver de shows e a música iria ser dada de graça…Profecia? Não, só uma banda que faz arte com inteligência.
Em tempo: o Marillion não está copiando ninguém, não seria o contrário?