Franceses não gramam serviços de downloads “ilimitados” de operadoras de telemóveis

by Miguel Caetano on 23 de Setembro de 2008

Os senhores da TMN bem podiam ter tentado saber qual o nível de adesão que as assinaturas de música protegida por DRM têm tido lá por fora antes de terem tido a ideia “genial” de lançar a nova versão do Music Box, um serviço de downloads “ilimitados”. Caso o tivessem feito, teriam rapidamente verificado que os consumidores não estão pura e simplesmente interessados nesse tipo de subscrições.

Como se não bastasse a Yahoo ter passado o seu serviço para a Rhapsody, a Napster acaba de ser comprada pela Best Buy.  E agora, ainda por cima, surgem dados de que os resultados das ofertas ilimitadas de música por assinatura das operadoras francesas de telecomunicações Orange, SFR, e Neuf Cegetel e do banco Société Générale ficaram bastante aquém do esperado.

Como eu referi aqui em Junho passado por altura do seu lançamento, os serviços Orange Musique Max e SFR Pass Music oferecem o acesso a uma quantidade teoricamente ilimitada de músicas em troca do pagamento de 12 euros mensais. O grande senão é que ambos os serviços utilizam DRM, isto é, tecnologia de protecção anti-cópia. Dito de outra forma, os ficheiros descarregados não podem ser reproduzidos em iPods ou iPhones da Apple que, apesar de tudo, continuam a ser os mais populares do mercado.

Passados três meses sobre o seu lançamento, o serviço Orange Musique Max apenas conseguiu recolher cerca de 30 mil subscritores, ou seja, uma ínfima minoria dos cerca de oito milhões e meio de clientes da subsidiária da France Telecom. Os dados foram revelado por Emmanuel Torregano no ElectronLibre. Infelizmente, não é possível saber quantas pessoas é que aderiram ao Pass Music da SFR, uma vez que a oferta se encontra associada à venda de um telemóvel. De acordo com Torregano, o número de clientes da plataforma So-Music lançada em conjunto pela Societé Générale e a maior companhia discográfica do mundo, a Universal Music apenas conseguiu convencer 60 mil utilizadores.

Quanto à Neuf Cegetel, a primeira a introduzir uma oferta de subscrição na França – incorporada a uma modalidade triple play Internet + Telefone + Televisão HD por um preço de 29,90 euros por mês – , os dados mais recentes indicavam que durante um ano cerca de 250 mil pessoas tinham aderido à sua oferta gratuita Neu Music Initial que oferece o acesso ilimitado a downloads de música pertencentes a um género musical específico, ao passo que apenas 45 mil optaram por desembolsar 4,5 euros ao mês para assinar a modalidade Neuf Music Optimal e poder descarregar músicas de todo o catálogo disponibilizado. Quem quiser saber mais sobre estas ofertas pode clicar aqui.

Para além destes pacotes “ilimitados” virem sempre agarrados a DRMs, outra grave falha de muitos desses serviços é que apenas incluem o catálogo de uma das grandes editoras discográficas. É o caso da proposta da Neuf Cegetel que resulta de uma parceria com a Universal – que, tal como a operadora de telecomunicações, também pertence ao conglomerado multimédia Vivendi.

Mesmo assim, apesar da Orange ter garantido acordos de distribuição com todas as quatro grandes, tal não foi suficiente para impedir o fracasso do serviço. No entanto, a operadora de telemóveis já anunciou que pretende lançar uma subscrição de música sem DRM no início do próximo ano. Enquanto a EMI já deu o seu aval, a Warner Music está em vias disso. Quem está contra é a Universal Music. A acontecer, o mais provável é que esta oferta venha a ser algo parecido com as assinaturas da eMusic que permitem descarregar um determinado número de MP3s por mês (25, 50 ou 75) em troca de uma determinada quantia. Mas será que um utilizador de sites de torrents terá disposto a pagar por um montante entre dez a 20 euros apenas para descarregar o equivalente a sete ou oito álbuns por mês quando está habituado a “sacar” isso num só dia? É claro que todos nós já sabemos a resposta a essa questão… Para quando uma licença voluntária global para downloads realmente ilimitados de MP3? 

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a [phil h]

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