OpenTape: cria, aloja e partilha online as tuas próprias mixtapes

by Miguel Caetano on 26 de Agosto de 2008

Desiludido por a RIAA ter forçado o site de upload e partilha de mixtapes Muxtape a fechar (temporariamente ou definitivamente…) as portas? Pois, bem, tenho boas notícias para vocês, bons samaritanos que gostam de passar música aos amigos, que estão sempre a recomendar novos discos e bandas. Graças ao OpenTape, uma aplicação Web de código-fonte aberto que permite criar, alojar e partilhar mixtapes online bem ao jeito do Muxtape, como se pode verificar na playlist de demonstração.

Se têm algo espaço livre no vosso servidor Web com acesso via FTP e se não têm problemas em serem perseguidos judicialmente por conglomerados multimédia transnacionais sequiosos de vos extorquir uma quantia que equivale a todo o dinheiro que vocês alguma vez irão ganhar durante a vossa vida, força! Sigam em frente! Basta descarregar o pacote e instalá-lo no vosso servidor. Sigam as instruções que a Gina Trapani publicou no Lifehacker. O programa exige que a vossa máquina corra PHP5, Apache e curl.

Depois disso, basta criar uma palavra-passe dar nome à vossa mixtape e fazer o upload das músicas que pretendem partilhar ou em alternativa transferi-las via FTP. Para ouvir uma música, basta clicar no título. O mesmo para parar de tocá-la. O OpenTape oferece mesmo a possibilidade de integrar um leitor com a nossa playlist noutro site da Web e de fazer download directo dos MP3s das faixas.

Tudo isto é muito cool, muito trendy, muito Web 2.0, mas a verdade é que caso a nossa playlist não seja única e exclusivamente composta por músicas publicadas segundo licenças livres como as Creative Commons, nós corremos o mesmo risco de sermos acusados da infracção dos direitos de autor que Justin Ouellette, o criador do Muxtape. Pelo que me é dado a ver, creio que o OpenTape apenas poderá ser útil a bandas como os Two Shots of Rye que pretendam usar o código para promover as suas músicas ou para quem queira criar um clone do Muxtape e alojá-lo num servidor localizado num país periférico com um regime de direitos de autor mais (extremamente) flexível.

Até porque falta aqui um componente essencial que explica boa parte do sucesso do Muxtape: a possibilidade de descobrir as playlists partilhadas pelos outros através de um motor de pesquiso ou de um directório. Mas isso foi também justamente o que “tramou” o Muxtape.

Nas primeiras horas após o lançamento da versão inicial do OpenTape, alguns blogs como o ValleyWag começaram a especular que o software tinha o dedo dos programadores do Muxtape, mas o “OpenTape Group” já veio desmentir esses boatos. Posto isto, quem é que se atreve a criar e a alojar no seu servidor uma playlist e a partilhar o endereço aqui? ;-)

Bookmark e Compartilhe

Artigos relacionados:

  1. Mixwit encerra. Será o fim da moda das mixtapes online?
  2. Tumbltape: um agregador de mixtapes para o Tumblr
  3. Favtape cria mixtapes a partir das nossas canções favoritas na Last.fm
  4. 8tracks: as mixtapes estão definitivamente na moda
  5. MixTube combina YouTube com Muxtape

{ 5 trackbacks }

diga cultura
27 de Agosto de 2008 às 10:35
Tumbltape: um agregador de mixtapes para o Tumblr | Remixtures
5 de Setembro de 2008 às 11:36
MixTube combina YouTube com Muxtape | Remixtures
24 de Setembro de 2008 às 14:04
Fundador do Muxtape conta como a RIAA acabou com o site | Remixtures
26 de Setembro de 2008 às 14:59
Mixwit encerra. Será o fim da moda das mixtapes online? | Remixtures
22 de Dezembro de 2008 às 12:42

{ 1 comment… read it below or add one }

1 M. Silvestre 30 de Dezembro de 2008 às 6:26

Actualmente, o regime de direito de autor não satisfaz as necessidades da sociedade nem está de acordo com as possibilidades que o desenvolvimento tecnológico coloca nas suas mãos. Este sistema transformou-se em legitimador da submissão da cultura às leis do mercado, favorecendo a dominação económica e cultural dos povos. O direito de autor como direito humano deve ter implícito o equilíbrio entre o direito do autor à sua obra e o direito da sociedade a ter acesso a ela. Este equilíbrio foi quebrado, não a favor dos autores nem da sociedade, mas a favor dos que exercem os direitos em nome dos criadores, ou seja, os grandes monopólios da indústria editorial, informática, biotecnológica e do entretenimento.
A apropriação destes conhecimentos entra frequentemente em contradição com o direito à saúde, à vida, ao conhecimento e à educação. E são sempre estes que saem a perder.

Responder

Leave a Comment

Previous post:

Next post:

geciktirici hemsire kiyafetleri ayakkabi modelleri Sesli Sohbet Sesli Chat ankara nakliyat escort ankara eskort eskort ankara